Há dúvidas existenciais que levam à divagação «intelectual»; «escrever para o boneco» é uma delas, e para que isso aconteça é fundamental que o tráfego mental não seja condicionado por estrangulamentos causados pela desinformação institucionalizada.
A prática do desporto está na moda (o que me parece salutar, como actividade lúdica e meio para manter a forma fisíca); a prática do ócio mental, parece estar igualmente na moda (falta motivação para exercitar o discernimento).
A tendência generalizada para a obesidade física, consequência do estilo de vida actual, acarreta perda de elasticidade de movimento, e facilita o aparecimento de doenças metabólicas (como a diabetes), e outros problemas de saúde; as alterações morfológicas provocadas pela acumulação de gordura, levam a estigmatização social, e de facto são inestéticas (mesmo tendo em conta a variedade de tipos e combinações morfológicas que o corpo humano pode ter); tudo me leva a crer, que está a acontecer o mesmo à mente humana? O número de pessoas que sofre de obesidade mental não para de aumentar! Os maus hábitos «alimentares» (mentais) conseguiram impor-se no «mercado» como padrão saudável de normalidade, o estatuto mais apetecido, em pouco tempo o consumo compulsivo de informação altamente calórica e pouco nutritiva, mas muito agradável ao paladar e sempre disponível mudou a «morfologia» do pensamento a um número crescente de cidadãos. A obesidade mental é uma das doenças mais terríveis da modernidade, que provoca graves degenerações da percepção individual, que nem sempre são identificáveis pelo próprio; a incapacidade de controlar a ingestão de «alimentos» (informação geneticamente modificada, artificialmente animada, abusivamente manipulada, e claro, excessivamente gorda e pegajosa...) que provocam obesidade mórbida, situação que pode causar esterilidade mental em consequência do excesso de acumulação de gordura, que formas placas, que vão «entupir» as redes neuronais, e causar graves distúrbios de comunicação interna, o sistema pode degenerar ao ponto de impedir a germinação de pensamentos genuínos e identificar a originalidade do seu autor.
«O melhor remédio é a prevenção», por isso, nada melhor que estarmos um pouco mais atentos ao «alimento» que ingerimos, acontece que nos habituamos a comer, e sobretudo a beber demasiado, depois vem a agonia, e a indigestão, o vómito, a diarreia e umas horas mais tarde, a ressaca; o hábito torna-se vício, o vício torna-se ciclo, o ciclo torna-se vicioso, mas todos sabemos isto, não nos ajustamos lá muito bem é às consequências, entre as quais o hábito de fragmentar a realidade, e perder o rasto à consistente unidade do universo interior, por excesso de informação carregada de venenos degenerativos, que fizeram perder o senso da essência da comunicação, as consequências não são graves são letais, e a voracidade com que consomem o quotidiano é atroz.
Os meios de «comunicação» multiplicam-se, será porventura a vontade divina a funcionar: «crescei e multiplicai-vos», e dai a cada homem a oportunidade de morrer de congestão informativa! Cada um contribui à sua maneira (algumas bem peculiares) para fazer da terra uma imensa e sórdida lixeira informativa, o hábito torna a pestilência tolerável, sendo que pode chegar a tornar-se apetecível, desde que o produto seja devidamente publicitado. O espólio informativo desta civilização continuará a irradiar ignorância, semelhantes às radiações nefastas dos lixos radioactivos provenientes das centrais nucleares. A partir do momento em que a informação é tratada como entretenimento e espectáculo, ou seja foi transformada num produto de consumo sem limite de validade, ou seja, no momento em que está ser produzido, já a usa validade caducou, o que nos pode levar a concluir que consumimos informação já em pleno estado de decomposição, mas nem pensar em deixar de a consumir, no dia seguinte, o mundo parecer-nos-ia um local estranho, quase irreconhecível.
Mas nós somos cidadãos que valorizamos a informação, compreendemos o seu valor intrínseco, mas também sabemos que a informação é o principal veículo desinformativo, a forma de afastar o cidadão do local do crime, sabemos que a informação é fragmentada, dividida em fatias, serrada em tábuas, e que nas prateleiras dos supermercados especializados na venda a retalho de informação, estão expostos produtos de origem industrial, com certificado de qualidade, e caso o cliente não fique completamente satisfeito com o produto, pode devolvê-lo, e receber o dinheiro de volta! O cliente, fica contudo semi-satisfeito, semi-agoniado, mas logo a indefinição logrou lançá-lo nos braços da informação sensa(ul)cionalista, devidamente intercalada, o meio para fazer a catarse do terror (político, social, económico, etc...) que para além de se tornar enfadonho, tende a deprimir o consumidor, a estratégia é saber dosear prazer e dor de tal maneira, e manter o nível de ansiedade e suspense informativo, uma forma de dosear o medo a esperança, causa-se desregulação e depois administram-se os placebos que melhor condicionem a razão e a vontade, ou seja, o discernimento e a resistência moral, matam-se dois coelhos de uma cajadada, aumenta-se o indíce de resignação activa e simultaneamente aumentam as formas de indignação passiva, um meio eficaz de gerir a catadupa de emoções e sentimentos contraditórios que consomem o cidadão, na saga informativa quotidiana.
Eu seria capaz de afirmar que o ser humano sente (por vezes de modo muito ténue e/ou desconexo) necessidade de viver em harmonia com o meio que o rodeia, no entanto a agitação superficial, dispersa-o, acaba por adoptar hábitos mórbidos, que resultam de reacções em cadeia que não controla, mas da quais fica prisioneiro, portanto, não me espanta, que ocorram peregrinações jornalísticas e plebeias ao local do crime, transformado em local de culto, exacerbação de sentimentos e exploração de emoções; como não me espantou assistir a uma nação unida por vínculos pratrioteiros (a entrar manifestamente em território de morbidez declarada) supostamente «normais», ou assim considerados pela maioria da população, a que não foi alheio o «empenho» da comunicação social e dos altos dignatários da nação, que aproveitando a ocasião, incendiaram o fervor nacionalista, a lógica cultural é a mesma, o produto final idêntico, a realidade (real ou ficcionada) fornece os ingredientes, e se não os fornece há quem esteja alerta para os arranjar; espalha-se a intriga, instala-se a polémica, e o público tem sensação de participar, de ter protagonismo, de ser estrela e vítima de intoxicação cultural crónica.
O ser humano é eminentemente, soldado cultural; quando ameaçado e/ou encurralado, empunha as armas culturais (mais ou menos eficazes, modernas ou obsoletas...) que lhe couberam em partilha, e apresenta-se na praça pública determinado a ingressar nas «cruzadas» contra os ímpios, os perversos... e de caminho, no auge da contenda, aproveita para dar caça a quantos bodes expiatórios a sede de justiça justificar perseguir e aniquilar, continua a recorrer às armas culturais que possui, ou que imagina possuir, segue o turbilhão emocional instintivo... igualmente contaminado por vários agentes infecciosos culturais, produtos de síntese «extraviados» dos centros de investigação da indústria cultural, alojam-se no subconsciente do indivíduo, e tecem a trama cultural que serve de base de dados, a partir da qual o soldado cultural faz a leitura objectiva dos «factos» reais, o desvio subjectivo é tanto maior, quanto a «qualidade» cultural (o substracto cultural), que serve de observatório existencial, dependente do funcionamento do telescópio unipessoal, agora resta perceber o quão defeituoso é o espelho (ou lente), com que o observador individual devassa o universo mais ou menos real que o rodeia; a míopia cultural não ajuda em nada a interpretar com rigor os fenómenos vertiginosos que consomem a energia anímica que poderia ser um precioso auxiliar individual, uma ajuda efectiva na descodificação do fenómeno cultural, ou será, que não é oreciso discernir o trigo do joio? a estrutura moral do observatório unipessoal, foi tão mal concebida que causa profundos distúrbios funcionais, e de anomalia em anomalia, o observador afunda-se no universo mórbido desenvolvido a partir da escalada da sua própria míopia.
A complexidade do assunto (de qualquer assunto), não pode ser analisada com leviandade, e como tenho a veleidade de acreditar que a natureza humana pode ser «moldada» para o «bem», tenho igualmente a humildade de reconhecer as limitações (as minhas, em particular) humanas, uma máquina cultural complexa, que tem que lidar com a contingência de ter que criar as ferramentas culturais para desmontar, arranjar, reciclar ou incinerar, as contradições, inibições e anomalias culturais, sem perder o ânimo de viver e o fascínio de discernir o trigo do joio, sempre pronto a fazer as correcções necessárias e apontar o telescópio a novos lugares e novas interpretações, sem perder de vista a unidade da vida e as humanas vacilações, nem as estrelas são eternas!
A Arte em si mesma, não tem que ser moral ou imoral; o artista não tem que agradar ou desagradar, mas seguir a necessidade intíma de criar e ser, a arte está entrelaçada na vida, o artista pode escolher libertar-se dos espartilhos culturais que oprimem a necessidade de criar, não pode negar a beleza intrínseca da verdade, nem a unidade essencial da vida, sem correr o risco de dar à «luz» obscuridade, ou se preferirem esterilidade; um bolo «aparatoso» confeccionado com os «frutos» da época, para saciar multidões, ou melhor para entreter multidões e deixá-las na corda (bamba) da arte, recheada de morte prematura e preventiva, da liberdade de criar, inspirar e comunicar.
A desintegração funcional da identidade estruturante de ser, certamente colonizará o mundo com produtos artísticos a tresandar a mentira. A arte nasce da osmose que a pele do artista estabelece com a vida, o artista só é artista, por ser vida; vida que é seiva criativa, a correr-lhe na complexa rede de canais criativos por onde circulam os fluídos vitais da imaginação; O artista é o artesão da vida; o falso artista, conforma-se em ser falsário da vida, e ser bem sucedido (vender bem) o que acontece com demasiada frequência. A sociedade (como representação fictícia do conjunto da vontade colectiva dos cidadãos que a constituem) caiu na tentação de parecer o que não é, criando as condições ideais para gerar veneno, capaz de aniquilar a vitalidade criativa por mil gerações...
O artista, não é um deus, é um ser humano, e por vezes, tal como acontece com muitas outras profissões, arte e artista, são negócio e profissão, especialmente numa época que idolatra a mediocridade, e lhe garante o sucesso, muito antes da procissão chegar aos escaparates das lojas de conveniência... em conveniência, vai o público, que é povo, fazendo cedências, após cedências, porque o gosto não se discute a arte também não, compra-se! O artista não é um ser amoral, pode é ser um asno, adorado por asnos, até que um dia possa acontecer o «milagre», que leve o mercado saturado de tanta asneira, a não conseguir diluir nem mais um cristal de tão asquerosa normalidade, em que os «artistas» do tédio e da iniquidade produzem «arte» como ração para alimentar animais nas explorações intensiva.
O sistema tem feito o favor de empurrar para a luz da ribalta o género de artista, que representa o estereótipo místico do ícone cultural, a genialidade desses artistas expressa-se de forma inequívoca nos serviços que prestam às autoriades, são autênticos fenómenos de catarse social, funcionam como estabilizadores da ordem social, na qual o artista é protagonista.
Confundir exuberância, extravagância, exotismo, etc... com expressão artística é um equívoco grave, que promove a marginalização dos artistas que seguem uma linha criativa simples e discreta, mais interessados em criar arte que ilumine e inspire a força criativa do outro, este é o sentido da arte, uma tentativa consciente de ligar em cadeia a sensibilidade humana, e atenuar os efeitos perversos dos falsos valores que dividem, classificam, excluem, etc... indivíduos e povos, para que os artistas possam continuar a apresentar espectáculos megalómanos nos palcos políticos, culturais, artísticos, religiosos, etc... Todo o ser humano que se esforça por desmitificar os protagonismos supersticiosos, já possui alma de artista...
A arte e os «artistas» foram (apanhados na malhas do lucro) arrebatados pelo fenómeno de consumo e usados para divulgar propaganda, o «artista» pode nem se aperceber que o estão a usar, mas mesmo quando se apercebe, a fama, e o eventual proveito, dissuadem-no de botar a boca no trombone; quando o talento parte e a arte se transforma em pó, o «artista» resigna-se...
A questão da educação não se esgota em meia dúzia de postas mal amanhadas. A questão da educação não se esgota nas influências (boas e más) que se recebem no seio familiar, e os casos particulares de sucesso ou insucesso (vistos pela óptica dos responsáveis pela educação de alguém, que podem ser os pais, ou não), podem ser motivo de regozigo pelo trabalho desenvolvido, mas quando se trata de ter uma visão mais universal das complexas influências a que uma criança está sujeita, então, sem abandonarmos as referências pessoais, temos que analisar o fenómeno educativo com ferramnetas que nos ajudem a compreender camada por camada, uma vez que o que está à superfície, nem sempre, contribui para o esclarecimento cabal do fenómeno que se pretende compreender.
Como, a mim me parece que a educação é um fenómeno pessoal, intímo, uma aventura, ou viagem em que o indivíduo parte em à descoberta do mundo e dos outros, mas o sucesso dessa viagem, só ocorre quando, entra dentro de si mesmo e se deixa fascinar pela descoberta da vida que fervilha dentro de si mesmo, a tranquilidade não está na paisagem, mas no âmago do sujeito, e quando assim não acontece, o ser humano, simplesmente não tem paz, mesmo quando as condições ambientais, culturais, sociais, etc... lhe sejam completamente favoráveis.
A educação é um processo de evolução individual que deve acontecer em espiral, ainda que existe um eixo central (uma matriz) em torno do qual a sua identidade se vai formar, muitas vezes sem que o mesmo tenha uma percepção clara de como ocorre o processo, porque quem educa, oculta e distorce, não com má intenção mas porque deseja proteger, mas proteger, não pode significar o mesmo que ocultar, aliás, ocultar é vulnerabilizar!
A educação pressupõe intervenção (in)directa do sistema na aquisição de conhecimentos que vão fornecer a base de dados, a partir da qual o indíviduo vai formando a personalidade, mas mais que isso, o que acontece realmente na intimidade individual, como é afinal, digerida, classificada e memorizada a informação, e a experiência individual, que laços de confiança estabelece o indivíduo com o mundo que o rodeia, os fundamentos para a formação do espírito são num corpo são. passam pela criação de uma rede através da qual flui a força criativa e comunicativa do indíviduo, sem as barreiras causadas pela humilhação a que frequentemente o indivíduo está sujeito.
A fragmentação do conhecimento, deu origem à especialização científica, como forma de permitir à ciência pesquizar o fascinante fenómeno que é a vida, em «lugares» cada vez mais recônditos e inóspitos, mas esse não pode ser mais que o método de estudo, um recurso aplicado a áreas específicas do conhecimento, que se revela muito importante, mas que não pode ser extrapolado como método universal de educação. Educar significa ligar, dar sentido, formar uma unidade, entre o universo intimo e o universo exterior, se a sociedade perde de vista este princípio, tudo deixa de fazer sentido, qualquer coisa é igual a qualquer coisa, desde que sobre para nós uma fatia, que satisfaça a sede de posse, deixamos de receber o eco dos nossos actos, por mais devastadores que sejam.
Muitas pessoas continuam a acreditar que, educar um filho com sucesso, é conduzir o filho até à vida adulta e arrumá-lo; o objectivo prioritário da educação é garantir a prosperidade económica, este é o objectivo oculto, ou explícito da maioria dos pais; a realização pessoal e profissional, assim como a estabilidade familiar (saber que estão bem casados, em linguagem popular, amparados!) e a felcidade conjugal, estão sempre em segundo plano, apesar das pessoas manifestarem o contrário. O cidadão comum, apesar das dificuldades conjunturais consegue inserir-se com sucesso na sociedade e constituir família, e desempenhar razoavelmente os «deveres» familiares, mas o sucesso individual, que nos leva pensar que afinal até fizemos um bom trabalho, significa que os nossos filhos tiveram realmente uma «boa educação»? Tenho muitas dúvidas; e em muitas áreas diferentes, que atenção demos ao desenvolvimento das capacidades criativas dos nossos filhos? que lhes ensinamos acerca do meio ambiente? alguma vez nos pareceu razoável, falar-lhes da importância de descobrirem a identidade e despertarem a consciência, ou lhes falamos da vida, como um caminho de desenvolvimento espiritual, como descoberta da unidade, e que a verdade é a única fonte de beleza imutável, que pode dar sentido à vida, e que lhes comunicamos a propósito da não-violência?... fomos negligentes, a maioria das vezes por desconhecimento, algumas para não acordarmos demónios, encurralados na ambígua e pouco saudável atitude de querer «sol na eira e chuva no nabal», as injustiças sociais que nos arrepiam os cabelos, não nos impedem de tirar proveito das mesmas, desde que sejam favoráveis à futura insercção social e profissional dos nossos filhos, ou seja, desde que a prosperidade económica bata à porta dos nossos filhos, os valores são metidos na gaveta, as excepções porventura, reforçarão a regra! A forma como educamos os nossos filhos está pejada de exemplos semelhantes, e que atire a primeira pedra, quem nunca pecou!, O problema contudo, não está em pecar, mas no facto de ser normal, proceder assim, defendemos a transparência no quintal alheio, estamos perante uma questão moral, aliás, a educação é o cerne da questão moral que envolve todos os intervenientes, agora reparem como, o amor que devotamos aos nossos filhos não pode ser mais importante que a verdade, a verdade que em consciência sabemos estar a trair, o que está em causa é a forma subliminar como mentimos aos nossos filhos a propósito dos factos da vida, com o intuito de os proteger, ou de lhes dar vantagens competitivas num mercado bastecido de mentiras culturais, que impedem a frutificação moral e espiritual do indivíduo, mencionar a palavra comunicação num contexto destes é exaurir a vida de sentido profundo, é confundir as escórias culturais com que nos entretemos, satisfeitos da nossa soberba intelectual e criativa, com a unidade essencial da vida!
Algures numa curva do caminho, cansado e desavindo, com a vida em desalinho, um aldeão anónimo, sentou-se na berma da estrada, náufrago desesperado arrastado pelas correntes adversas da vida até ao areal da praia deserta, adormeceu profundamente, mas esse não era um sono qualquer, o poder da divina criação estava prestes a visitá-lo, era seu destino conceber o projecto megalómano, e dar à luz, uma nova demonstração do poder divino: a civilização!
Dormiu dias, talvez séculos, ideias destas não se concebem num piscar de olhos, uma bela madrugada, veio a si, esfregou os olhos de espanto e o corpo dorido, tinha adquirido a imobilidade da pedra, a primeira a ser lançada à terra, semente divina da qual iria germinar a civilização! Ideias claras e fortes convicções, recordava-se de ter confraternizado com importantes anfitriões, ao que parece, comentava com os seus botões, tinha-lhe sido confiada a missão de governar a terra, fundar a civilização humana e glorificar os dogmas da criação, por fim, a muito custo, lá conseguiu levantar-se, e caminhar...
Regressou à aldeia, visivelmente perturbado, o que não é para admirar, a magnitude das visões só por um triz não o tinha enoluquecido, a providência divina não iria permitir que tal desgraça impedi-se o curso dos acontecimentos a alvorada da civilização estava em crescimento nas entranhas de um simples herói anónimo, que podia ser considerado o arquicteto terreno do projecto megalómano em curso.
Durante dias tentou refrear a euforia que obrigava a mente a rodopiar como um pião lançado pelo sorriso ingénuo de uma criança, mas comportava-se estranhamente e os amigos desconfiados, tentavam em vão compreender o que se passava, contudo a resposta tardava em surgir. O herói anónimo estava convencido que o destino lhe pregara uma partida de mau gosto, mas como a cada dia que passava, a ideia se tornava mais avassaladora, chegou à conclusão que teria de escolher cúmplices no seio familiar e entre o grupo de amigos, porque inevitavelmente estava condenado ir em frente com a obra de transformação do mundo, e que obra! Era fundamental conseguir formar um grupo coeso, que isto de contar com ajuda divina, nem sempre é de fiar, porventura isso deve-se à mania que o criador tem de escrever direito por linhas tortas, será que nós, os seus filhos, legítimos, e bastardos, não fazemos o mesmo?!
Uma das tarefas mais árduas que o nosso herói anónimo teve que resolver, deve ter sido a complexa arquitectura da hierarquia do poder, da formação de classes, e por aí fora... as noites em claro, a debater com os conselheiros os pormenores, a calafetar as fissuras morais, a eliminar as manchas de sangue inocente... o nosso herói anónimo, sabia que não podia falhar, e se recorre-se exclusivamente a métodos violentos (é imprescindível saber dosear a coisa!), as lendas e os mitos são mais eficazes, digamos que são as feromonas que ajudam a manter a coesão do grupo. Todas as medidas seguidas devem ter por função principal perpetuar o modelo de civilização em expansão, de maneira que deve ser desenvolvido um emarenhado (amalgâma de interesses) de códigos, leis, regras, mitos, lendas, tradições, etc... que funcionará como uma selva impenetrável povoada por demónios (aberrações culturais desenvolvidas com o fito de serem garantes da ordem) terríveis, a maioria não vai arriscar penetrar numa realidade, que representa o medo; mas há sempre os loucos, que se atrevem a penetrar nos reinos povoados por demónios (de ignorância multifacetada),como se necessitassem de confirmar a sua autenticidade, sem temer pela vida, dirigem-se à ignorância, a energia mais plástica que existe, a força que qualquer amo, em qualquer época, pretende servir-se do manancial de oportunidades geradas pela incrível mutabilidade dessa força omnipresente (tenho para mim e sem desejar molestar a susceptibidade de quem quer que seja, que essa força, tem sido ao longo dos tempos confudida com o próprio Craidor, ou seja Deus todo poderoso; a Ignorância, deveria ser olhada como a Omnipotente irmã gêmea do Criador!)
Continuo ainda a navegar nas águas turvas e fétidas da educação, e como já devem ter reparado, a educação para mim começa no momento em que o recém nascido começa a estabelecer laços de dependência com o mundo exterior, e os seus orgãos sensoriais começam a captar sinais exteriores e a enviá-los para as mais diversas zonas do cérebro, onde serão memorizados, o timbre da voz e o cheiro da mãe, a experiência táctil do prazer e da dor fornecem os primeiros elementos do processo de aprendizagem da vida, mas também da logna e penosa jornada de subjugação, que tão maus resultados pode causar, ou pelo menos funcionar como potencial catalizador.
Milhões de sinapses estão a acontecer dentro do meu cérebro, de maneira a formar um sistema de redes neuronais, do qual surgirão associações de ideias, valores, emoções, etc... não consigo determinar até que ponto interfiro nesse processo de forma consciente, no entanto acredito que estou a interferir activamente no processo dinâmico que é a educação, que deveria passar a designar-se por auto-educação a partir do momento em que o indivíduo atinge um certo nível de discernimento intelectual, moral e espiritual, o que é igualmente valido, no que concerne à maturidade emocional e afectiva.
Todos os detalhes são importantes na educação do indivíduo, a formação da galáxia cultural que nos constitui, terá o aspecto final que as diferentes forças envolvidas ao longo do processo de formação, é possívem avaliar pelos desvios apresentados pela galáxia, a má correlação de forças durante o período de formação, quais os aspectos que foram descurados, o excesso de exposição a determinado tipo de radiações nocivas, etc...
O indivíduo cresce dentro de uma cerca de liberdade condicionada, dentro dessa cerca, formam-se grupos, ou adere-se a grupos já existentes, os motivos porque o indivíduo adere a esses grupos, devem-se mais aos antecedentes de ordem famililar e de classe, ou eventualmente, por estarem na moda, do que por representarem uma escolha reflectida, ou uma opção cosnciente; os mitos culturais, raciais, religiosos segregacionaistas, e elitistas vão estar na base do progressivo e nefasto culto da indiferênça para com tudo e todos os que não partilharem as mesmas ideias, e defenderem os mesmos interesses, sem que os elementos destas «seitas» sintam o minímo de desejo de compreender os mitos a que aderiram, empurrados por influências que aceitam sem compreender, as instituições públicas e privadas arrastam os indivíduos seguindo esquemas de manipulação emocional, fragmentam a realidade, escondem a verdade factual, e intoxicam os indivíduos de forma a dividi-los e subdividi-los em grupos fechados, os quais aderem à tradição ocultista, como forma de preservar valores e segredos fundamentais à continuidade do grupo.
A hierarquia aceita-se como algo de inevitável, o princípio da inevitabilidade é o princípio da servidão voluntária, o que está em causa, é a atitude mental errada, o indivíduo ao ser sujeito a um conjunto de influências que não controla, mas que estão intrinsecamente ligadas ao desenvolvimento da sua personalidade, está a ser condicionado de forma indelével, e até criminosa, sempre que os princípios orientadores defendem interesses que não os do desenvolvimento consciente da identidade, mas sim, da inevitabilidade de servir os interesses da cúpula que manda no mundo, a qual define o modelo hierárquico conveniente à perpetuação do poder hegemónico da classe dominante.
O tema em debate no «Causas Comuns» de hoje:"Consumo Excessivo de Alcoól" RTP 2 (18.30/19.30), um dos poucos programas de televisão que merece ser acompanhado com assiduidade (isto sou eu a pensar com os meus botões!).
Ainda o despertar bioquímico da puberdade não provocou alterações morfológicas datectáveis no corpo em transformação do adolescente, e já este deseja experimentar o fruto proibido, mas porque será importante imitar o comportamento irreverente dos mais velhos? Trata-se de um ritual de iniciação (passgem) para uma nova etapa da vida, e como é desconfortável "não ser carne nem ser peixe" adopta comportamentos que acelerem o processo de insercção em grupos constutuídos por jovens mais velhos, procura adiantar (enganar) o relógio biológico de maneira a ser aceite como membro de pleno direito do clube dos «heróis» que o adolescente imberbe, ou a adolescente desajeitada idolatram pelos «feitos» irreverentes consumados com sucesso, os episódios de embriaguez descomunal, não raramente são contados como «aventuras» repletas de peripécias hilariantes, que servem de agente catalizador aos «heróis» em formação.
«Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses», era assim no passado, será diferente no presente? A tradição e a cultura popular sofreram alterações profundas, mas consumir bebidas alcoólicas continua a dar de comer a muita gente, e não serão poucas as situações, em que o única meio de sobrevivência para muitas famílias de pequenos agricultores, assalariados agrícolas, trabalhadores de cooperativas, adegas, indústria cervejeira, etc... esteja dependente do consumo de bebidas alcoólicas, e/ou derivados... a questão económica, a questão social, a questão social e já agora a questão moral, raramente (desta vez estou a ser francamente optimista) se sentam à mesma mesa, quanto mais chegar ao ponto de estabelecer uma estratégia que defenda os direitos do cidadão em geral e mais especificamente do adolescente em particular, o qual atravessa uma fase da existência complexa e perturbadora. Pretende afirmar-se como indivíduo, e é soterrado por dúvidas descomunais, as transformação bioquímica, aumentam a vulnerabilidade psico-emocional, situação que leva o adolescente a adoptar comportamentos de risco, para chamar a atenção e confrontar a ordem estabelecida, que na sua perspectiva, raramente lhe é favorável, e ainda o jovem não percebeu o quanto de si mesmo está já contaminado pela obediência cega às formas neo-esclavagistas de dominação das massas, das quais se pode destacar a servidão precocemente desenvolvida pela adopção de hábitos de consumo e comportamento que em nada contribuem para o desenvolvimento da consciência de identidade, a ferramenta esencial para interpretar a realidade cultural, para que o indivíduo possa desenvolver mecanismos de separação do trigo do joio, para vir a ser um cidadão de pleno direito, o que significa ser alguém capaz de exprimir-se em liberdade e em consciência.
A sociedade de consumo é dominada por poderosos grupos económicos, donos dos mecanismos de produção e distribuição, e adicionalmente ainda tem meios para mudar mentalidades, influenciar o gosto dos cidadãos e impor hábitos de consumo que beneficiem os seus negócios, de maneira a dominarem o mercado, dominar o mercado, e já agora, influenciar a escolha do cidadão dito livre, mas nem sequer estamos a falar de adultos, mas de adolescentes em idade para beber refrêsco de salsaparrilha.
As empresas servem-se além do mais de publicidade enganosa, claramente manipuladora das camadas mais jovens, formando uma teia com êngodo estrategicamente espalhado, de maneira atrair até as «vítimas» mas desconfiadas. Os grupos económicos não poupam esforços, nem recursos ((in)directamente pagos pelo consumidor) para «convencer» o adolescente dos poderes mágicos das bebidas alcoólicas, não prestamos a devida atenção ao poder predador da publicidade, à persuasão por contágio, de aterradora sofisticação; os recursos para desenvolver antídotos fiáveis são insipientes, ou mesmo inexistentes, pode afirmar-se que o cidadão em geral e o adolescente em particular está(mos) entegue(s) à bicharada, num momento crucial do desenvolvimento da personalidade e identidade como ser humano e como cidadão. Os pais preocupam-se, dão conselhos, fazem o que podem, e o que sabem, as limitações são inúmeras, e a propaganda consumista não conhece limites, os que a lei impõe:«Seja responsável, beba moderadamente», é suposto este genéro de advertência ser a forma adequada de refregar o consumo de bebidas alcoólicas? Claro que não é! Pode resultar num adulto, mas num adolescente, duvido, provavelmente o jovem escarnecerá de semelhante advertência, será que o legislador não teve isso em conta, ou não tem filhos adolescentes, ou talvez não considere o consumo excessivo de alcoól um potencial problema de saúde pública? A pedagogia legislativa pretende ser uma medida auxiliar de prevenção, ou será, ou poderá considerar-se um poderoso aliado do aumento do consumo? O jovem gosta de desafiar as normas instituídas, mas não haje de livre e espontânea vontade, é demasiado ingénuo para se aperceber disso, e ainda mais, para o aceitar... morde o isco... do prazer imediato ao sabor de circusntâncias que não controla, mas que podem determinar o seu percurso de vida, com consequências que ele não está em condições de avaliar.
Em que momento preciso do percurso individual, pode o hábito de beber em excesso, classificar-se como mais um caso de alcoolismo? Como pode um jovem de quinze ou desasseis anos compreender os riscos reais de beber em excesso, ainda que só o faça aos fins de semana?
Se porventura, as campanhas publicitárias fossem restringidas, ou mesmo proibidas, por motivos de saúde pública, os lobbies que produzem e comercializam bebidas alcoólicas vinham logo a terreiro ameaçar com despedimentos, os argumentos são plausíveis, redução do consumo, contracção na produção, e se a produção baixa... os trabalhadores excedentários em breve ingressarão na priveligiada classe dos que recebem ordenado sem trabalhar! Numa sociedade de consumo, parece existir o direito de incentivar ao consumo, à dependência, a depauperação dos recursos do estado, os interesses privados que fomentam e lucram com o incentivo ao consumo imderado, seja de que tipo de produto for, nunca são responsáveis pelas consequências, porque supostamente os cidadãos escolhem em «liberdade» o que desejam consumir?! De facto, são escolhidos e começam a sê-lo cada vez mais prematuramente. Continuemos pois a beber, novos e velhos, para dar trabalho à nação, e colonizar a imaginação com os tradicionais elefantes cor de rosa!
Educar é estimular a criação e desenvolvimento de uma rede interna de informação, qoe contribua de maneira efectiva para o desenvolvimento dinâmico da identidade individual.
Educar é ajudar a compreender as emoções e os sentimentos... é lançar à terra as sementes do amor e da liberdade se ser e comunicar... é regar o pé da árvore da consciência humana em crescimento, para que os ramos se desenvolvam viçosos e saudáveis, até formarem uma copa frondosa de afectos... educar é criar uma rede de afectos... educar é exercitar a percepção da realidade natural... educar é sair à rua, e sentir o latejar estagnado nas têmporas de pessoas reais, arrumadas por secções, em prateleiras de arquivos poeirentos... almas que habitam monólogos, de vaidade e orgulho, de presunção e arrogância...
Servir começa por ser esboço de educação, mas rapidamente evolui para força de intervenção, exploração e colonização do universo mental «virgem», exércitos de valores e normas contraditórias invandem a única propriedade privada que devia ser considerada inalienável, a mente humana... instruções destroem e desalojam outras instruções, no frenesim de ocupação em que todos querem ocupar a melhor terra disponível, a mais produtiva e os locais estratégicos são os mais apetecidos.... como são bárbaras as campanhas de ocupação do universo virgem, onde se encontra em formação a identidade de um ser único, que merecia ser tratado com outro carinho e atenção, única forma de desenvolver a liberdade de criar, comunicar e ser...
O mau carácter pode ser de origem congénita, mas não podemos ignorar a quantidade de malformações de carácter que se desenvolvem em consequência das más experiências, resquícios e cicatrizes permanentes, feridas mal saradas das batalhas da educação, em que a condição humana tem saído, sempre a perder, porque a guerra da deseducação continua ser a maneira mais fácil de reproduzir réplicas satisfatórias de servos leais a um sistema, as peças descartáveis que ainda por cima tem o desplante de adoecer, de parir, de ter flutuações de humor, felizmente em breve, poderão ser substituídos por clones desenvolvidos a partir escravo ideal, ainda compeltamente «humano», mas com muito menos defeitos de fabrico, que os actuais servos ao serviço... o futuro aproxima-se do presente, com garras afiadas, por enquanto, o presente recusa-se a creditar no que vê, sente e sofre...
A delicada trama interna em formação, da qual depende o desenvolvimento da identidade individual e a descoberta consciente da Vida, não merece da parte do ser humano a mesma atenção, nem é fonte de preocupação constante, como a higiene corporal, e a imagem exterior que pretendemos «vender» ao mundo, falsa ou verdadeira, pouco importa, desde que impressione....
A higiene mental é manifestamente negligenciada; os pais desejam que os filhos sejam inteligentes, mas não uma inteligência qualquer! a inteligência conveniente nos dias que correm deve ser pragmática, oportunista, em suma, competitiva... mas a inteligência é uma faca de dois gumes, um instrumento complexo, cujo desenvolvimento pode ser manipulado, distorcido, com consequências traumáticas que podem redundar numa existência infeliz, quando o indivíduo se deixa conduzir para dentro de um labirinto, no qual perderá a identidade, o que vulgarmente se reconhece por vender a alma ao diabo.
Os professores queixam-se do desinteresse que um número crescente de alunos manifesta pelo estudo. Muitas pessoas acreditam que devido ao facto dos jovens, no seu dia a dia escolar darem de caras com as portas do futuro encerradas, e reconhecerem que as habilitações académicas nada mais garantem que um lugar nas fileiras do desemprego, é razão mais que plausível para desmotivar até o mais empenhado dos jovens estudantes.
Múltiplos factores, funcionam como propulsores da desmotivação estudantil, entre os quais se destaca a poderosa indústria do entertenimento, que impõe padrões de comportamento e hábitos de consumo de bens pseudo-culturais, que funcionam como parasitas oportunistas, ou como drogas viciantes num grupo etário influenciável; estas influências levam a melhor, sempre que entram em choque com a necessidade de «marrar», o jovem não sente vontade alguma de empinar matérias que estão longe de contribuir para a sua felicidade imediata; sente-se duplamente enganado, nem futuro, nem prazer!
O cadinho cultural, no qual o jovem bebe as influências que paulatinamente o transformam em escravo dos sentidos, na prática confirma-se na evidente e crescente intolerância às actividades que não proporcionem prazer, e/ou protagonismo imediatos; como as actividades curriculares requerem presença de espírito, os jovens que não apreciam o valor do conhecimento, nem a dimensão criativa do mesmo, não sentem qualquer apetência por aprender matérias chatas vagamente ligadas à realidade cultural que habitam, por via dos objectos de culto (telemóveis, jogos de computador, e novidades afins...), produzidos por empresas que visam transformar o universo das teconologias da informação no derradeiro bastião da indústria do entertenimento.
A maioria dos pais não tem meios financeiros, nem recursos culturais de maneira a criarem um ambiente doméstico propício ao desenvolvimento de anticorpos culturais, uma das formas de prevenir o empedernimento cultural, este antídoto caseiro poderia inibir o processo de intoxicação sensorial, antes que o jovem apresenta-se sinais de patologia crónica, muito mais difícil de erradicar.
Os modelos pedagógicos e os métodos didácticos não conseguem estimular o interesses e aguçar a curiosidade, criando apetência pelo conhecimento numa grande fatia das camadas jovens que frequentam as escolas, e se este problema tem contornos quase surreais em Portugal, quanto a mim é um problema à escala global, uma vez que as fontes de alienação neste momento, são em termos de escala, globais.são muito mais estimulantes, a identidade deste jovem está em formação, mas que raio de exemplos recebe da comunidade, como vai ele descartar-se das influências consumistas, de que forma pode ser cativado pelo saber, sentir o apelo do conhecimento, compreender a importância que o seu desenvolvimento como ser humano depende da empatia que consiga estabelecer com o conhecimento em geral, ou alguma área em particular, que tipo de conceitos absorve, que escala de valores segue, que tipo de inquietude existencial desenvolve, em torno de que universo estético gravita, quais os gostos musicais que adquire, as questões abundam, as dúvidas igualmente, a ratoeira está montada, alguém a montou, e mais, a alguém interessa que o jovem, muitos jovens, e muitas famílias andem à deriva, no entanto, o que parece ser consequência das circunstâncias é, pelo menos assim me parece, circunstância das consequências, supostamente as causas são orfãs, e caso não o sejam, certamente foram abandonadas pelos seus progenitores, que recusaram assumir a responsabilidade da mesma forma como se recusam a aceitar a paternidade das causas, e como não há forma de obrigar os demagogos neoliberais a testar o seu envolvimento no desinteresse crescente dos jovens pelo conhecimento, e até dos professores pelo ensino, como se ambas as partes tivessem chagado a um acordo tácito, de reconhecimento do mútuo fracasso, da impotência perante um inimigo poderoso, a omnipotente indústria do entertenimento, formada por uma teia implacável, capaz de inibir os focos de resistência criativa, que se manifestam de forma aleatória.
O conceito de espírito tem sido mal interpretado, por uns; e abusado de modo oportunista por outros. Cada ser humano, tem direito a enfiar o barrete «espiritual» que melhor lhe assenta, de maneira a tornar a existência mais confortável (entenda-se menos penosa, quando o reino da fantasia, se confunde com o da sabujice, pedir mais, seria absurdo!); mas será que cada um de nós reflecte sobre o sentido espiritual da vida, em linha directa e aberta, ou preferimos recorrer aos vendedores de banha da cobra «espiritual»?
Não me parece que seja necessário penetrar nos labirínticos corredores da metafísica, nem das «ciências» esotéricas, e/ou teosóficas para abrirmos uma janela no espírito, e arejá-lo (o nosso, claro!); a concepção que tenho do meu próprio espírito sofreu mutações à medida que a consciência crítica se tornou mais acutilante, e o discernimento ganhou mais autoconfiança.
Como acontece à maioria das pessoas (julgo eu?!), eu também fui levado acreditar que existem criaturas «iluminadas» que vagueiam pelo mundo por compaixão pelos seus «semelhantes», semelhantes na forma, mas não no conteúdo, esses seres, seriam pois então enviados espirituais (entenda-se especiais) das forças divinas que governam a pobre humanidade lá do seu pedestal igualmente espiritual. A cada um de nós cabe o papel submisso de saborear o mel, que escorre da colmeia espiritual, que foi enviada para nos ajudar a libertar dos grilhões das perversões humanas; a esmola «espiritual» é então atribuída, depois de assinado o pacto de subserviência ao espírito longuínquo que governa por procuração a existência individual de cada um de nós. O espírito após umas décadas de vida estará mais culto, ou mais ignorante, quer dizer, mais afastado de si próprio?!
A questão permanece em aberto, o espírito é que continua enclausurado, mas em que masmorra, em que inferno, em que ermo desgarrado....? A inquietude espiritual é talvez a variante mais estável, que habita o âmago de cada ser humano... a névoa dissipa-se lentamente, é certo, e o espírito revela-se! A consciência, que só é consciência, quando é consciência de ser, removeu as escórias, e desfez o «enigma», o espírito afinal tinha «rosto», e era identidade, identidade de ser consciente, que é consciente de ser, o «mistério» estava desvendado, o espírito estava pronto para ser interpretado...
Não é maravilhoso reconhcermos que somos uma identidade, que a nossa personalidade não é mais que uma das faces dessa identidade, que essa identidade evolui adaptando-se às necessidades do espírito, que é consciência, de ser identidade, que é ser.
O espírito, revela-se à medida que a consciência de ser evolui, um processo dialéctico e simbiótico, que nos leva a compreender a nossa identidade e simultaneamente a «provocar» mutações na mesma, isto porque o esforço de compreensão da verdade, nos leva a mergulhar na vida, ora a vida, tanto quanto podemos enxergar é entidade, que se revela à medida que despertamos espiritualmente para a identidade, que é consciência de ser...
Será que alguém dúvida que existe uma elite que puxa as orelhas aos governos da maioria dos países, supostamente soberanos, sempre que esses governos implemantam políticas sociais que beneficiem os cidadãos mais desfavorecidas em detrimento dos interesses privados? O FMI, o Banco Mundial, a OMC, e demais instituições que supostamente foram criadas para dar o empurrão aos países na direcção do progresso, funcionam no terreno como fiscais das medidas políticas tomadas pelos governos, de maneira a certificarem-se que os mesmos seguem as instruções que receberam previamente dos «benfeitores» internacionais, os quais se limitam a fazer cumprir ordens superiores, o objectivo político desta elite é só um, manter uma conjuntura internacional favorável à perpetuação da hegemonia económica e financeira que na prática já exercem sobre a maioria dos países do mundo.
Os países individualmente estão a ser depauperados dos seus recursos financeiros devido à especulação movida por grupos ligados aos interesses da elite que governa o mundo. A abertura dos mercados expõe as economias mais fragéis ao saque internacional; as multinacionais funcionam como abutres económicos; os governos afirmam ter necessidade de investimento estrangeiro, para desenvolver a economia dos seus países, sem esse dinheiro não podem tirar os seus países da estagnação económica, mas o facto é que, na prática, essas organizações sem escrúpulos, que supostamente deviam funcionar como parceiros estratégicos, em colaboração com o FMI e o Banco Mundial, de maneira a trazer progresso às regiões e países onde se instalam, para isso, são beneficiadas com isenções de impostos e subsídios nacionais e internacionais de apoio à montagem das infraestruturas, entre outros benefícios que surjam de acordos conseguidos caso a caso; mas, e os benefícios reais para as populações, que muitas vezes são espoliadas das suas terras e assistem à devastação da economia de subsistência tradicional, sustentável, a pobreza, por si só, não é sinal de miséria; miséria é a perda de dignidade, quase sempre ligada à perda de identidade, cultural e pessoal, a exploração desenfreada, e o veneno da dependência económica infectando a corrente sanguínea social, deixando as pessoas completamente à mercé da predação desenfreada, instalada local, ou regionalmente, mas defendendo interesses globais.
As profundas desigualdades sociais causadas pela globalização do mercado «livre», abrem graves hemorregias no tecido social da maioria das comunidades humanas, disseminadas extensamente nos países em vias de desenvolvimento, e de forma mais localizada nos países ricos, acontece que não foram tomadas medidas para estancar as hemorregias activas e se assiste a cad dia que passa ao aparecimento de outras, mais graves e mais extensas, os governos tenta, ganhar tempo, enganar, fazer promessas que não podem cumprir; os cuidados paliativos estão na moda, infelizmente como acontece em outras áreas, estão em moda no sítio errado, aplicados às pessoas erradas, um esforço vão, uma atitude cobarde que os governos tomam para defender os interesses da elite mundial, porque ao terem cedido às pressões, incorrerem no erro, e não foi por ingenuidade, mas por razões que transcendem a razão, se quizermos penetrar no labirinto das negociatas secretas entre governantes de países «soberanos» e representantes da elite mundial!
A elite mundial, que junta interesses diversos, mas interdependentes, coloca no poder agentes que implementam medidas que sirvam os seus interesses, então e quais serão os interesses dessa elite?
Os interesses da elite mundial passam inevitavelmente pela eternização da hegemonia já consolidada; e tudo farão para o conseguir, também neste caso os meios a usar justificarão os fins a atingir; compaixão por qualquer forma de vida, não fará de certeza parte do vocabulário deste grupo de priveligiados e seus acólitos. Então, que andarão a tramar? Será que é possível imaginar o tipo de projectos em que estarão envolvidos? Ou que género de assuntos serão suficentemente aliciantes para levar os dirigentes desta elite e os seus acólitos a reunirem-se secretamente, para os debater longe das objectivas dos jornalistas?
A verdade e a vida formam uma unidade, quem partir à descoberta de uma será bafejado com a revelação da outra. Então, porque nos encolhemos de medo, quando algo nos faz sentir um forte desejo de transgredir as regras absurdas da servidão voluntária, tememos despertar a consciência para causas perdidas? tememos trocar a plataforma de valores e normas de conveniência pela avenrura num universo utópico, e assim perturbar irreversivelmente a ordem cultural, que serve de bóia de salvação quando no meio da tempestade nos sentimos à deriva! tememos acordar num mundo de pernas para o ar, e quando esse mundo é a nossa própria consciência, só de pensar no assunto entramos em pânico, regressamos à pressa para território seguro.
No entanto, como podemos interpretar os sinais vitais da consciência, como podemos alguma vez compreender que existem caminhos alternativos, experiências que podem revolucionar a forma como escutamos os chamamentos interiores, tememos aprender a linguagem do desapêgo material, e descobrir que é possível experimantar com êxito a fusão da identidade individual na unidade universal, e trazer essa experiência de unidade ao quotidiano, é trocar a linguagem agressiva de quem quer vencer batalhas por uma linguagem que cria redes de comunicação, por ter identificado o caminho da liberdade de expressão, sem a qual não existe comunicação. Esta linguagem é simultaneamente física, intelectual, moral e espiritual, as janelas da alma abrem-se de para em par, e há nossa frente estende-se um prado de vida que cresce dentro de nós, esta nova dimensão da identidade individual é plenamente sentida quando a revolução não-violenta estala dentro do coração humano e os diques onde a amálgama de hábitos de sentir e pensar violentos se encontram represados, começam a ceder, e as fundações morais que os sustinham colapsam.
Então porque é tão difícil introduzir este conceito na cultura predominante, reciclar as mentalidades e tornar a sociadade menos violenta? Porque a não-violência é um comprimisso para a vida inteira; porque a não-violência é um projecto de vida, e não uma moda cultural passageira, ou um tema académico, para ser debatido com mais uma curiosidade intelectual; porque a não-violência é um assunto de rua, quer dizer real, palpável, que pode ser partilhada, e disseminada.
Os princípios de conduta não-violenta colidem com os interesses políticos, económicos, culturais, religiosos, artísticos... instalados, por isso, é que nem sequer nos damos ao trabalho de tentar compreender os fundamentos da resistência não-violenta, e quanto a cair na tentação de educar os nossos filhos segundo estes princípios, nem pensar! E porquê? Não podemos correr o risco de estigmatizar os nossos filhos publicamente, enchendo-lhe a cabeça de ideias bizarras e sonhos irrealizáveis; a nossa preocupação principal passa por apetrechá-los com ferramentas e armas adequadas às lutas que o futuro lhes reserva, terão que lutar por um lugar ao Sol, entretanto, pode acontecer, que quando chegarem a ter oportunidade de contemplar a luz dos sonhos realizados, já o sol das suas vidas se tenha esgotado... Esta atitude demonstra a existência de uma cobardia tácita, que leva o cidadão a acatar e reproduzir as injustiças, a partir da ilusão de estar protegido pelo sistema.
As ciências exactas desdobram-se em investigações complexas de maneira a compreender melhor as leis universais que tornaram possível o aparecimento e desenvolvimento da vida no planeta Terra; qualquer cientista sabe que não pode desistir de prosseguir as suas pesquisas só por não ser bem sucedido um par de vezes seguido; tem que ter confiança em si mesmo, na ideia que supõe válida, até conseguir, após sucessivas tentativas fracassadas, provar que a sua intuição não estava errada, desde que a humanidade procura compreender a vida dinâmica deste planeta que alguém algures procura saber um pouco mais acerca da vida, em suma, procura a verdade, para poder contemplar a vida, para poder compreender-se a si próprio com a menor distorção possível. Claro que o progresso da ciência tem sido abusivamente usado em tecnologias destrutivas, todos nós concordamos com isso, mas a ciência não pode ser julgada pelos crimes que não comete, seria como proibir a venda de facas de cozinha porque com as mesmas se pode cometer crimes de morte. A ciência não pode ludibriar a vida, pode estudá-la, e apesar do «enigma da vida» ser hoje um livro aberto para a ciência, a vida permanecerá insondável, o que significa que não poderá ser completamente destruída, saberá como defender-se da destruição sistemática movida pela espécie humana, saberá preservar a integridade essencial, mesmo que tudo seja reduzido a pó, a vida adaptar-se-á às novas circunstâncias, outras formas de vida, outras espécies poderão aproveitar condições ideais ao seu desenvolvimento, e lentamente, de acordo com as leis universais, a vida ressurgirá, a vida resiste à violência, sempre da mesma maneira, a tentar sarar as feridas deixadas, por vezes dizemos que a natureza se enfurece, ou se vinga, como se as leis da vida reagissem emocionalmente às agressões provocadas pelas actividades humanas, não a vida quando se manifesta, está a tentar recuperar o equilíbrio, a harmonia estrutural e a saúde funcional... a vida não destrói vidas, recupera as condições de equilíbrio ideais, a vida, age através das fenómenos naturais, segundo os princípios humanos da imparcialidade. A ciência ao procurar compreender esses fenómenos, deve agir de forma não-violenta, de maneira a não perturbar a delicada harmonia essencial, de maneira a poder captar a verdade, ou seja, a identidade consciente do fenómeno que é a vida.
O autoritarismo não subjuga completamente o cidadão, confunde-o. O cidadão desenvolve uma relação ambígua com o poder, que oscila entre o temor, que leva à cobardia e a revolta que pode levar a actos subversivos; mas como a educação do cidadão se baseia na adaptação progressiva e comportamentos cobardes, as principais referências culturais presentes na formação do cidadão levam-no a inferir, que quanto mais cedo aprender as regras do jogo,mais depressa poderá tirar proveito dessa aliança com a mentira, e mentira porquê? Porque o que acontece na verdade, é um processo precoce de aniquilamento da consciência, quer isto dizer, que o ser humano é enterrado vivo, antes de ter possibilidade de reconhecer a face do seu rosto humano.
O cidadão comum «respeita» os dissidentes, os que se revoltam contra as injustiças praticadas ao abrigo do estado de direito e da ordem pública, mas só em momentos de crise seria capaz em desespero de causa afrontar o sistema, e mesmo assim, não saberia como lidar com a situação, um vida inteira devotada a corromper os valores da vida, da liberdade de pensamento, a adaptar-se às mentiras, a menosprezar as petições apresentadas pela consciência, as consequências de hábitos tão perversos não se pagam num momento de fúria contra o sistema, seja lá porque motivo for. O cidadão vive dividido, entre essa vontade intíma de socorrer a parte de si mesmo que sente ser a mais importante e que definha todos os dias um pouco mais, e a necessidade de se afirmar numa sociedade cruel e impiedosa, que supostamente protege os audases, que me certa medida se confundem com os mesquinhos (as excepções, porventura confirmarão a regra); neste confronto desigual ganha a cobardia, ou seja, ganha a mentira.
Na relação ambígua amor/ódio com o autoritarismo quotidiano dissipa o cidadão recursos animícos e criativos imprescindíveis à descoberta e desenvolvimento da consciência de identidade, o seu mais precioso bem, em que local místico, «oculto» supõe o ser humano que brotam as límpidas águas da liberdade incondicional de ser e comunicar? Não é de certeza, na confusão labiríntica dos dogmas religiosos, ou da ascendência divina e sagrada dos «conhecimentos» esotéricos, que um punhado de eleitos se encarrega de interpretar e tornar inteligível para consumo das massas.
A humanidade dita civilizada vive da e para a fantasmagoria de sombras e devaneios reflectidos nas paredes das cavernas, na longa e tenebrosa noite que se abateu sobre a humanidade com o advento do «tipo» de civilização escolhido, por expressa e enigmática intervenção divina, como não podia deixar de ser, a civilização não teria ganho consistência sem o apoio de forças supra-humanas, aliás esse tipo de apoio tem sido muito útil, sempre que é necessário juntar as ovelhas tresmalhadas em torno de algum projecto megalómano, concebido pela imaginação mais ou menos contaminada de alguém em tudo igual a cada um de nós, mas que não teria a miníma hipótese de nos convencer a dar-lhe apoio se a empreitada não fosse ela mesma um projecto transcendente, ornamentado de simbologias míticas e mitológicas, que o tornam mais arrebatador e respeitável, até aqui nada de novo, ou seja, a tradição continua a ser o que era, um meio de prevenir catástrofes, quer dizer de as organizar segundo os princípios do autoritarismo vigente desde os primórdios da civilização.
O peso da tradição é evidente, o autoritarismo é sistémico, ou seja, funciona por via endógena, residual, cumulativa, quer o papel seja activo ou passivo, o veneno continua a circular nas veias e a interferir nas sinapses neuronais, inibindo a formação de redes de resistência ao processo de intoxicação constante.
A civilização desenvolveu-se em simbiose com o autoritarismo; várias formas de autoritarismo foram experimentadas, mas todas elas alienaram o direito de opção ao cidadão comum. Mas para que o autoritarismo funcione com o menor atrito possível, um outro processo simbiótico desenvolve-se nos bastidores, para formar uma teia com ramificações capazes de fazer chegar a mensagem a todos os cidadãos, penetrar dentro do maior número de cérebros e normalizar o maior número de opiniões e comportamentos. As civilizações formaram-se a partir da mentira, as elites dominantes esconderam sempre a verdade factual dos súbditos; talvez em certos casos, a mentira não fosse intencional, mas o resultado de um conjunto de circunstâncias em que a ignorância tenha sido o detonador de mentiras assumidas como verdades insofismáveis; acontece contudo, que as elites, ou castas dominantes, forjaram provas para atribuir a si próprias poderes e favores divinos, ou semidivinos, uma espécie de fosso, cheio de veneno retardador das funções cerebrais e cognitivas, uma barreira física e simultaneamente metafísica que cumpria o que estava previsto nas leis eternas, cada um no seu lugar, que mais tarde, no outro mundo, as contas seriam acertadas, para que ninguém fica-se prejudicado.
A educação continua a ser um processo de preparação para aceitar, venerar e até idolatar as várias formas de autoritarismo presentes no quotidiano das pessoas, algo que passa despercebido, algo que as pessoas não comentam, a não ser em círculos restritos, mas que não deixa de existir e no momento presente da história da humanidade, creio que o autoritarismo está na moda. A aparente promiscuidade e permissividade que parece ser a tónica dominante da nossa sociedade, esconde formas de subjugação, que denunciam coacção (in)directa; cada vez é mais comum, a informação ser manipulada, a realidade ser distorcida, fragmentada, apesar de as autoridades oficais, mencionarem o segredo de estado, a ordem e o interesse público como motivo para que alguma informação não seja divulgada, as práricas autoritárias são uma constante, sempre justificadas e até mesmo aplaudidas pelos escravos modernos, apavorados com a crecente desordem internacional, mas que a provoca? Dentro e fora das fronteiras dos países supostamente soberanos, porque cresce a instabilidade social e criminalidade violenta? O que determina a banalização dos comportamentos delinquentes? Será que os jovens são carrascos, ou vítimas, a violência é afinal causa, ou consequência? Quem lucra com a mesma e para onde pretendem encaminhar a sociedade e a civilização?
As questões fundamentais continuam a estar centradas no desrespeito pelos direitos inalienáveis do ser humano e de todas as formas de vida, que não podem continuar a ser manipuladas como objectos; quem são os agitadores? A quem interessa que os cidadãos dissipem tempo, inteligência e criatividade enrolados em actividades esquizofrénicas? Uma das principais provas que denunciam a forte tendência autoritária da sociedade, é revelada pela resignação generalizada, este sintoma deixa transparecer que as campanhas de alienação colectiva funcionam e que o autoritarismo continua saber como enganar os cidadãos, dessensibilizando-os, arrebantando-os para falsas questões de moral, e claro, chantagear emocionalmente as populações, é a cereja em cima do bolo, despertar ódios e desejo de vingânça, os demónios de facto andam à solta, aproveitar a ignorância, continua a ser o mais medonho de todos; as elites continuam a mentir, a sua única intenção é perpetuar o autoritarismo, do qual o modelo de civilização vigente é dependente.
O autoritarismo manifesta-se de muitas maneiras, faz parte das nossa vidas, fomos educados paro o respeitar, e também para o praticar, um dos aspectos perversos do autoritarismo quotidiano, revela a forma mesquinha como envenenamos mutuamente as poucas hipóteses de bem estar partilhado, pelo simples facto de nos estarmos sempre a «vingar» no parceiro. Ao baptismo de mentiras não escapa o cidadão civilizado, esse é o ritual sagrado que lhe permite sobreviver ao funesto ambiente civilizado. A educação é um processo de iniciação à devoção à mentira, o amor pela verdade que seria a única forma de emancipação do cidadão comum, já que a mentira serve sempre os interesses dos poderosos, e claro dos lacaios que os servem.
Within the last decade oe so, certainly since the 1960s, a steady flow of literature has presented a thesis that the United States is ruled by a self-perpetuating and unelected power elite. Even further, most of this books aver that this elite controls, or at least heavily influences, all foreign and domestic policy decisions, and that no idea becomes respectable or is published in the United States without the tacit approval, or perhaps lack of disapproval, of this elitist circle.
Obviously the very flow of anti-establishment literature by itself testifies that the United States cannot be wholly under the thumb of any single group or elite. On the other hand, anti-establishment literature is not fully recognized or reasonably discussed in academic or media circles. More often than not it consists of a limited edition, privately produced, almost hand-to-hand circulated. There are some exceptions, true; but not enough to dispute the observation that anti-establishment critics do not easily enter normal information/distribution channels.
(....)
So let us ask the question again: Is there an unelected power elite behind the U. S. Government?
A substantive and often-cited source of information is Carrol Quigley, Professor of Intenational Relations at Georgetown University, who in 1966 had published a monumental modern histoty entitled Tragedy and Hope. Quigley's book is apart from others in this revisionist vein, by virtue of the fact that it was based on a two-year study of the internal documents of one of the power centers. Quigley traces the history of the power elite:
....the powers of financial capitalism had another far reaching aim, nothing less than to create a world system of financial control in private hands able to dominate the political system of each country and the economy of the world as a whole.
Quigley also demonstrates that the Council on Foreign Relations, the National Planning Association, and other groups are "semi-secret" policy-making bodies under the control of this power elite.
(....) Quigley goes a long way to provide evidence for the existence of the power elite, but does not penetrate the operations of the elite.
Possibly, the papers used by Quigley had been vetted, and did not include documentation on elitist manipulation of suchevents as the Bolshevik Revolution, Hitler's accession to power, and the election of Roosevelt in 1933. More likely, these political manipulations may not be recorded at all in the files of the power groups. They may have been unrecorded actions by a small ad hoc segment of the elite. It is noteworthy that the documents used by this author came from government sources, recording the day-to-day actions of Trotsky, Lenin, Roosevelt, Hitler, J. P. Morgan and the various firms and banks involved.
Wall Street and the rise of Hitler. By Antony C. Sutton
Educar alguém, segundo os cânones «normais» é preparar esse alguém para duas coisas, ser bem sucedido, no que se refere a este itém, ter sucesso, significa conseguir alcnaçar um lugar de destaque na sociedade, à qual deve corresponder a devida acumulação de riqueza pessoal. Mas o itém, que mais estragos faz na formação do carácter e da identidade individual, é sem dúvida alguma, o conjunto de influências dogmáticas que vão moldar o indivíduo, que é literalmente mergulhado num caldeirão, dia após dia, dentro do qual uma mistela, cujos indiscutíveis atributos de veracidade estão dogmaticamente demonstrados pela antiguidade que lhe é atribuida, o intento desse processo, que é sem dúvida a trave mestra do processo da formação do ser humano, passa por formatar a forma de pensar e sentir a realidade de modo peculiar, mais ou menos restrito em termos geográficos, de tal modo que o comportamento dessa pessoa revele, a cultura a que pertence. Tem sido assim desde os primórdios da humanidade, e continua ser assim, nos tempos em que se apregoa a cultura universal, globalizada.
Educar um ser humano é um processo complexo, durante o qual se vão assimilando conceitos, como não existem conceitos inocentes, nem culturas imparciais, o ser desenvolve-se numa trama de «verdade» forjada, a msitificação da realidade, o elogio da tradição cívica, religiosa,etc..., sustentada pela refinação dos costumes, das superstições,, dos preconceitos e dogmas, argamassa, constítuida por ingredientes de falsa consistência, e aparência coerente, é com elas que o projecto de arquitectura cultural vai ser concretizado, as formas e os métodos arcaicos, são absorvidos pelas técnicas modermas, de maneira a dar credibilidade e sustentabilidade a todo o processo, mesmo que em alguns aspectos seja polémico, facto que até nem é prejudicial, ou seja, aumenta a popularidade.
Os métodos de educação deviam estimular o ensejo individual de compreender a unidade universal, infelizmente, a educação é tudo menos isso, em muitos aspectos a educação leva o indivíduo a misturar parcial e universal, e vive-versa, com o tempo esses processos mentais passam a formar a matriz, na qual está inscrita uma linguagem conceptual pouco plástica, que contribui para uma interpretação desadequada e descontextualizada da universalidade do conceito de humanidade.
A capacidade do ser humano transpor, ou evoluir, se preferirem, para lá dos limites e contornos do cadinho cultural em que cresceu, é um facto, que só acontece quando o indivíduo começa a compreender, o carácter restritivo dos conceitos que supostamente deviam dar sentido à sua existência, e no entanto estão a condicionar a sua evolução pessoal, funcionando como grilhões estruturais, que impedem o crescimento para lá das fronteiras de segurança de uma cultura autofágica, uma cultura que se alimenta dos próprios filhos, as consequências de culturas baseadas em códigos restritivos, cheios de simbolismos esotéricos ritualizados, que só os iniciados sabem descodificar, e como tal, são os legítimos herdeiros da verdade ancestral, a antiguidade das tradições garante um estatuto quase inexpugnável, mesmo quando os efeitos perversos da propagação de formas de ignorância letal, estão mais que confirmadas, continua-se a educar segundo os princípios do obscurantismo mais absurdo.
A educação convencional, serve sempre os interesses instituídos, interesses de classe devidamente de camuflados; no seio de cada família recebem-se os sacramentos culturais de classe; nas classes mais desfavorecidas, podia pressupor que os conceitos culturais predominantes fossem de resistência ao sistema, que afinal, lhes é desfavorável, mas não é isso que acontece, ou seja, a precaridade da situação vivida, torna ainda mais vulnerável os elementos do agregado familiar às superstições, preconceitos, mitos e hábitos de subserviência que exploram a ignorância de classe.
As classes sociais dominantes, regra geral recebem uma educação mais esmerada, cuja intenção é preparar, os elementos mais novos do agregado familiar com as ferramentas adequadas ao sucesso pessoal e profissional, de maneira a perpetuar a hegemonia de classe. No entanto, a educação das elites não está de maneira alguma isenta de maipulação da vontade e alienação da identidade individual. De forma mais subtil, o futuro membro da elite social, política, financeira, cultural ou outra, condiciona o indivíduo aos intereses de classe, chegando a perversidaes tão ou mais nefastas que a educação negligente ministrada no seio das famílias de parcos recursos; a educação também é um método premeditado de divisão de classes, em áreas estanques.
A educação é sempre intrusiva, abusiva e manipulativa, da qual um indivíduo pode nunca recuperar a indepência necessária à descoberta do identidade individual, e tomar as rédeas do processo educativo, de maneira a desenvolver a consciência, e evoluir como ser humano integral, evitando as influências degenerativas, resquícios do processo involuntário de aquisição de conceitos, valores, mitos, dogmas, normas de conduta, processos cognitivos, e estereótipos diversos, que atrofiam o processo natural de desenvolvimento da identidade individual.
Tomemos como exemplo o conceito de patriotismo, um dos conceitos mais redutores, no qual o indivíduo enterra a cabeça; recusando pensar nas consequências nefastas que um conceito tão restritivo pode desencadear. Mas a noção de patriotismo, diverge muito, consoante a classe social a que se pertence; a elite de qualquer país educa os filhos para defederem a única pátria, que lhes garante dominar as outras classes sociais, o poder, e mais concretamente o poder financeiro; mas como é óbvio, a essa elite interessa difundir uma ideia de patriotismo populista, para isso a chantagem emocional continua a ser o método mais eficaz. No que concerne ao patriotismo de matriz popular, as classes mais desfavorecidas são educadas para reagir aos apelos patrióticos, irreflectidamente, deixando-se arrastar emocionalmente pelos focos intencionalmente incendiários de acordo com os interesses das classes dominantes, ou de um determinado sector da sociedade que precisa de ver implementado um determinado projecto de interesse «nacional», ou nacionalista, o que significa elitista, ou corporativista.
Já que a educação, inevitavelmente, começa com o nascimento do ser humano, sem que o mesmo possa defender-se ou evitar os prováveos abusos de que vai ser vítima, pelo menos teria direito a não ser transformado em animal amestrado e colocado às ordens arbitrárias, de um qualquer domador, que as circunstâncias históricas, elegeram como entretainer público.
A educação devia «produzir» cidadãos fascinados pela vida, quer dizer, genuinamente interessados em conhecer-se a si próprios, inseridos na complexa teia de interdependências que é a VIDA. Enquanto a educação convencional estiver ao serviço da desconfiança e da divisão social, enquanto as classes dominantes proporcionam aos filhos uma educação diversificada, para melhor os preparar, quer para usufruir dos bens culturais e das criações artísticas, os filhos da classe trabalhador são influenciados para cursos técnicos, dos quais está excluída a formação ética e estética e também a educação artística. Os filhos do povo devem consumir preferencialmente bens «culturais» que não exigem conhecimentos prévios e a sensibilidade desperta, aliás, os principais canais difusores da cultura de massas promovem a imbecilização generalizada, as consequências são óbvias, fraco poder reinvindicativo, insipiente postura crítica, etc...
De quando em vez o alcoól sobe ao plateau, e a cena repete-se, os jovens portugueses bebem demasiado alcoól, e uma boa parte, irá mais longe e cada vez mais cedo, à falta de algo mais gratificante onde afogar as desilusões, encharcam-se em alcoól. O mercado funciona e bem, como sempre de forma camuflada e insidiosa, adverte os riscos apelando ao consumo, algo do género: falar das delícias do celibato (não tenho dúvidas de que as possui, e não estou a ser irónico), de modo a levar um determinado sujeito do género masculino (por exemplo) a reflectir sobre o sentido da abstinência sexual, e ao mesmo tempo obrigá-lo a deitar-se noite após noite, ao lado da uma mulher de beleza física irresistível.
Os jovens, devido ao sua necessidade de experiência sensorial e ebulição emocional são um alvo fácil e cada vez mais cientificamente explorado no contexto da sociedade de consumo. Nos primórdios da sociedade de consumo moderna, que os jovens são vulneráveis aos preconceitos e mitos implantados pelos ditadores do consumo, apostados em explorar a insegurança natural de uma fase da vida em que são mais as dúvidas que as certezas, e um indivíduo ter que se adaptar psicologicamente aos modelos de beleza vigentes, enquanto assiste às modificações corporais, que lhe negam o direito a ser uma réplica de algum sex symbol saído do cardápio hollyoodesco, é inevitavelmente traumático. Digamos que os jovens nesses tempos eram apanhados na rede de arrasto que tinha sido concebida para atrair adultos pelo adorno mais precioso que possuiam: a carteira, mesmos as carteiras mais humildes guardam os cobres, que podem sempre ser mal gastos, ou seja desperdiçados, num momento de euforia, ou se preferirem de vertigem consumista; mas não demorou muito tempo para os dinâmicos «criadores»de riqueza, inebriados pelo olor da epopeia de sucesso pessoal, se apercebessem que a juventude era um manancial que não podia ser desprezado, aliás, muito pelo contrário, os jovens eram o atalho perfeito para chegar, até às mais inexpugnáveis carteiras dos seus progenitores, se até aí, o filão era explorado em moldes insipientes, não se fizeram esperar projectos de investimento, para rapidamente o explorar em moldes industriais, e com um sucesso estrondoso, um sucesso abençoado por todos quantos agradecem a Deus as oportunidades de negócios, mesmo as mais perversas e moralmente inaceitáveis, não deixam de ser um milagre, do mercado «livre», a livre iniciativa, mesmo que quando derruba o livre pensamento, ou atira para o caixote do lixo, vidas à procura de rumo, vidas enbaraçadas, vidas esmagadas por solicitações incongruentes, vidas que não aprenderam a reconhecer um regaço moral onde descansar a consciência atormentada, vidas que procuram em psicadélicos ambientes, penumbra confortável, o refúgio, a cumplicidade sensorial, ritualizada, no entanto, do que qualquer ser humano precisa, jovem ou velho, é de um abraço honesto, de um punhado de palavras sãs, de um olhar meigo, o alcoól e as drogas dissipam por momentos os tormentos da incompreensão, da marginalização, dos estigmas sociais, repletos de acúleos, que mais parecem adágas, e rasgam o corpo em formaçãod a identidade, mas as nefastas consequências da cadeia de hábitos e dependências que desumanizam o jovem, intoxicando não só o corpo, mas a curiosidade criativa, o interesse pelo desenvolvimento das capacidades de comunicação, a descoberta de si próprio, e do fascinante fenómeno que é a Vida, tudo quanto tem significado e dá sentido há existência humana é atirado para a enorme cloaca, o colector comum onde cada vez mais precocemente, é o destino de muitos cidadãos, antes de terem oportunidade de contemplar a vida do miradouro, descoberto pela verdadeira livre iniciativa, ou seja pela descoberta dos valores que defendem a vida e não por aqueles que a ocultam de modo a melhor poderem explorá-la.
Os jovens no geral estão mais arrogantes, exigentes e mais vulneráveis às campanhas publicitárias de intoxicação consumista. Não toleram a frustração de um não, esgrimem argumentos de comparação, usando colegas reais ou imaginários, cujos pais são mais fixes, pelo simples facto de cederem à coacção psicológica e chantagem emocional levada a cabo pelos filhos, no que se refere a saídas nocturnas e certas modas, igualmente consumistas, disfarçadas de outra coisa qualquer, da tatuagem e do piercing, oportunidades de negócio que aproveitam a tão aclamada irreverência juvenil, estes comportamentos, de modo algum revelam consciência cívica, política, socialm cultural ou outra, demonstram isso sim a extrema vulnerabilidade dos jovens perante uma máquina de manipulação do gosto, do pensamento e as emoções, de tal modo profunda e perversa, que pode ter resultados desastrosos e irreversíveis, sem que os prejudicados se apercebam que os estão a conduzir ao cadafalso.
Pais e filhos, são simultaneamente vítimas e carrascos, o sistema aperfeiçoou-se de tal mado, até ao prodígio de explorar lucrativamente paradoxos que aniquilam forças antagónicas, quer dizer, os esforços que deviam conseguir unir-se em defesa do verdadeiro inimigo, desgantam pérfidamente os elementos do mesmo grupo social, com consequências terríveis, e mais uma vez, sem que a verdade seja debatida, sem que o sistema seja comprometido e sem que a sociedade, ou simplesmente as famílias consigam esclarecer e resolver os problemas familiares, que se costumam designar por conflitos de gerações. Mas as batalhas entre as diferentes gerações de uma mesma família estão centradas substancialmente em diferendos à volta de hábitos de consumo, de um lado, os filhos, que exigem mais liberdade de acção, o que de alguma maneira pode levar os mesmos a adquirir comportamentos de risco, uma vez que o assédio consumista atravessa todas as convencões sociais, e legitama-se moralmente pelo facto de não se deixar prender por qualquer invólucro moral, sem deixar no entanto de ser fundamentalista, disfarçadamente.
A luta contra o consumo de alcoól, estupefaciantes e tabaco não pode ser feita isoladamente, nem depende das medidas restritivas decretadas a nível domêstico, a luta é muito mais vasta e abrangente, porque o consumo abusivo desses produtos, não é a causa, mas a consequência de um conjunto de factores de instabilidade psico-social e emocional, o jovem, não passa de uma ave que não sabe como voar, mas ninguém a ensina correctamente a voar, por isso, voa descoordenadamente, colide com obstáculos de natureza diversa, e nada lhe garante, que vá realmente aprender a voar em liberdade, o contrário podia ser declarado como mais uma fatalidade do destino, do destino que um conjunto de factores e influências, determinadas por interesses políticos, e mais concretamente, económicos e financeiros, os quais consideram legítimo o uso de meios e medidas tendencialmente hegemónicas, de modo a perpetuar um modelo de sociedade, favorável a essa elite, está moralmente legitimado.
Os seres humanos podem «necessitar» de amparo mitológico e mistico, numa fase embrionária do seu desenvolvimento cultural, estético, emocional, sensorial, moral e espiritual, de maneira a estimular interesse nos mesmos pelo mundo que os rodeia e servir de plataforma de lançamento para órbitas criativas à volta de astros com luz própria. Como pode o ser humano atravessar os campos do quotidiano, minados de obscurantismo, de mente vendada pela ignorância, e olhos ofuscados pela luz ilusória das lendas, mitos, tradições, abanando-se com o leque das superstições de maneira a evitar as pecadelas de insectos carregados de veneno dissidente.
O ser humano, passa por metamórfoses diversas ao longo de toda uma vida. As físicas são, talvez as mais evidentes, e digo talvez, por não estar certo de que o sejam, de verdade. As metamórfoses mentais, para além de dependerem directamente do Deus Cronos, estão sujeitas às influências (boas e más) ambientais, o mesmo será dizer, que o desenvolvimento psico-emocional está condicionado pelas experiências culturais, estéticas, sensoriais, morais e espirituais, a partir das quais o ser humano constrói a estrutura mental, a linguagem para descodificar o mundo que o rodeia nasce na confluências destes fluídos vitais que alimentam a formação da identidade individual que um dia, virá a ser consciência, que é consciência de ser.
Mas se algumas metamórfoses são determinadas pelo relógio biológico, as consequências das mesmas são determinadas por factores artificiais, ou seja culturais, dos quais os mitos, as lendas e fantasias, os dogmas e superstições exercem uma tirania obscurantista, mal compreendida, por ser mal explicada, de tal maneira que a metamórfose por vezes pode chegar a ser vivida como uma calamidade. A educação servirá, para ajudar o ser humano a gatinhar, até a criatura vir a ganhar auto-confiança para andar, e depois correr e saltar, por cima dos obsctáculos culturais, mitos e superstições residuais, ou, será que a educação serve para ensinar o ser humano a desenvolver precocemente o gosto por rastejar, a perversão da personalidade que o leva a ser um adulador «nato», uma vez iniciada a mutação cultural, a sucessivas metamórfoses encaminham o crescimento humano por avenidas largas, ornamentadas por místicas evocações e míticas evoluções e lendas e fantasias que povoam as mentes em crescimento das novas gerações, de maneira a não quebrar o ciclo de mentira e profanação, inaugurado algures, numa época de fácil propagação, o ser humano continua a sofrer as consequências ads metamórfoses obscurantistas, prolongando indeterminadamente a maldição de não aceitar com naturalidade a sua condição e «preferir» estar subjugado à reacção em cadeia de um longo processo de alienação, sem fim à vista, nem esforço libertário que resista, nem esperança que desperte do pesadelo, nem liberdade de comunicar que acorde o planeta minado pelo medo, de tudo e de nada, alimentado a pira funerária quotiadina.
Então como desatar os nós que atam a consciência? Então como discernir as diferentes dimensões da realidade? Então como melhorar os níveis de percepção? Então como abrir caminhos de desapêgo e liberdade de acção? Então como abrir o coração e enxotar a resignação? Então como conseguir regenerar a mente após sucessivas metamórfoses de imbecilização? Um pouco de sumo do fruto da árvore do inconformismo, para que gostar do gosto acre da subversão, pode juntar um pouco, agitar bem e beber à temperatura ambiente, mesmo cálido, o melhor é não ser tecnodependente; as tecnologias geralmente são meios para aumentar a servidão, por isso, quando começa a detectar vestígios de dependência, diga, não, ergue-sa e ande, é para isso que as pernas servem, digo eu...
Se ao longo da sua existência sofreu metamórfoses regressivas (o que é mais que uma mera probabilidade!), e está consciente disso, está apto para angariar fundos de resistência activa, ou seja, se continua a ser um «praticante» assíduo da resignação sem fundamento, é por mera conveniência, mas a vida (bem ou mal balançada!) tem dois pratos, ou até mais... a vida nunca está gasta ao ponto de recusarmos evoluir espiritualmente, o que significa que podemos dar início ao processo de desvinculação mítica e mística, fantasista e dogmática, sempre que a consciência nos alerte para o logro exstencial em que é tão fácil cair.
Infelizmente, passa-se o contrário, os resíduos culturais vão formando uma massa obscura à medida que os anos vão passando em resultado do massacre às forças vivas que buliram em tempos dentro da mente, os hábitos adquiridos cumpriram o seu dever aniquilador.
Mas, afinal, qual a razão destas reflexões; qual o seu interesse, e de que modo podem ajudar a mudar a vida quotidiana?!
Parece-me evidente, que a liberdade é um processo de crescimento consciente, e não algo que um simples decreto garanta automaticamente. Como a educação não serve as necessidades de formação cívica e humana, o resultado está à vista...
C'est alors qu'apparut le renard.
--- Bonjour, dit le renard.
--- Bonjour, répondit poliment le petit prince, qui se retourna mais ne vit rien.
--- Je suis là, dit la voix, sous le pommier...
--- Qui es-tu? dit le petit prince. Tu es bien joli...
--- Je suis un renard, dit le renard.
--- Viens jouer avec moi, lui proposa le petit prince. Je suis tellement triste...
--- Je ne puis pas jouer avec toi, dit le renard. Je ne suis pas apprivoisé.
--- Ah! pardon, fit le petit prince.
Mais, après reflexion, il ajouta:
--- Qu'est-ce que signifie «apprivoiser»?
--- Tu n'es pas d'ici, dit le renard, que cherches-tu?
--- Je cherche les hommes, dit le petit prince. Qu' est-ce que signifie «apprivoiser»?
--- Les hommes, dit le renard, ils ont des fusils et ils chassent. C'est bien gênant! Ils élèvent aussi des poules. C'est leur seul intérêt. Tu cherches des poules?
--- Non, dit le petit prince. Je cherche des amis. Qu'est-ce que signifie «apprivoiser»?
--- C'est une chose trop oubliée, dit le renard. Ça signifie «créer des liens...»
--- Créer des liens?
--- Bien sûr, dit le renard. Tu n'es encore pour moi qu'un petit garçon tout semblable à cent mille petits garçons. Et je n'ai pas besoin de toi. Et tu n'as pas besion de moi non plus. Je ne suis pour toi qu'un renard sembleble à cent mille renards. Mais, si tu m'apprivoises, nous aurons besoin l'un de l'autre. Tu seras pour moi unique au monde. Je serai pour toi unique au monde...
--- Je commence à comprendre, dit le petit prince. Il y a une fleur... je crois qu'elle m'a apprivoisé...
--- C'est possilble, dit le renard. On voit sur la Terre toutes sortes de choses...
--- Oh! ce n'est pas sur la Terre, dit le petit prince. Le renard parut très intrigué:
--- Sur une autre planète?
--- Oui.
--- Il y a des chasseurs, sur cette planète-là?
--- Non.
--- Ça, c'est intéressant! Et des poules?
--- Non.
--- Rien n'est parfait, soupira le renard.
Mais le renard revint à son idée:
--- Ma vie est monotone. Je chasse les poules, les hommes me chassent. Toutes les poules se ressemblent, et tous les hommes se ressemblent. Je m'ennuie donc un peu. Mais, si tu m'apprivoises, ma vie sera comme ensoleillée. Je connaîtrai un bruit de pas qui sera différent de tous les autres. Les autres pas me font rentrer sous terre. Le tien m'a appellera hors du terrier, comme une musique. Et puis regarde! Tu vois, là-bas, les champs de blé? Je ne mange pas de pain. Le blé pour moi est inutile. Les champs de blé ne me rappellent rien. Et ça, c'est triste! Mais tu as des cheveux couleur d'or. Alors ce sera merveilleux quand tu m'auras apprivoisé! Le blé, qui est doré, me fera souvenir de toi. Et j'aimerai le bruit du vent dans le blé...
Le renard se tut et regarda longtempsle petit prince:
--- S'il te plaît... apprivoise moi! dit il.
--- Je veux bien, répondit le petit prince, mais je n'ai pas beaucoup de temps. J'ai des amis à découvrir et beaucoup des choses à connaître.
--- On ne connaît que les choses que l'on apprivoise, dit le renard. Les hommes n'ont plus le temps de rien connaître. Ils achètent des choses toutes faites chez les marchands. Mais comme il n'existe point de marchands d'amis, les hommes n'ont plus d'amis. Si tu veux un ami, apprivoise-moi!
--- Que faut-il faire? dit le petit prince.
--- Il aut être très oatient, répondit le renard. Tu t' assoiras d'abord un peu loin de moi, comme ça, dans l'herbe. Je te regarderai du coin de l'oeil et tu ne diras rien. Le langage est source de malentendus. Mais, chaque jour, tu pourras t'asseoir un peu plus près... (...)
--- Adieu, dit-il...
--- Adieu, dit le renard. Voici mon secret. Il est très simple: on ne voit bien qu'avec le coeur. L'essentiel est invisible pour les yeux.
--- L'essentiel est invisible pour les yeux, répéta le petit prince, afin de se souvenir.
--- C'est le temps que tu as perdu pour ta rose qui fait ta rose si importante.
--- C'est le temps que j'ai perdu pour ma rose... foit le petit prince, afin de se souvenir.
--- Les hommes ont oublié cette vérité, dit le renard. Mais tu ne dois pas l'oublier. Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé. Tu es responsable de ta rose...
--- Je suis responsable de ma rose... répéta le petit prince, afin de se souvenir.
A LEON WERTH
Peço perdão às crianças por ter dedicado este livro a um adulto. Tenho uma boa desculpa: este adulto é o melhor amigo que tenho no mundo. Tenho outra desculpa: este adulto pode compreender tudo, até livros para crianças. Tenho uma terceira desculpa: este adulto vive em França, onde passa fome e frio. Tem verdadeira necessidade de consolo. Se todas as desculpas não foram suficientes, quero dedicar este livro à criança que este adulto foi noutro tempo. Todos os adultos foram crianças antes. (Mas poucas o recordam.) Corrijo, pois, a minha dedicatória:
A LEON WERTH quando era criança
Antoine de Saint-Exupéry, Le Petit Prince
Aterrorizar súbditos, sempre foi o entretenimento favorito das elites, assustar a «manada», e assistir à sua debandada sem rumo, na tentativa desesperada de escapar aos dentes aguçados da matilha de carrasco; fugir até a alma tombar inanimada numa qualquer vala comum.
Em tempos, ciclicamente ressuscitados das catacumbas poeirentas da história, o povo continua a ser convidado de honra, para os banquetes de terror servidos a frio, nos terreiros públicos. Antigamente as bruxas eram queimadas, os ladrões desmembrados, os impíos esfolados vivos, as adúlteras iam escorregando lentamente, por acção da força da gravidade, o cone metálico, simbolo fálico de uma morte anunciada, ia rasgando os tecidos vaginais, a princípio para depois continuar pelo corpo dentro. Estas prodigiosas técnicas aplicadas à indústria do terror, tinham como finalidade última perpetuar o obscurantismo vigente, ou seja, os ilustres pedagogos da civilização, defensores da virtude e da «moral» incandescente, não tinham outra alternativa que não fosse aterrorizar o povo, com demónios vivos e mentiras insidiosas, para que as elites «esclarecidas» (preocupadíssimas com o bem estar do povo) pudessem descansar e levar por diante os seus projectos de hegemonia ideológica, económica, financeira e religiosa.
Mudam-se os tempos, e os terreiros, a praça pública agora é a sala de estar de todos os lares, local onde malabaristas, saltimbancos, bobos sem corte, políticos sem vergonha, jornalistas rendidos aos argumentos dos cartéis económicos e financeiros, e todos os que contribuem para que a chama do terror desinformativo se mantenha acesa no topo das audiências; importa referir que o sofá para onde o cidadão atira os restos semi-carbonizados da mente, após uma jornada «normal» de trabalho, se encontra no meio do recinto (leia-se sala de estar) onde tem lugar as maiores barbaridades (orquestradas e encomendadas por quem?! Sim, acontecimentos tâo dramáticos não acontecem por acaso, nem por mero desespero de causa, tem protagonistas e patrocinadores ideológicos e financeiros!) e o cidadão aterrorizado por meios e métodos que em muito pouco diferm dos que eram usados pelos seus antepassados, encolhidos de medo, e emocionalmente destroçados, confrontados com uma realidade tão inaceitável, quanto incompreensível, ontem como hoje, o obscurantismo invade e conquista um lugar de destaque no quotidiano do cidadão comum. A «manada» arrebatada por emoções fortes e descontroladas, depressa desfalece de cansaço, outras solicitações mórbidas, outros terrores, e outros clamores dissipam o cheiro nauseabundo da carnificina, os restos putrefactos das emoções encontram-se agora espalhadas pelos cantos do terreiro domêstico, regurgitadas uma e outra vez, sempre que uma nova intervenção desinformativa desperta o terror na face do espectador incauto, vítima das tecnologias do pavor, que tão bem disseminam e exploram a ignorância, atardoar para dividir, em suma, para continuar a perpetuar as formas de obscurantismo vigente, não muito diferentes das que as precederam, mais sofisticadas, e petrificantes.
O imaginário cultural colectivo é quotidinamente bombardeado por radiações nefastas (mensagens contendo micropartículas que distorcem a realidade); ora vejamos, os protagonistas (heróis) que povoam a maioria dos filmes, são dotados de poderes especiais, os quais usa para resolver os problemas do mundo, porque essa é a sua missão. O espectador recebe via subconsciente uma transfusão de poderes fantasistas, já que ao estabelecer comparações entre a ideia que faz de si próprio e as virtudes éticas do herói, reve-se em algumas das capacidades que o herói possui.
O que me parece especialmente nefasto, para a emancipação do cidadão comum, é o facto de este se habituar a acreditar desde muito cedo em poderes especiais, que ele próprio não possui, e que o coloca à partida numa posição de inferioridade, o culto da subserviência a quem tem poder especiais, o conceito de posse de poderes especiais é muito abrangente, de certa forma, o comportamento normal está à priori, condicionado por um conceito bem enraízado no imaginário cultural colectivo, por isso é tão fácil confundirmos alhos com bugalhos, quer dizer, tudo quanto, numa escala, que difere de indivíduo para indivíduo, se encontra num certo patamar, é venerado, porque dentro da nossa mente, uma associação inconsciente de valores e normas codificadas, nos lembrou que estamos perante um membro da vasta seita de congéneres, que por uma razão que transcende o nosso entendimento, possuem poderes especiais, que nos foram negados, malabarismos genéticos, genialidade congénita, ou porventura, ligações a forças supra-humanas, as quais, estão completamenta fora do alcance da compreensão humana.
Ao longo da vida, a mente humana é vítima de emboscadas culturais, que afectam a percepção dos factos que constituem uma realidade em mutação constante, uma realidade que se caracteriza por ser múltipla, e que para ser entendida como um todo, tem que ser atravessada como quem se prepara para atravessar um deserto, sabendo que terá que subir ao Everest, e descer às profundezas marinhas, tudo numa viagem única, e solitária.
O esforço consciente de uma vida, a passagem do testemunho à posteridade, sabendo que a vida só faz sentido, se participarmos activamente na causa, que é a imensa ponte humanista, cujos trabalhos de manutenção requerem a entreajuda de todos quantos de livre vontade desejarem participar nas tarefas necessárias para que o presente não seja a mera luta insana, pelo sucesso individualista e consequente acumulação de bens materiais, mas a participação efectiva, e consciente no único projecto que pode reflectir a benignidade da natureza humana, espreitem para dentro das vossas consciências, são muitos os defeitos, as incongruências, as contradições, agressividade e alguma violência, em suma, se fizerem uma observação honesta, não falta lá nada, do melhor ao pior, mas se procurarem um pouco melhor, vão dar de caras com algo que persiste em não definhar, e esse algo, chama-se necessidade de crescimento espiritual, que revela que não só não desejamos regredir, como almejamos conhecer mais, e ser melhores, isto, em condições adversas, num ambiente que de certa maneira nos instiga a seguir o caminho inverso, faz parte da natureza evolutiva da vida, a capacidade de adaptação das espécies, não se limita à dimensão física, e isto nada tem de sobranatural, nem de místico, nem de sapiência oculta, isto é Vida, da qual nós somos parte integrante, apesar de muitos de nós, desperdiçarem a sua à procura do que está em frente dos seus narizes. Muitas vezes, rejeitamos as explicações simples, por nos parecerem demasiado óbvias, um erro crasso, com consequências terríveis, o arquétipo cultural que nos serve de berço, empaturra-nos de heróis e mitos, cada geração recebe a sua dose, cada geração espera entrar em contacto com uma realidade extrasensorial, ou paranormal, que lhe prometa a felicidade eterna, as falácias religiosas continuam formar exercítos de incrédulos, entre os quais, se encontram as «forças especiais» mártires e heróis de uma guerra que nunca terá fim, o absurdo, não se resolve, propaga-se, metamorfoseia-se e continua a fazer vitímas, porque se alimenta de ignorância e fanatismo religioso, económico, estratégico, continuaremos a encontrar razões para abater o nosso semelhante enquanto o obscurantismo continuar a ser propagado por aqueles que pretendem obter o mandato de dirigentes da humanidade, usurpando as regras básicas do são convívio entre as diversas culturas que a constituem.
A enorme complexidade da actividade cerebral humana, em grande parte vive no fio da navalha, alimenta-se de associações que faz e defaz, afim de responder às solicitações exteriores; várias áreas do cérebro tem que trabalhar em sincronia para poder responder ao poder inquisitorial da realidade cultural que transcende a capacidade de descodificação individual, o que significa que cada um de nós, constrói por aproximação uma realidade mental, que só em parte, corresponde aos factos reais, pelo simples motivo, de perdermos parte substancial de informação, ou por não sabermos descacar as diversas camadas que constituem a realidade, desse modo a percepção do real, não só é sempre subjectiva, como pode incorrer na posibilidade de ser completamente incorrecta, o que acontece frequentemente, até mesmo o ser humano que reflecte de uma forma mais abrangente e detalhada, procurando não esquecer aspectos mais marginais do obejcto em análise. Mas uma teia constituída por milhares de fios ligados entre si, constitui um emarenhado de informação, da qual o intérprete é «prisioneiro», já imaginaram o corropio que está a acontecer neste preciso momento, nas redes neuronais, dentro do meu próprio cérebro, os milhões de sinapses das quais dependo para arquitectar esta dissertação, dar-lhe forma e conteúdo, ontológico e dialéctico?! E será que é possível compreender a forma como construímos as respostas às solicitações exteriores sem termos um bom nível de consciência dos fenómenos que ocorrem dentro do universo mental, no qual as decisões tomadas, são influenciadas pela qualidade da informação armazenada, não tanto pela qualidade em si mesma, mas pela forma, como as influências foram assimildas, isto é, transmutadas em Ser! Sim, o ser humano vive neste fio de navalha, desde que nasce até ao momento em que morre, a construção da sua identidade depende do tipo de alimento assimilado, uma vez que as toxinas, os venenos químicos que podem determinar mutações irreversíveis, situações mórbidas suficeintes para determinar o desenvolvimento de células cancerígenas, e se em muitos casos podem ser erradicadas se o processo é detectado na fase inicial, o mesmo não acontece, quando o mesmo só é detectado já em avançado estado de desenvolvimento, e as metásteses entretanto produzidas se encontram espalhadas por todo o «tecido» da consciência, irremedialvelmente, o que restava de humano, está perdido, tudo isto, porque o ser humano é inevitavelmente o alimento cultural, moral e emocional que consome... por vezes, a mistura é tão explosiva, ou venenosa, se preferirem, que os resultados são catastróficos, no entanto, para a maioria das pessoas, só parece interessar os sintomas, ou seja, as consequências, e tal como acontece, quando somos surpreendidos com uma notícia trágica, na qual está envolvido, um amigo ou familiar, sentimos ruir uma parte do nosso próprio ser, sentimo-nos injustiçados, nunca nos devíamos esquecer o quão «egoísta» é a dor de perder alguém!
O leito de um rio, pode servir perfeitamente de exemplo para demonstrar o funcionamento da consciência humana; imaginem (hoje deu-me para espevitar a imaginação alheia!), o terreno adjacente a uma das margens «semeado» das mais perversas monstruosidades; na margem oposta, disfruta-se da «normalidade» tal como a conhecemos, injusta e perversa, mas dentro de limites toleráveis (pelo menos, tentamos acreditar nisso), no meio (está a virtude, dizem!) encontra-se o leito do rio que simbolicamente representa a consciência humana, ora, o leito deste rio, pode como facilmente se compreende, ter muitos níveis de corrente, ou mesmo, em determinados momentos, nem uma gota de seiva vital correr... nesses períodos as margens opostas aproximam-se perigosamente, podem entrar em confronto, falam linguagens distintas, mas nestes períodos de seca, a agressividade paira no ar carregado de electricidade estática, de tal modo que não é difícil prever a ocorrência de violentas tempestades de ódio, do céu não cai uma gota de chuva, a terra contudo, é ensopada com o sangue de inocentes, mas também com sangue contaminado pela sede de vingança, e por feridas antigas que nunca são devidamente cuidadas, parece que de ambos os lados, há sempre quem não deixe sarar as feridas devidamente, nem esteja disposto a massajar com o unguento da boa vontade as cicatrizes remanescentes.
Quando no leito do rio corre água limpa, de ambos os lados, prevalece o desleixo e o oportunismo, olha-se para o rio e nem se repara, que lá corre a seiva que alimenta a humana condição, os filhos das margens opostas, numa coisa são idênticos, não educam as gerações de modo a poupá-las à intolerância mútua, devido à incompreensão dos fenómenos que perpetuam a ignorância, os rastilhos que fazem eclodir os mais diversos focos de violência nunca estão longe do alcance dos que pretndem tirar dividendos das incompatibilidades culturais, fictícias ou reais, para fazer a pedagogia da irracionalidade, como forma básica de educação dos povos, o cidadão comum encurralado nesta trama diabólica desde tenra idade, está condenado a ser um desgraçado, um dissidente, de qualquer causa que tenha por estandarte a liberdade de consciência, sem a qual a derrocada individual e colectiva é inevitável.
O rio corre, mas como disse, mas a água, essencial à vida, e neste caso, seiva essencial ao despertar da consciência, é encarada como um recurso, ou mesmo, simplesmente como um produto, para algumas mentes um negóacio, para outras, um meio de traficar influências e por aí fora... o que podia ser uma fonte de sabedoria inesgotável, para ser usada como meio de aproximação e comunicaçâo entre as facções de ambas as margens, é sistematicamente desprezada, a ruína individual e colectiva pode por vezes colher as pessoas, de surpresa, mas isso, só acontece, pelo simples facto de viver distríadas e absorvidas na imbecilidade quotidiana.
Como pode a existência individual fazer sentido, se o ser humano não conseguir despertar para a essência da sua própria identidade, é fundamental fazer a simbiose entre o conhecimento científico e a experiência cultural da vida quotidiana, de modo a despertar para a única forma de espiritualidade que me parece simultaneamente libertadora e reconciliadora com o fenómeno que é a Vida, fazer da existência individual uma experiência lúcida, de verdade, quer dizer, de «confronto» directo com os dilemas e contradições, experimentadas no único contexto a que se tem acesso em primeira mão, a nossa própria mente, apesar de não ser fácil, um pouco de auto-disciplina, honestidade quanto baste, e muita humildade, pouco a pouco vamos sendo surpreendidos por um trabalho de arquictetura moral e espiritual, em parte auto-didacta, em parte inspirada no saber e experiência de outros seres humanos, um trabalho fascinante e libertador, eu diria mais, imprescindível para quem almeja compreender a natureza humana e de alguma forma dar sentido à existência. Um sentido que não pode esgotar-se (creio eu) exclusivamente por via da realização profissional e familiar, nem sequer, me parece que a realização artística, seja igualmente suficiente; claro que é uma questão de perspectiva, de motivações pessoais, etc..., mas, ainda assim, creio que a realização humana passa pelo desenvolvimento espiritual, que em meu entender é a própria essência do ser, da identidade consciente, num processo que leva ao entendimento da unidade que é a Vida.
Nas últimas semanas, tenho andado envolvido com O Grupo Bilderberg, porque não acredito que gente tão poderosa agende reuniões à porta fechada, só para estar mais à vontade; gente que manipula a economia mundial; gente que faz depender as ajudas aos países da implementação de políticas sociais restritivas, prejudicando a vida de milhões de seres humanos.
Parece-me absurdo que não se estranhe o comportamento desta elite, que não se questione esta sensação persistente de abandono, porque perdemos o direito à tranquilidade?! Será que desconfiar, para ser benévolo, de gente que se reune para discutir «abertamente» os problemas do mundo, não o faz para poder negociar acordos, entre si, de maneira a defender interesses corporativos? Se os interesses da humanidade são o tema central das discussões, essa mesma humanidade não terá direito a saber que futuro lhe está reservado (para dizer a verdade, se calhar o melhor até é não saber, senão meio mundo ainda se suicidava em massa)? Claro que não! Se o que está em causa é fomentar as condições para perpetuar o neo-esclavagismo vigente, devidamente adaptado às necessidades específicas de cada momento; o livre acesso ao mercado abastecedor de mão de obra, fornece material em bom estado e barato; qualquer dia encontram-se aos magotes a calcorrear os passeios da infâmia, arrastando a sua condição humana pelas valetas abertas pelo sucesso alheio, a esmolar trabalho, a sacrificar talento e criatividade... uma maneira genial para salvaguardar A Nova Ordem Mundial, a qual é substancialmente (ou totalmente, vá-se lá saber!) dirigida por uma elite economica e financeira com tentáculos políticos, a qual se rodeia de servidores leais (burocratas e tecnocratas), e protege, formando forças da ordem prontas para defender os direitos cívicos do «povo», mas como o povo é maioritariamente constituído por peças descartáveis, que abundam no tal mercado «livre» e de responsabilidade social nula, os problemas acabam por se resolver sem grandes custo e perdas de tempo, o que também não deixa de ser vantajoso para o dito mercado de «gado», manso (adepto da servidão voluntária).
Das minhas investigações, o livro "Wall Street and the Rise of Hitler", by Antony C. Sutton, mereceu destaque, porque continua-se a cometer os mesmos erros, ou seja, a permitir que os destinos dos países sejam entregues a pessoas dementes, porque um punhado de senhores a partir dos bastidores consegue operar milagres, milagres que só o dinheiro, o tráfico de influências, a manipulação da comunicação social, as provas forjadas, e por aí fora... os interesses económicos e financeiros, sabem como puxar os cordelinhos certos, no momento certo, de maneira a que as possibilidades de serem apanhados desprevenidos, seja quase nula. O eleitor comum, acredita que escolhe o candidato que melhor serve os interesses do estado, mas que escolheu ele afinal, pegou num produto que foi estrategicamente colocado numa prateleira à altura do nariz, e ainda assim, sem ler o rótulo, comprou a embalagem, o que é normal, o investimento astronómico feito na embalagem, serviu para camuflar, não só as deficiências intrínsecas do produto, como para praticamente, obrigar o «cliente» a acreditar que a embalagem é o próprio produto.
Como podia ficar impávido, a desfolhar as páginas de um livro onde se afirma que teria sido impossível Hitler implementar a estratégia económica baseada na indústia de armamento, sem o apoio financeiro de Wall Street, e a parceria tecnológico e empresarial de importantes multinacionais norte-americanas, foram feitos investimentos cruciais que permitiram a Hitler preparar a nação alemã para empreender uma nova guerra; quem se atrever a ler algumas páginas do livro (on-line) pode verificar, caso acredite na veracidade dos factos descritos pelo autor, o quanto o poder financeiro e empresarial é perverso. Como podemos confiar nestas reuniões à porta fechada, se está à vista de todos, que os interesses económicos e financeiros não se regem por códigos de honra patriótica, pelo menos, quando se trata de sacrificar carne plebeia em nome de investimentos astronómicos, as oportunidades de negócio não podem ser desperdiçadas, por ter que se sacrificar um «punhado» de compatriotas; seria ridículo fazê-lo!
Terminou a II Guerra Mundial, mas a «carnificina» financeira e económica não parou, aliás desenvolveu-se, sofisticou-se; entre a engenharia financeira e a engenharia militar existe uma constante permuta de fluídos vitais, são duas formas de parasitismo que se enleia, em torno da humanidade, de acordo com um plano estratégico, de uma elite sem escrúpulos, que quer perpetuar o poder, não importa os custos materiais e humanos que esse «projecto» possa ter, isso são ninharias, quer dizer efeitos colaterais, inevitáveis! A frieza racional que se exige a um estratega militar, é uma brincadeira de crianças, comparada com os maquialévicos planos que um estratega financeiro pode conceber sózinho, ou em parceria! Como é óbvio, o que não falta são pessoas integras, e bem formadas em qualquer área profissinal, civil ou militar, mas... será que ascendem aos lugares de topo?! E quando digo topo, refiro-me mesmo à cúpula, os que se vêem na contingência de dar a cara, raramente seguram nas mãos o poder efectivo, limitam-se a exibir publicamente a omnipotência que não possuem, mas é assim que deve ser, para que tudo corra dentro do previsto, antecipadamente.... mesmo quando corre mal!
Para quem o desconforto de lidar com informação embaraçosa, capaz de virar a cabeça do avesso, e transformar em pó, algumas das âncoras culturais, nas quais nos habituamos a confiar como se de tábuas de salvação que permitem atravessar o quotidiano charco social mal cheiroso, e ainda sentir orgulho e vaidade, nas instituições públicas e privadas, dirigidas por cidadãos instruídos para tratar os compatriotas como ratos de esgoto.
A cintura de represálias (económico-financeiras) afasta potenciais detractores da nova ordem mundial, da mesma maneira que pessoas armadas com varapaus não podem enfrentar uma coluna de blindados, a maioria dos países encontra-se nas garras do mercado «livre»; e já agora, os povos, atraiçoados pelos seus corruptos, mas patrióticos dirigentes, estão encurralados dentro das fronteiras do «desenvolvimento», que transforma as pessoas em baratas tontas, sem saber o que devem ou não fazer com as suas existências, tornam-se presas fáceis, largadas nas coutadas privadas (como o instinto de sobrevivência está muito detiorado), nem sabem onde se esconder, para gáudio dos caçadores emplumados, que das «portas» compradas, procuram escolher os melhores troféus, o tiro é quase sempre certeiro!
Quer se trate de mera curiosidade ou de genuíno interesse, aqui fica uma sugestão para saber o seu «perfil» político: The Political Compass.
O conhecimento acumula-se em camadas, e a resposta às solicitações exteriores depende muito do tipo de informação acumulada, da forma como a mesma foi assimilada e da forma individaul de associar diversos tipos de informação em rede, através dos quais descodifica a realidade e alcança com maior ou menor lucidez, o âmago dos factos em análise. O dinamismo criativo e interpretativo que caracteriza o funcionamento mental da espécie humana, está sempre em luta, diga-se em abono da verdade, que é uma luta ingrata, para conseguir coordenar a actividade mental de maneira a manter o nível de erro de percepção dentro de limites «aceitáveis», e para que isso aconteça, não pode pegar a informação de forma avulsa, e atirar com a mesma para dentro do cérebro, como se o mesmo não passa-se de um depósito de lixo. Temo, que isso aconteça com demasiada frequência, e seja aceite como inerente a uma certa «normalidade» vigente!
Todos nós, temos a mania, mais ou menos flagrante, de sermos ecelentes juízes em causa própria, de tão bem informados e formados nos acharmos, as fontes onde bebemos, não podem de maneira alguma estar inquinadas! E, não se trata de presunção bacoca, ou mania da superioridade, mas sim, de coerência interna, reconhecemos as limitações do nosso conhecimento e almejamos continuar a desbravar caminho; entretanto, a percepção do mundo que nos rodeia é seriamente distorcida por deficiente capacidade descodificadora, e nem sempre conseguimos corrigir, ou compensar o desvio, porque o facto, é que nem damos por ele, de tal modo, nos deixamos embalar no emarenhado compulsivo de pensamentos defensivos, e em certas circunstâncias, até mesmo ofensivos, sempre que nos ocorre que a melhor forma de defender a «causa» em questão, seja atacar.
Custa-nos aceitar que instituições constituídas para implementar o desenvolvimento possam ser usadas com tentáculos de lobbies poderosos que estão exclusivamente interessados em perpetuar a situação de hegemonia económica e financeira, processo que demorou décadas a consolidar-se, que dependeu de muitas reuniões e acordos, cedências e tramóias diversas entre membros do mesmo clã, de maneira a estabelecer o que podemos considerar: A Nova Ordem Mundial, sem mais, nem menos.
Não estamos perante um fenómeno surgido do nada, mas algo que tem vindo a ser preparado para durar, e como os recursos não esticam até ao infinito, o resultado está à vista, as crises económicas são cada vez mais frequentes e mais profundas e abrangentes, porque tal como acontece com qualquer cidadão comum, se ganha dez, não chega; quando passa a ganhar vinte, acontece o mesmo e quanto mais ganhar, mais ganancioso fica, e mais inseguro se sente, devido ao receio paranóico que sente de alguma coisa correr mal e de um momento para o outro, voltar a passar por dificuldades e necessidades de má memória. Acontece algo similar, mesmo nos patamares onde supostamente esse género de mesquinez aparentemente deveria estar abolida, não está, pelo contrário, de tão exacerbada, passa a representar um nível de perigosidade fora do comum, e tende a crescer desmesuradamente, é tudo uma questão de escala. O poder não garante segurança, o poder, regra geral, aumenta a desconfiança, de tudo e de todos, muitas vezes de forma intolerável, sente necessidade de vigiar, de controlar, em suma, a meta é atingir a omnipotência, os meios como sempre justificam os fins, actualmente, o fim, passa por perpetuar um modelo de sociedade globalizada, na qual o cidadão comum, se sente cada vez amsi reduzido a um elemento descartável de uma longa e penosa cadeia de produção, isto não é novo, mas afigura-se-me mais cruel.
Mas como somos moderados, a vida pode continuar a definhar moderadamente depressa (à escala geológica a degradação dos recursos e o desaparecimento das espécies está a acontecer à velocidade da luz! Mas, temos tempo, a elite que governa o mundo, encontrará solução para colar os cacos e repor a «normalidade»!), na verdade não existe motivos para acreditar que o mundo é hoje, esta noite, um lugar mais perigoso, que a noite passada, e porquê? Porque de ontem para hoje, a negligência, a hipocrisia, a credulidade, a apatia, a imbecilidade, etc... cresceram certamente mais, que os antídotos «naturais» que podiam refrear a epidemia, e diminuir os seus catastróficos resultados.
Gostaria de ter acesso a tabelas de valores, a mapas e gráficos, em suma gostaria de ter acesso a dados confidenciais, ou não, que fossem de confiança, que se pudesse confirmar a sua veracidade, e depois, então estaria disposto a debater, com qualquer interlocutor, os exemplos de crescimento económico, e os reflexos reais na vida dos trabalhadores, e em caso de realmente se comprovar melhorias relativas, ou mesmo substanciais, não podemos esquecer, um pormenor, até que ponto esses picos de crescimento, tem alicerces que permitam prolongar no tempo a sustentabilidade das melhorias eventualmente obtidas?!
PREFACE
This is the third and the final volume of a trilogy describing the role of the American corporate socialists. otherwise known as the Wall Street financial elite or the Eastern Liberal Establishment, in three significant twentieth-century historical events: the 1917 Lenin-Trotsky Revolution in Russia, the 1933 election of Franklin D. Roosevelt in the United States, and the 1933 seizure of power by Adolf Hitler in Germany.
Each of these events introduced some variant of socialism into a major country --- i.e.,Bolshevik socialism in Russia, New Deal socialism in the United States, and National socialism in Germany.
Contemporary academic histories, with perhaps the sole exception of Carrol Quigley's Tragedy and Hope, ignore this evidence. On the other hand, it is understandable that universities and research organizations, dependent on financial aid from foundations that are controlled by this same New York financial elite, would hardly want to support and to publish researxch to bite the hand that feeds his organization.
It is also eminently clear from the evidence in this trilogy that "public-spirited businessmen" do not journey to Washington as lobbyists and administrators in order to serve the United States. They are in Washington to serve their own profit-maximizing interests. Their purpose is not to further a competitive, free-market economy, but to manipulate a politicized regime, call it what you will, to their own advantage.
It is bisiness manipulation of Hitler's accession to power in March 1933 that is the topic of Wall Street and the Rise of Hitler.
July, 1976 ANTONY C. SUTTON
PS: Estas postas em língua inglesa, infelizmente desgarradas e quase a não fazer sentido, vão sendo inseridas com a clara intenção de chamar a atenção para temas que regularmente são esquecidos pela comunicação social (vá-se lá saber porquê!?) (agendas ocultas), mas quando se toca muitos burros, a qualidade do trabalho, ressente-se... só que por outro lado, os assuntos assolam-me como se fossem feridos de guerra, que não podem ficar por tratar e acarinhar, ou se preferirem, humanizar...
Adquirem-se hábitos, maneiras e posturas, entre os quais tem lugar de destaque, o hábito cívico de enterrar a cabeça na areia, num imenso deserto de alheamento, onde aqui e acolá, a miragem, a que costumamos dar o nome de esperança, nos ilude com umas imagens tão belas quanto vagas de oásis de paz e contentamento... entretanto, deixamo-nos desfalecer, entregues ao devaneio místico, esperando que da inércia (física e mental) brote a felicidade e o discernimento para salvar a alma do desterro e do tormento, do tédio ensombramento.
A imaginação é, como facilmente nos apercebemos, uma espada de dois gumes; se nos pode ajudar a reconhecer as muitas faces do obscurantismo, pode igualmente exacerbar a dependência que dos mesmos se adquire, e com inacreaditável facilidade! Por isso, enterramos a cabeça na areia para aliviar as malhas obscuras que nos tolhem a liberdade de pensamento. Por norma, acreditamos ter o dom natural e expontâneo de discernir o trigo do joio; esta atitude negligente permite que adoptemos hábitos de pensamento, que mais não são que um emarenhado avassalador de várias formas de obscurantismo, aumentando a necesidade de recorrer à «sapiência» esotérica e sobrenatural, cujos pretensos poderes milagrosos, podem exorcizar as «sombras», os miasmas e todas as formas de apoquentações espirituais, que podem dilacerar a alma humana.
Continuam a ser demasiadas, ou pelo manos a ter demasiado peso, as influências obscurantistas, as linhas de força que guiam o quotidiano de milhões de seres humanos, de modo nenhum, se podem considerar espirituamente saudáveis e moralmente libertadoras, muitos dos comportamentos violentos, são a consequência «natural» do embróglio obscurantista «normal», uma espécie de película aderente que envolve a humanidade, ou talvez uma espécie de ecossistema perverso, uma atmosfera carregada de poderosos agentes mutantes, aos quais, pretensamente nos julgamos imunes, para descanso das nossas cândidas almas enterradas até ao pescoço nas areias movediças da ignorância, da qual os fenómenos paranormais são a ponta de um icebergue de imundície pseudo-intelectual que continua a absorver a atenção de pessoas que percebendo a vulnerabilidade essencial da sua humana condição, se deixam seduzir pelas formas de «salvação» inacessíveis à compreensão do comum dos mortais, por isso, só lhes resta submeterem-se à sabedoria «ancestral», à melhor tradição esotérica, à «sabedoria» mais pura, aos céus mais límpidos, em suma, às mentiras mais ímpias, propagando dessa forma o obscurantismo como moeda de troca, para chegar a reinos de beatitude inacessível, enquanto se negligencia na terra, no âmago de cada um de nós, um processo de maturação humana, de reconciliação com a vida, de aprendizagem e descoberta do conhecimento que liberta da maldição de enterrar a cabeça noa imensos desertos de hipocrisia institucionalizada, por conveniência de uma minoria imperialmemte instalada.
Para quem não saiba existe qualquer coisa de muito humano, que me habituei a reconhecer como «ecossistema espiritual», o qual é muito mal compreendido e ainda, muito mais, maltratado! O «ecossistema espiritual» é talvez o detalhe mais original da espécie, aquele que podia e devia ser referido como essência da própria identidade da espécie; no entanto, tem sido o mais poluído de todos os ecossistemas conhecidos, de tão manipulado e desvirtuado, dir-se-ia que chegou a um ponto de degradação quase irrecuperável,não fosse a vida, um acto de permanente vontade reconciliadora e talvez, o «ecossistema espiritual» já tivesse entrado em colapso irreversível, só que a vida é a antítese da resignação, e o ser humano (aqueles que dentro da espécie mantém vivo o espiríto dissidente), nunca deixará de pagar o tributo que lhe é devido, tentar conhecer, compreender e comunicar com a vida, mantendo-se atento à multiplicidade de sinais que a mesma lhe envia, dos quais, alguns são claramente, um tónus espiritual, revigorante e reconfortante, capaz de reanimar a alegria e o entuasiasmo de lutar pela emancipação da espiritualidade humana, a qual, não é mais nem mesmo, que a própria razão de ser da espécie humana.
A existência humana está frequentemente inquinada por venenos que por força das cisrcunstâncias, ficam por detectar, quer dizer, os seus efeitos são sentidos, mas negligenciados, desde que sejam suportáveis, ou seja não perturbem, o paradigma de «bem estar» vigente, a investigação morre por ali, até que eventualmente, venham a surgir sintomas mais perturbadores, ou incapacidades reveladoras do aluir dos alicerces dogmáticos, nos quais se estruturava a delicada trama existencial, que desejavamos manter eternamente, esse é o momento em que o cadafalso se abre e nós ficamos suspensos pelo pescoço, com a vida por um fio, de olhar esbugalhado rodopiando em redor, em busca da palavra mágica que explique a razão, porque se pode ser em determinado momento, «abandonado» pela sorte, ou por Deus, ou por outra entidade que se previa, envidar todos os esforços, para nos manter permanentemente seguros.
A organização social continua a girar em torno da enorme força de gravidade que é a família. A família sempre funcionou como o agente aglutinador de riqueza, nas sociedades baseadas na propriedade privada, em que o indivíduo podia ocupar terrenos livres, tomá-los pela força, e mais tarde comprá-los, deste modo, a propriedade rústica e/ou urbana estiveram na origem de uma forma de poder exercido pelas famílias que possuiam propriedades mais valiosas, nas quais era possível praticar uma agricultura rentável, e desse modo continuar a aumentar a riqueza, o poder e a influência social. Defender a integridade familiar e os bens adquiridos ou herdados passou a ser um valor insofismável; de tal maneira que, os valores sagrados da família estavam indelevelmente ligados à riqueza que possuiam, quer isto dizer que a vida humana, tinha perdido valor em relação à defesa dos interesses da família, até mesmo dentro da prípria família, mas quando a família, regra geral se torna uma espécie de reduto impenetrável, isto é, quando a família se rege por um código de valores morais interno, não aplicável ao meio exterior, ou seja, dentro de portas, pratica-se a tolerância, fora de portas veste-se a carapaça da indiferença, e vá de chicotear os costados ao desertor, ao preguiçoso, e a todo aquele que ousa afrontar os interesses mesquinhos, que a família considera sagrados.
Não me parece que a defesa da integridade familiar passe por se cultivar o desprezo pelo indivíduo que não faz parte do clã, quer o mesmo integre outra família, quer seja um solitário; este confrontos de interesses está na origem de muitas clivagens sociais que ainda hoje, mesmo entre pessoas da mesma classe social, origina atritos, que de certa maneira são um entrave ao desenvolvimento de programas de solidariedade, portanto existe uma relação muito estreita entre a indiferença perante o sofrimento alheio e o conceito de família vigente (mesmo tendo em atenção a chamada crise da família). A família ainda funciona como o epícentro de um buraco negro disposto a sugar tudo quanto apanha no raio de acção do seu movimento centrípeto, não parece mas, apesar de bem intencionada, a atitude comum de olhar para o umbigo familiar como o centro do mundo, como vulgarmente fazemos com os nossos filhos, é uma forma de violência, ou seja, somos de tam forma consumidos pelo desejo de proporcionar à nossa descendência tudo o que nos parece útil ao seu desenvolvimento, conforto e bem estar, para não falar nos planos que fazemos para o futuro, de modo a garantir-lhes uma estadia no mundo, segura e bem-aventurada. Os pais procuram, quase de forma doentia, proteger os filhos de experiências traumáticas (físicas, psicológicas, emocionais...), e vivem frequentemente obsecados com o futuro dos filhos; se os filhos fossem ilhas, eles, pais, não deixariam de querer que essas ilhas estivessem rodeadas por uma barreira de coral que apazigua-se a fúria devastadora das vagas mundanas. Mas, afinal, a família deve ou não ser a prioridade das prioridades? É, ou não é pilar da sociedade? Claro que é. A família, ou melhor os vários tipos de família que pode ser hoje em dia constituída, devem continuar a ter um papel aglutinador, enquanto célula base de uma comunidade de famílias, e mencionei comunidade de famílias porque, a sociedade deve ser isso, e não aquilo que continua a ser, uma amálgama de famílias e indivíduos que na maioria dos casos vivem de costas voltadas, de maneira a que cada um, acreditando que nada tem que ver com o bem estar do outro, olha para a lado e continua, faz o que lhe é pedido, zela pelos interesses privados da sua pessoa e da sua família; é assim que está correcto, e o tempo, é demasiado caro, para olhar em redor e momentaneamente sentir, que à sua volta, existem mais pessoas, com necessidades idênticas, a lutar por um quinhão de riqueza, a desejar acumular muito mais do que necessita, comportamento justificado pelo desejo de salvaguardar o futuro da família, e garantir que a descendência viverá desafogada, os outros, indivíduos e famílias, que se lixem, podem rebentar de fome, ou de frio, de solidão, ou de medo, que esse assunto não nos diz respeito, a não ser em datas alumiadas, quando os sentimentos de culpa rasgam a membrana de frieza que cuidadosamente mantemos lubrificada ao longo do ano.
Muitas famílias cultivarão certamente uma atitude menos ortodoxa, ou tradicionalista, mas mesmo assim, creio que continuamos a enveredar por um caminho que leva inevitavelmente ao desenvolvimento da indiferença perante o sofrimento alheio, por não nos sentirmos responsáveis pelo mesmo; mesmo os mais atentos as estas questões, não entendem muitas vezes que a sociedade é uma comunidade, não um grupo, ou bando de famílias em lítigio permanente, de maneira a usar a riqueza privada como forma de manter o outro à distância (indivíduo, ou família) conveniente, de maneira a que não perturbe o bem estar conquistado a tanto custo. Não se trata de defender uma sociedade igualitária, tal coisa, nem é justa, nem praticável; mas é essencial desenvolver um conceito diferente de indivíduo, família e sociedade, a interacção entre os membros das comunidades pode e deve ser melhorada, a comunicação pode e deve ser implementada, e por isso mesmo, o umbigo da família terá que ser repensado, não para aniquilar a família, muito menos o indivíduo, mas para revitalizar o conceito de comunidade, de partilha, de comunhão. Quanto dinheiro é desperdiçado em compras desnecessárias, em bens súperfluos, em brinquedos caros que perderam o encanto de arrancar um sorriso do rosto de uma criança enfastiada, e as compras compulsivas atiradas para dentro de gavetas e armários, e pensar em tanto dinheiro, que tantas vezes não corresponde ao acréscimo de falicidade que se lhe atribui, do qual podia ser retirado uma parcela, que investida em projectos comunitários, podiam fazer a diferença entre o colapso e a reanimação da tolerância, do amor pelo próximo, da partilha, da cumplicidade cívica, do envolvimento directo em causas da mais diversa índole, com benefícios vivos para todos os intervenientes. É preciso ressuscitar o espiríto comunitário, o sentido de justiça social, os laços familiares seriam reforçados, mais livres e mais fraternos.