agosto 31, 2004

«EUROPEAN COMMISSION-LIBERALISM FULL SPEED!

23 Aug04 - Marek Tysis - Bilderberg and the New European Government

In this Bilderberg site exclusive native french speaker Marek Tysis examines the new european commission and its neo-liberal agenda - he discovers that neo-liberal means globalism and rule by corporate monopolies

After having announced the attributes and the names of the new European Commissioners on 12 August 2004, José Manuel Barroso met his team on the 20 August 2004 in Brussels for the first time. The new commissioners will then he submitted to hearings on September 27, by the European Parliament, who shall vote at the end October on the new Commission, before it officially takes over on November 1st 2004.

The "European popular group" showed its satisfaction the day after the announcement of the nominations. Its president Potterin commented positively on the Lisbon strategy, in other words the strenghtening of European competitiveness.

This will be the central aim of Günter Verheugen (Bilderberg), who will report directly to Barroso, himself presiding over the group in charge of this strategy.

Verheugen declared that he will be in charge of the group of commissioners responsible for European economic coordination and this will give him a strong position. The subject is essentially depending on the individual member states.

Between the nations in Europe and the EEC, we will find M. Verheugen. The president of the "democrat group", M. Graham Watson greeted the "inspired" choices and the "imaginative" thoughts of the future president of the commission. He was delighted at the presence of one third women in the commission and the absence of super commissioners.

The actual commissioners refuse to give their public ideas about the decision of Mr Barroso. One of them observed privately, that the former Portuguese prime minister rewarded his friends, who were with him on the side of the American intervention in Iraq. So, M. Mandelson (trade/commerce), Italy with Rocco Bottiglione (justice, liberty, security), Denmark with Marianne Fisher Boel (agriculture), Poland with Hubner (regional policy), Spain with Joaquin Almounia (economical and financial affairs) have got more powerful commission posts than France and even Germany, if we judge limited the powers ofM. Verheugen.

The preeminence of the liberals is also underlined with Peter Mendelson, says a senior civil servant of the commission. Trade policy runs a risk of being more liberal and Atlantic. The British commissioner, he hadded, can attempt to try again to suggest the idea of a free trade zone upon the Atlantic, against the which Pascal Lamy (Bilderberg) fougth.

The Irish Charlie McCreevy and her collegue in charge of the concurrence, the Dutch Kroes Smit, are two ultra liberals in charge of two key posts, should provoke reservations from our point of view in regard with their past performance.

McCreevy, Irish finances secretary from 1997 to 2004 is considered as the artisan in company of First Minister Bertie Ahern of the "Celtic Miracle". His policy towards Foreign Investments turned the island into an El Dorado of American Multinationals. Firms are paying 12,5% of taxes (in France the rate is 35%). The minimum wages are under what is required to live with some respect to oneself. McCreevy promoted the recovery of the National Airways company, Air Lingus, which was near of the bankruptcy by cutting the number of employees. The result of this policy gave some undsired effects: public services running down, increased poverty, inflation, and strikes for higher pay in the public sector.

Sometime nucknamed the Iron Lady in the Netherlands, Mrs Kroes Smit, who was secretary of State then secretary of Transportation, is known by the Dutch Trade Unions as having been behind the privatisation of the old postal service. Her arrogance and bad temper brougth her a lot of enemies. Her nomination may well be down to Jacques Chirac, President of France, because, is it told in The Hague, he asked the Dutch government to name Christian Democrat Veerman agriculture commissioner. Mrs Kroes says her policy is Popular/Liberal but no-one is quite sure why she thinks she is popular.

These beginnings are not reassuring, so the French socialist MP, Arnaud Montebourg, denounced the attribution of all the key posts in economical and financial fields to personalities who have a systematic orientation towards liberalism. This European commission, he concluded, is an enemy to every member of our party. Another French socialist MP underlined the decline of France which can only receive a little second order nomination.

The position of President Chirac is not confortable. The partial nominations in the EEC Commission is showing a spirit of vengeance on the French and the German rebels who weren't on the American side in the Iraq war.

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Publicado por Rodrigo Ribeiro em 11:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

A indiferença é o bastão do sucesso individualista!

A exposição constante a mensagens absurdas, obriga o sistema nervoso central a encontrar formas de filtrar a entrada de informação, ou seja, progressivamente vai aumentando a insensibilidade a uma série de solicitações do meio exterior, de maneira a manter um mínimo de estabilidade interior, sem a qual a existência quotidiana se tornaria demasiado penosa, senão mesmo insuportável. A maioria dos cidadãos não compreende devidamente as consequências nefastas da permanente intoxicação directa ou subliminar a que está exposto em qualquer local, público ou privado, as mensagens irradiam de todo o lado, em frequências diversas, invandindo a privacidade intíma de forma insidiosa, passando muitas vezes despercebidas ao consciente. Como o cidadão não recebe qualquer formação cívica, que o ajude a separar o trigo do joio, permanece demasiado tempo exposto às radiações nefastas, e nem mesmo quando acometido de doença crónica ou incurável, tem dificuldade em acreditar nas verdaeiras causas do mal de que padece.
Negar a profunda vulnerabilidade e delicadeza da criatura humana é acreditar que a vida é uma maldição, no entanto o ser humano, em certa medida cresce de costas voltado para as diversas formas de vulnerabilidade que o habitam; como se esse comportamento o torna-se mais corajoso, quer dizer menos vulnerável às agressões exteriores, ambientais e sociais; uma mentira que continua governar a existência da maioria dos seres humanos.
A esperança na humanidade depende da descoberta e compreensão da vulnerabilidade estrutural do ser humano, da delicada trama de que é constituído, mas aprende desde cedo a ignorar, para se lançar numa batalha inglória, debater-se com a sua própria sensibilidade, para sair vencido e destroçado, depois de humilhar, corromper o melhor que a sua identidade tinha para dar, desperdiça a vida, por ignorar a vulnerabilidade essencial de que é feito, e cair na tentação, de seguir a vereda da idolatria, essa senda de cobardia, disfarçada de bravura, açoita impiedosamente os resquícios de consciência que imploram clemência, a luz quer acender-se na clareira e à entrada da caverna, mas a indiferença impede o primeiro passo, aceitar a vulnerabilidade essencial desta criatura que não é boa nem é má, mas que pode ser sinistramente pervertida, quando o novelo cultural o envolve em obscurantismo disfarçado de educação, e o fardo das superstições e mitos soterra em pegajosa alarvidade um ser vulnerável, que merecia outra espécie de oportunidade.
Por mais que o homem seja castigado, por mais empedernida que o seuâmago se torne, permanecem uns pequenos ilhéus de vulnerabilidade, ignorados pelo próprio e, obviamente pelos outros, desta forma pode continuar a rastejar, aguentar todas as formas de violência que lhe caibam em partilha, e vingar-se, sem sair do labirinto, sem desertar do círculo vicioso, por não enxergar, que dessa maneira está a desperdiçar a vida, essa oportunidade única de experimentar estar vivo, de descobrir que a vida e a verdade, são uma e a mesma coisa, indissociáveis, e nem sequer precisa da maioria das regalias, privilégios e protagonismos, para poder caminhar pelo próprio pé, um caminho de não-violência, que também é um caminho de descoberta da vulnerabilidade essencial da criatura humana, uma descoberta que por si só, liberta o ser humano dos principais jugos que lhe entravam o desenvolvimento espiritual, sem o qual não existe nem liberdade de expressão, nem comunicação genuína com o semelhante.

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agosto 30, 2004

Uma dor intolerável

Quando a nossa própria pele nunca foi rasgada por estilhaços de bombas que deflagram em guerras que «vivemos» dentro de limites de segurança minímos, sentimos piedade por quem tem as bombas a rebentar à porta de casa; conseguimos ter um vislumbre do impacto ensurdecedor, que a deflagração das bombas provoca, e respectivas ondas de choque, dos edifícios a ruir, das nuvens de pó, do caos, dos gritos, da confusão... em suma de toda a destruição causada por um bombardeamento maciço, no entanto, parece-me que não somos capazes de avaliar a dor, o desmoronar dos esteios morais, que suportam a vida interior de pessoas concretas, da confusão de sentimentos, da impotência, creio que não chegamos lá, por muito que dentro de nós próprios, algo de importante entre em colapso, ou em ruptura abrupta com as convenções mesquinhas que habitualmente servem de referencia às quotidianas vivências, onde a hipocrisia tem lugar cativo, as aparências devem manter a fachada dentro de parâmetros atractivos.
A guerra transforma as pessoas irreversivelmente, os mais empedernidos corações humanos, as mais vulneráveis criaturas, não importa que tenham sido rigorosamente treinadas para o «teatro» de guerra, não há forma de escapar ileso, as sequelas permanecerão muito para além do desfecho da contenda e das motivações mesquinhas dos responsáveis pelas mesmas; nem as mais tenebrosas lavagens cerebrais, «preparam» os soldados para o cenário de morte e destruição, consequência inevitável de qualquer guerra.
Na retaguarda, o cidadão comum tem que enfrentar uma guerra injusta, por um lugar no pódio do protagonismo da comunidade local onde está inserido, os ajustes de contas são uma constante nesta guerra, que deixa mazelas bem profundas e perversas nos contendores que nelas participam, mas as verdadeiras consequências alastram muito para lá da esfera pessoal, para muitas vezes, se tornarem em fenómenos de consequências universais, de tal modo, que as outras guerras, as que rebentam, por norma à porta de gente inocente, para os desalojar, amedrontar e claro, exterminar, a intenção é tornar o mundo um lugar mais seguro, e mais asséptico, banir as heresias, banir as más referências, e por aí fora... contudo o cidadão comum, mesmo em tempo de guerra, permanece de fora, até ao dia em que algum ente querido, perde a vida, desterrado, deserdado da protecção de Deus, e da Pátria, mártir sem causa, vítima do absurdo... na guerra, as baixas, são seres humanos mortos ou feridos, estropiados, que formam uma amálgama de despojos humanos, de famílias destroçadas, mas a dor, que dilacera os vivos, não importa em que trincheira se acoitam, é o elo invisível que une todos os que vivendo para o ódio, afinal estão unidos por uma dor de tal modo violenta, quase intolerável, uma dor que mata nos vivos a alegria de viver para sempre, irreversivelmente.
Fora do contexto de guerra, só os grandes cataclismos naturais provocam destruição material e sinistralidade humana comparável, em certos aspectos a um cenário de guerra; contudo os sentimentos que desencadeia são de índole diferente, não se sente a natureza como um inimigo que nos invadiu o quintal, contra quem nos dispomos a resistir até à morte, ou conseguir expulsá-lo. Não se olha para um soldado morto numa guerra, da mesma maneira que para uma pessoa morta no decorrer de um terramoto, a dor que devasta o âmago da pessoa que sofre a perda de um ente querido, pode ter a mesma intensidade, mas a revolta, o asco, o ódio... contra o agente destrutivo é de outra espécie, a vontade irreprimível de vingança, quando se morre sob o fogo «inimigo», não se revela da mesma maneira quando a pessoa é vítima de catástrofe natural, por isso, nem mesmo, as tragédias naturais que afectam os civis, com alguma similaridade com a destruição causada pela guerra, não pode de modo algum dar a verdadeira ideia do sofrimento humano, vivido em clima de guerra.
Então como podemos entender essa dor impenetrável que amargura a existência alheia, sem ter que passar pela experiência traumática de perder um ente querido num campo de batalha? Ter a humildade de mudar a atitude corrente de pensar nos assuntos a despachar; venha outro, que este já está aviado! A banalização deriva em muito da interiorização do conceito «não perder tempo»; quem não «perde tempo», quase sempre o usa mal, e habitua-se a negligenciar a forma como assimila a informação, permitindo que a indiferênça se torne um hábito permanente.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 11:30 AM | Comentários (2) | TrackBack

agosto 28, 2004

O futuro sempre foi uma carta fechada! De momento, a democracia serve-lhe de fachada?

De acordo com a filosofia do Grupo Bilderberg, os principais temas da densa e opaca agenda internacional nunca poderiam ser debatidos publicamente, de forma aberta e honesta. De facto, por razões pragmáticas, e seguindo uma lógica que tem vindo a ser implementada, são poucos os assuntos que podem, nos dias que correm ser discutidos publicamente; chegamos a um ponto, em que a maioria da população estranharia, e reagiria mal, no caso se assistir a um debate público, conduzido com honestidade; a informação escasseia, ou seja, o que abunda é a desinformação, situação que, ao vulgarizar-se deixou o cidadão comum em maus lençóis, tem duas opções, dentro do possível navega ao largo, e procura canais, ou redes de informação alternativas, uma forma de estar atento às jogadas políticas, económicas, militares que são tomadas à revelia dos interesses das populações e do planeta. Os cidadãos que por desleixo, ou acomodação permanecem fiéis às fontes de informação tradicionais, onde estão alojados os principais canais de desinformação local e global, habituam o cérebro a aceitar informação adulterada, aceite como «normal»; mas esta distorção da realidade levou à perversa situação política que hoje é «normal»; ou seja, não se faz política, escamoteia-se a verdade, arranjam-se uns assuntos e um par de inimigos de estimação e fazem-se uns directos de cortar a respiração, e uns diferidos, um pouco mais refinados, para melhor hipnotizar a nação. Os assuntos, que envolvem o futuro dos países, da civilização, dos povos, da economia local ou global, são cuidadosamente mantidos ausentes das agendas correntes, o debate público dessas matérias resultaria em perturbação social, caso os intervenintes optassem por não se refugiar no tratamento hipócrita das questões em agenda , o que não acontece; o debate público é estéril, ou seja, tornou-se em mais uma actividade de entretenimento, enquanto, as questões realmente sérias, são debatidas no maior secretismo, de maneira a poupar o povo à honestidade «desinteressada» praticada neste tipo de reuniões informais, uma maneira sã de resolver os problemas da humanidade, retirados (por ordem de quem?) da ordem do dia, da política domêstica da maioria dos países.
Em suma, estes encontros, a serem públicos, seriam estéreis!
O sistema político conhecido por democracia tem demonstrado uma extraordinária capacidade de adaptação aos exigentes parâmetros de desempenho do mercado «livre»; como tudo, tem um preço; a consequência «normal» do desenvolvimento da democracia (por motivos de desconfiânça mútua, creio!), sempre em nome do progresso, cavou um fosso enorme, povoado de desumanidades medonhas, a separar as duas facções, de um lado os eleitores, do outro, os eleitos, diga-se em abono da verdade, que os eleitos que verdadeiramente contam e cujas decisões, tem poder suficiente, inclusivamente, para alterar até a própria força de gravidade da Terra!, esses não se sujeitam ao humilhante sufrágio público! Os eleitos para cargos governativos (saídos da boca das urnas eleitorais!) são prisioneiros, carrascos, carcereiros e simultaneamente vítimas de terem previlegiado a hipocrisia com método de «comunicação» para chegar aos eleitores; a corrupção e instalou-se o hábito de manipular informação por uma ninharia sem importância, a actividade política pública passou a ter como agenda prioritária, o calendário eleitoral, e a vida pública dos países, transformou-se em mera gestão de aparências; os assuntos sérios, que tenham algum ponto de contacto com a realidade, deixaram de poder ser abordados em público, por isso, não admira, que estas reuniões pretensamente abertas e francas, só possam acontecer longe do voyerismo público.
A hipocrisia tomou conta da democracia, e parece que assim vai continuar, quanto mais não seja para dar cobertura e servir de pretexto para que organizações como o Grupo Bilderberg, possam continuar a reunir-se à porta fechada, de maneira a que os intervenientes no debate façam pleno uso (e abuso) da liberdade de expressão, sem receio de perder eleições, ou desagradar a lobbies, ou temer pelo seu futuro, na qualidade de figuras públicas, etc... Um cidadão que não é respeitado por defender publicamente os ideais em que acredita, por mais polémica que seja a posição assumida, e supostamente, necessita de esconder-se para o poder fazer, fornece o diagnóstico, que me parece óbvio, a democracia está moribunda e o futuro da humanidade, inevitavelmente, está condenado a ser decidido nos bastidores; a Nova Ordem Mundial é imposta, sem a necessidade de um único voto de aprovação da parte dos eleitores, prisioneiros da irrealidade disseminada pelos meios de desinformação global, perdem o interesse pela verdade factual, entediante, quando comparada com as mentiras forjadas, mantidas frescas e atractivas no mercado da desinformação, onde a hipocrisia e a vaidade privadas, mantem os altos níveis de alienação.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 12:24 PM | Comentários (2) | TrackBack

«Planning the World Future Behind Closed Doors»

The date is May 14, 1998. The attendees -- 120 representatives of the Western political, financial and corporate elite -- cruise through the untamed Scottish countryside in black limousines on their way to the swank Turberry Hotel in Ayrshire. The discussions they will engage in, and the consensus they reach, will influence the course of Western civilization and the future of the entire planet. This meeting will teke place behind closed doors in total secrecy, protected by a phalanx of armed guards.

The Bilderberg is about to get busy once again. According to Bilderberg Sociaty press release, the 46th Bilderberg meeting was an informal discussion "to discuss the Atlantic relationship in a time of change Among others the Conference will discuss NATO, Asian Crisis, EMU, Growing Military Disparity, Japan, Multilateral Organizations, Europe's social model, Turkey, EU/US Market Place (sic)."

Those who attend Bilderberg meetings do so in a private rather than official capacity. From former CIA director John Deutch to New Jersey Governor Christine Todd Whitman, each guest attendee is hand-picked by Bilderberg's organizing committee to koin in secret deliberations about the propagation of Western hegemony in the New World Order.

All Bilderberg discussions are conducted in absolute secrecy. To guarantee solitude, the Group customarily books an entire hotel in secluded location. The hotel is protected by a tight security grid of heavily armed guards from the U.S. Secret Service, various European secret service agencies and the local police.

Although some reporters and many media owners are present at these meetings, you will hear nothing about the Bilderberg in the news. According to the Bilderberg's press release, "Participants have agreed not to give interviews to the press during the meeting. In contacts with the news media after the conference it is an established rule that no attribution should be made to individual participants of what was discussed during the meeting."

A source close to the Turnberry conference told The Scotsman: "I cannot comment officially on whether this is a conference of the Bilderberg group... This is a strictly private non-governmental conference, one of a series of such meetings. Their purpose is the discuss most informally and confidentially topics of current concern to the democracies of Europe and America."

Bilderberg proponents argue that this cloak of secrecy is vital to ensuring an honest and vigorous debate. "Some of the delegates are politicians, but everyone is here privately", the Turnberry conference source told The Scotsman. "It inspires frothing at the mouth of conspiracy theories, but the purpose of the privacy is allow delegates to have a frank and constructive debate and get to the heart of things knowing that they are not going to be reported."

Of course, this secrecy also guarantees that the vast majority of the world's ctizenry is kept completely in the dark regarding Bilderberg deliberations, even though the consensus of the Group may affect national and international government and commerce.

The extremes to which the Bilderberg goes to achieve this level of secrecy raises serious suspicions about the Group's motives in the minds of many. Critics of the Bilderberg say:

The Group perceives itself as being supra-governmental. Indeed, Bilderberg founder Prince Bernhard himself once said, "It is difficult to re.educate people who have been brought up on nationalism to the idea of relinquishing part of their sovereignity to a supra-national body." (Alden Hatch, H.R.H. Prince Bernhard of the Netherlands: An Authorized Biography, G.G. Harrap & Co. (London), 1962.)

The Group coercively manipulates global finances and establishes rigid and binding monetary artes around the worls.

The Group selects political figures whom the Bilderberg determines should become rulers, and targets those whom it wants removed from power.

Rather than pursuing an agenda which would work to solve global health, energy, environmental and agricultural problems, the Group pursues an agenda which guarantees the propagation of its own power and the enrichment of its members, at the expense of human rigths and environmental degradation worldwide.

As Bilderberg critic Tony Gosling wrote, "One cannot help but be a little suspicious when priorities for the future of mankind are being considered, by those who have real influence over that future, in total secret."

By Charles Overbeck
Matrix Editor

easterisie@parascope.com

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 10:47 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 27, 2004

Todos sabemos que a mentira pode ser mais convincente que a verdade!

O envelhecimento da população nos países ocidentais é um facto incontornável; usá-lo como arma de aremesso contra o cidadão comum encurralado, a coerção psicológica administrada por via subcutânea (leia-se subconsciente), de maneira a inibir eventuais resistências ao desinvestimento na área social, medidas exigidas pela convergência orçamental, segundo a apologia neoliberal, que se preocupa em defender os legítimos interesses dos filhos legítimos do sistema (os cidadãos comuns são filhos bastardos, deserdados à nascença, a paternidade é mantida, mas para dar cobertura às aparências, não porque seja efectivamente assumida!).
O envelhecimento da população deve-se a dois factores: o aumento da esperança de vida, supostamente as pessoas vivem mais tempo; e também à baixa natalidade, as famílias não parecem muito entusiamadas com a ideia de alimentar um rancho de filhos, vá-se lá saber porquê?! Soluções para o problema: Aumentar a idade da reforma; reduzir as prestações sociais, aumentar o fluxo de emigração para colmatar as perdas de efectivos em idade activa, esta injecção de sangue novo, revitalizam a economia, são transfusões de esperança para uma sociedade envelhecida, e desilusões para uma população empobrecida, mas isso não conta, essas contas ficam de fora, a bolsa dos neoliberais não contempla certas contas, nem certas castas, nem certos pudores, é um desfilar de farsas numa passerelle que se recusa a aceitar a contradição, e continua igualmente a negar entrada aos enjeitados, a não ser quando a sua pele seja tão delicada que sirva para ofuscar o horda que à sua volta se junta para exaltar o glamour em todo o seu explendor.
A breve trecho, podemos contar que os governos, cada vez menos autónomos, preparem as circunstâncias propícias para alertar as populações para a necessidade de tomar medidas de austeridade em matéria de reformas e subsídios sociais, como medida preventiva, para evitar o colapso financeiro do sistema; não que tenham como é óbvio intentos alarmistas, mas é necessário preparar o futuro, e o futuro é privado, ou seja, a classe média alta pode recorrer a um seguro de saúde, complementado por um plano de poupança reforma, ou qualquer coisa similar, de maneira a garantir o futuro; estes cidadãos financiam os fundos de investimento, ou fundos de pensões que as companhias seguradoras usam para fins especulativos no mercado de capitais, de meneira a rentabilizarem os recursos financeiros de que dispõem mesmo que para isso tenham que atacar a economia dos países em vias de desenvolvimento, ou seja, o dinheiro que o cidadão comum, no caso português, a classe média alta, porque a dita classe média está financeiramente depauperada, de maneira que não pode aceder a este tipo de serviços, e manté-los numa base regular, este dinheiro, que podia ser uado pelo estado para financiar projectos de desenvolvimento social, são canalizados para a iniciativa privada, que os usa para aumentar a riqueza e o poder da instituição, sem que o estado ganhe um céntimo, ainda por cima, como esse planos podem ser descontados no IRS, o estado vai perdendo receitas, que o tornam cada vez mais vulnerável aos ataques das empresas privadas que exigem uma maior fatia do bolo da segurança social e da saúde.
O estado vai perdendo terreno, face às investidas privadas, o argumento é sempre o mesmo, ou seja: a gestão incompetente da parte das instituições sob a alçada do estado; se este argumento não é de todo, uma mentira, acontece que, é exacerbado e obscenamente usado, porque existe a clara intenção de denegrir as instituições públicas, porque dessa maneira vai-se paulatinamente instalando a mentalidade de que de faco mais vale entregar tudo nas mãos dos privados, o que não só é nefasto, como não garante, isenção, uma vez que a preocupação principal das instituições privadas é criar riqueza para os bolsos dos accionistas, os cofres públicos estão no fim da linha, e só lá chega o dinheiro que não pode ser desviado. Privatizar tudo a esmo, porventura terá os mesmos efeitos, que nacionalizar, tudo a esmo, com uma diferença fundamental, as empresas privadas não esbanjam os recursos, o que pode parecer uma vantagem, com o tempo, e esse tempo está a acontecer, a hegemonia financeira é uma realidade, a ganância desalmada dos interesses privados depaupera o estado e aperta o cerco ao povo, o capital é agora um fim em si mesmo, e não olha a meios para aumentar a capacidade de manipular estados e cidadãos, na primeira, na segunda e na terceira idade, enquanto vai acumulando os recursos financeiros dsiponíveis, prima pela ausência, quando se trata de assumir as responsabilidades cívicas; limita-se a contribuir para umas obras de caridade e a criar umas fundações, algumas dessas iniciativas são de facto meritórias, mas acabam por ser campanhas de auto-promoção, e não medidas para combater os flagêlos sociais que alastram em larga medida devido à especulação financeira e predação económica que essas instituições privadas pseudo-beneméritas, lançam no terreno, esse terreno é o quotidiano onde as pessoas comuns esgotam as suas energias, e são privadas da dignidade humana que lhes é sistematicamente negada.
Nenhum dos ilustres servidores da nova ordem mundial, vem denunciar publicamente que existe excesso, que existe necessidade de rever o horário de rever o harário de trabalho, para proporcionar às pessoas uma melhor qualidade de vida, qualquer adulto que por exclusivas razões de sobrevivência se sujeita a um trabalho penoso, não seria justo que tivesse direito a ter tempo disponível para de alguma forma compensar o desgaste psicológico e a angústia existencial, em suma, merecia ter tempo para desenvolver alguma actividade compensatória (desporto, arte, literatura, música, participação em activiades de cariz humanitário, etc...), que o ajuda-se a recuperar o amor próprio, e a alegria de viver; as pessoas não podem ter nenhum projecto pessoal, são encarados como animais de carga e infelizmente como tal se comportam, os métidos pedagógicos adequados e os «bons» hábitos podem operar milagres no que concerne ao aproveitamento desse prodigioso manancial de trabalho esforçado, a servidão voluntária.
Então, temos uma camada da população seduzida pelo consumismo, que trabalha até à exaustão para conseguir comprar bens e serviços que estão sempre a mudar, tal como o cão que persegue a própria cauda sem a conseguir agarrar, o cidadão não consegue apanhar um comboio chamado desejo, pois o assédio é constante e cada vez mais agressivo, impossível resistir-lhe, ou quase! Regra geral, as pessoas trabalham para poder adquirir os objectos da sua própria perdição, como é óbvio falo dos que possuem um trabalho medianamente remunerado, mas que tendo mais olhos que barriga, se deixam cativar pelo apelo consumista e por isso, tem que trabalhar mais do que deviam, ou seja, a realização pessoal foi substituída por acumulação material, ou seja, tornam-se coleccionadores de monos, tralha diversa e lixo, muito lixo; do outro lado do espectro social, os desempregados, uma camada vulnerável, com demasiado tempo livre mas sem projectos e tantas vezes sem rumo por falta de formação pessoal, por hábitos de inércia cívica acumulados por décadas de uma existência desinteressante, raramente focada nas necessidades intímas de realização humana e descoberta da identidade. Este grupo, é um autêntico pântano social, que não para de crescer; o trabalho temporário é uma forma de desemprego encapotado, que ultraja quem a ele tem que recorrer, mais uma vez para satisfazer as necessidades da classe empresarial, os trabalhadores, são chamados a comparecer, na condição de tarefeiros, a precaridade alastra, os privados aproveitam e o cidadão deve aceitar a situação, porque com a escassez de empregos que há, pode considerar-se com sorte ter conseguido arranjar quem dê ao menos umas horas a ganhar! Esta situação acontece numa época em que o mundo tem capacidade para produzir mais que as necessidades de mercado, em que as tecnologias permitem níveis de produtividade estonteantes, e contudo, nem a carga horária diminui, nem a riqueza produzida, é distribuída pelos trabalhadores, que são consumidores, eleitores, pais, doentes... e um dia serão velhos; quando os ilustres defensores das medidas restritivas, da contenção salarial, do desemprego estrutural, da exclusão social e de tantas outras pestes propagadas pelos agentes patogénicos da tirania neoliberal, que não permitem que os recursos financeiros possam ser esbanjados em projectos de desenvolvimento social, nem na criação de emprego sustentável, ainda que diversas áreas dos serviços socais, sejam deficitárias, o estado depauperado, não pode implementar medidas que estimulem a criação de emprego social, mas como o estado não deve concorrer com os privados, e o trabalho só serve os propósitos para que foi criado se esfolar o trabalhador, o estado demite-se, os cidadãos devem submeter-se à lei da oferta e da procura, e sujeitar-se, mesmo que vá parar à rua, mesmo que a família se desfaça, mesmo que o cidadão se degrade, não cabe às entidades privadas envolvidas em situações que causam precaridade social, resolver os problemas, para isso, existe o estado, mas se o estado é cada vez mais uma figura de retórica (não no que concerne às funções repressoras); se o estado é o braço pedagógico ao serviço da demagogia neoliberal, não é para admirar que os funcionários pagos pelo sistema, só lhes fica bem servir lealmente quem os ajuda a ser alguém; os políticos e os altos funcionários da nação são reféns de uma elite internacional, que não permite devanios hamanitários, por mais imprescindíveis que os mesmos sejam à recuperação da dignidade humana dos cidadãos, o inverso parece ser mais plausível, apertar o garrote económico, preventivamente, o dinheiro investido em projectos socais não lucrativos, são denominados por hemorregia insidiosa pelos agiotas economicistas.
A classe média encontra-se sob fogo cerrado, é do seu magro pecúlio que os cofres do estado são abastecidos; o cidadão da classe média submete-se ao saque, resigna-se, um dia a retoma acabará por resgatá-lo do situação crítica em que se encontra. Mais uma vez estão a mentir-lhe, a actual situação mundial, apesar da pujança de alguns mercados, como o caso da China, o facto é que estamos perante um fenómeno de riqueza localizada, na verdade só um ounhado de cidadãos usufrui plenamente dos benefícios da sociedade de consumo; a classe média-alta emergente, oportunista, consegue à custa da exploração sem escrúpulos dos trabalhadores, ostentar sinais exteriores de riqueza que causam inveja a muitos europeus e americanos, são sinais que enganadores, não porque não sejam reais, mas porque assentam na exclusão social, na pobreza, e também rejeitam os verdadeiros objectivos do desenvolvimento sustentável, o que de facto se verifica é a escalada da busca desenfreada de sucesso individual e riqueza pessoal, à custa do bem estar comum e da detioração do meio-ambiente, o aumento da poluição na China é assustador. O estado chinés faz aquilo que é comum qualquer estado fazer, alargar o poder militar, modernizar para conseguir atingir a supremacia que lhe possa dar o lugar da potência emergente deste século, mas isto não é desenvolvimento, é crime contra a humanidade, é usurpação sistemática dos direitos humanos, com o apoio das principais forças económicas do globo, que alimentam o gigante e pretendem usá-lo como máquina d extermínio económico, ao mesmo tempo que tudo farão para que as «culpas» possam ser atribuídas à política chinesa dos salários baixos, que lhes permite produzir a baixos custos e inundar os mercados europeu e americano de toda a espécie de produtos de consumo, a preços imbatíveis, o acordo de livre comércio não permite que se feche as fronteiras, mas permite que se fechem as fábricas na Europa, e permite que o desemprego aumente e a instabilidade social alastre e que depois, ainda tenham o desplante de afirmar que o problema está no envelhecimento da população; usar uma verdade parcial, um fragmento de uma vasta realidade que em muitos casos não muito fácil de compreender como um todo, e ao mesmo tempo conseguir perceber o funcionamento das partes de per si.
Durante algumas décadas, o ocidente assemelhou-se ao paraíso, um paraíso imperfeito, é certo, mas sem dúvida um espaço geográfico onde a democracia e a liberdade mantinha hasteada a esperança no progresso da humanidade, durou pouco, os ventos mudaram de direcção, o desenvolvimento trouxe intoxicação social, os interesses geoestratégicos deslocaram-se para outras paragens, as descobertas científicas permitiram o desenvolvimento das tecnologias da alienação, nasceram novos mitos, propagados pela televisão, a fantasia ocupou o lugar da liberdade de comunicação.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 11:47 AM | Comentários (1) | TrackBack

agosto 26, 2004

«Fear Not the Forces of Darkness»

There has been some particularly nasty disinformation around this summer's Bilderberg Conferances including a false participant list and a message on the "June 18th global day of action" list from a made-up organisation accusing me of being taken in by Nazis (www.bilderberg.org/1999.htm#warning).

Please do check Bilderberg out for yourself on the site I created free of speculation and racist claptrap to fill the knowledge gap from those on "left" and "greens" about this global manipulators.

The alignment of the most powerful banking, media, and political forces at unaccountable foruns must be taken seriously. Will Hutton calls them "The High Priests of Globalization". Vandana Shiva, at last years People's Summit in Birmingham, called Globalization: "The New Totalitatianism". We would hardly expect Bilderberg - wi«hich was started by Prince Bernhard of the Netherlands - card carrying member of the SS at the beginning of World War II (www.bilderberg.org/bernhard.htm) - to be open about their activities or averse to a bit of disinformation.

Globalisation of their ownership power is the goal. "Public opinion" and "democracy" are competition that must be taken out of the picture. The annual meetings attempt to persuade powerful people who are critical of Globalisation to "get on board". This leaves the prime movers behing the pseudo-philosophy of Globalisation as a rich and powerful clutch of unaccountable "High Priests": David Rockefeller, Evelyn De Rothschild, Henry Kissinger etc... The Blairs and the Clintons of this world are merely their "followers".

Bilderberg appears to allow information to leak out to rigth-wing organisations like The Spotligth in the US so that information can be discredited as the rantings of extremists. Bilderberg produces official participant lists - which are on my site - bul I have testimonial evidence (www.bilderberg.org/1998.htm#Blair) these lists are only partial and that heads of state, influencial bankers and pthers are "missed of" the list to make the meeting seem less newsworthy.

Anything you can do to discredit the lies and prompt informed discussion about Bilderbergers amongst journalists and in the newspapers/radio/TV etc. will be a service to the public.

I think we are entering a very dangerous time i history with the prospect of Global Corporate Rule moving ever nearer. These corporations and their top-down structures are totalitarian and apparently immortal. It is important that people are informed as to the dangers but they stand little chance of that with the media becoming idealogically narrower and every day being consolidated into fewer hands.

It is worth remenbering that the solution to the cloud of darkness these great de-humanised profit machines cast across our world may well be spiritual rather than political.

7th of July 1999 -- Tony Gosling

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Jornalismo ou... idiotia premeditada?!

"It's not enough for journalists to see themselves as mere messengers without understanding the hidden agendas of the message and myths that surround it"

John Pilger

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 01:33 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 23, 2004

«O desastre económico do Brasil»

Sucumbindo aos ataques especulativos, a bolsa de valores de São Paulo sofreu uma derrocada na Quarta-Feira Negra, 13 de Janeiro de 1999. Os cofres do banco central do Brasil tinham sido abertos de par em par; a paridade de variabilidade limitada do real em relação ao dólar foi abandonada.
O governador do Banco Central, Gustavo Franco, foi substituído por um catedrático de Economia, Francisco Lopes, que foi imediatamente expedido para Washington acompanhado pelo ministro das Finanças, Pedro Malan, para «consultas» a alto nível com o FMI e o Tesouro dos EUA. Esta escapadela de fim-de-semana com os funcionários de Washington foi o preâmbulo para uma reunião matutina realizada alguns dias depois, no Banco da Reserva Federal em Nova Iorque, com os credores do Brasil. Entre os convidados para o pequeno-almoço contavam-se o especulador George Soros, do Quantum Hedge Fund, Willian Rhodes, vice-presidente do Citigroup, Jon Corzine, da Goldman Sachs, e David Komansky, da Merrill Lynch (1). Esta reunião privada à porta fechada foi crucial. Rhodes era o líder do Comité Bancário de Nova Iorque em representação dos credores comerciais do Brasil. Tinha negociado com o presidente Fernando Henrique Cardoso quando este ocupava o cargo de ministro das Finanças, em 1993-1994. A «reestruturação» da dívida externa do Brasil --- juntamente com a adopção do chamado «Plano Real» --- fora imposta pelo Comité Bancário de Nova Iorque. Este programa de «estabilização económica» contribuíra para o crescimento considerável da dívida externa do Brasil, de 60 mil milhões de dólares em 1994 para mais de 350 mil milhões em 1998...
Entretanto, a opinião pública tinha sido cuidadosamente enganada quanto às causas do colapso financeiro: dizia-se que a «gripe asiática» se estava a espalhar... Os meios de comunicação globais tinham levianamente culpado o «governador rebelde» de Minas Gerais, Itamar Franco (ex-presidente do Brasil), por este ter declarado uma moratória dos pagamentos de dívidas ao governo federal (2). Dizia-se que a ameaça de uma iminente falta de pagamento da dívida por parte dos governos estaduais afectara a «credibilidade económica» do Brasil.
As culpas foram também atribuídas ao Congresso do Brasil, por este não ter «carimbado» uam autorização rápida e incondicional ao letal remédio económico do FMI. Este exigia cortes orçamentais da ordem dos 28 mil milhões de dólares (traduzidos em despedimentos em massa de funcionários públicos, no desmantelamento de programas sociais, na venda de activos do Estado, no congelamento das transferências de fundos para os governos estaduais e na canalização das receitas do Estado para o serviço da dívida) (3).
(1) Estado de São Paulo, 21 de Janeiro de 1999.
(2) Foi declarada uma moratória de 90 dias. Ver Financial Times, Londres, 18 de Janeiro de 1999, p. 4.
(3) Conferência de imprensa de Michel Camdessus e Stanley Fischer, Washington, 13 de Novembro de 1998. Ver também «Letter of Intent» e «Brasil: Memorandum of Economic Policies», Washington, 13 de Novembro de 1998.

Michel Chossudovsky, A Globalização da Pobreza e A Nova Ordem Mundial

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 07:00 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 22, 2004

Homem, Deus, Dinheiro... A tríade mitómana!

O espiríto livre reage à cultura de massificação, rejeita peremptoriamente que façam dele animal de engorda para abate comercial. A era em que vivemos nisso não é distinta de nenhuma outra; a propaganda oficial tem por finalidade afastar os cidadãos da realidade, ocultando os factos de todas as formas possíveis e inimagináveis, de maneira a que a verdade permaneça inacessível ao cidadão comum; a propaganda é a argamassa a partir da qual o poder vigente constroi barreiras fisícas e ambientais, e difunde mensagens de constragimento psicológico e chantagem emocional.

O cérebro humano cresceu, cresceu, cresceu... (excesso de fermento) até transbordar! Um crescimento, teve consequências, uma das principais, a incapacidade para o ser humano explicar esse crescimento; a mais perigosa, aprender a lidar, saudavelmente com o mesmo. A espécie humana deambulou pelo mundo em busca do paraíso, desenterrou uma pléiade de divindades em busca de conforto; recolheu-se em cavernas obscuras, e desenhou nas paredes as memórias do seu entendimento, como quem deseja justificar o exagerado crescimento do cérebro humano. Pueril, mas plausível, quando o animal humano se vê rodeado de vida em profusão e o seu enorme cerébro exigindo justificação, o fascínio inicial dá lugar ao colapso do entendimento racional; o fenómeno é complexo, e ele nem bem sabe, ainda, se é vida, que estremece dentro de si, reflectindo a realidade ambiental em permanente mutação.

O conhecimento pode ser representado como uma rede de candeeiros de iluminação pública; que guia o ser humano através da escuridão tenebrosa; podemos imaginar, como era escassa, a rede de iluminação, e enorme o manto de obscuridade, nos primódios da humanidade, na aurora da civilização e nos dias que correm, para manter a tradição! Atravessar a escuridão, implica tropeçar, com frequência, em pesadelos e cair desamparadamente em abismos e outros enredos; que gelam a imaginação ao mais temerário cidadão. Com o evoluir dos tempos, e as melhorias de adaptação, a escuridão deu lugar à iluminação, uns quantos «iluminados» enviados de paragens distantes, traziam novidades de reinos hilariantes, as divindades começaram a ser encaradas como oportunidades de negócio de sucesso, social e «espiritual»; um «produto» milagroso, com génese no fenómeno mais universal, mais camaleónico, mais dinâmico, mais plástico, mais adaptável, mais mutável, mais omnisciente, o que ainda hoje «ilumina» mais ideias «geniais», e tolera bem a barbárie, pelo menos tem-lhe sobrevivido, uma e outra vez, sem mostrar sinais de cansaço, enjoo, ou nojo, pois frequentemente reclama masi um punhado de vítimas (o número é irrelevante, desde que quebre a monotonia); saberão porventura de entidade mais mística que a que acabo de descrever (muito superficialmente)? Claro! A IGNORÂNCIA; a infatigável força, a melhor linha de produção de equívocos, com maior indíce de produtividade que a humanidade tem explorado exaustivamente, sem ter percebido, porque o faz, é uma daqueles paradoxos, que ilustra o teor de imbecilização, o insustentável lastro deste barco sem rumo, a civilização.

A IGNORÂNCIA tem permanecido como mais importante «guia espiritual» da humanidade, desde os primórdios até à presente era; uma humanidade que tem permanecido fiel aos mitos e superstições, às crenças e lendas, aos preconceitos e tradições, porque será tão difícil atingir um razoável nível de emancipação, face à omnisciência hegemónica de um poder que aproveitado até às últimas consequências por outro poder, o derradeiro mito: O DINHEIRO!

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 09:23 PM | Comentários (0) | TrackBack

«Concentração sem precedentes de poder financeiro global»

Embora a Lei de Serviços Financeiros americana de 1999 não derrube, por si só, as barreiras que ainda se erguem à livre circulação de capitais, na prática confere poderes aos principais actores de Wall Street, entre os quais se contam a Merrill Lynch, o Citigroup, J. P. Morgan, Lehman Brothers, etc., para desenvolverrem uma posição hegemónica na banca global, dominando e em última análise desestabilizando os sistemas financeiros globais na Ásia, América Latina e Europa de Leste...
A desregulação financeira nos EUA criou um ambiente propício a uma concentração sem precedentes de poder financeiro global. Determinou igualmente o titmo das reformas financeiras e comerciais a nível global, sob os auspícios do FMI e da Organização Mundial do Comércio (OMC). As cláusulas do Acordo Geral sobre Serviços (GATS) e do Acordo sobre Serviços Financeiros (FTA) da OMC implicam o derrube das barreiras que restam à circulação de capital financeiro, raduzindo-se numa total liberdade de movimentos do Merrill Lynch, do Citigroup ou do Deustche-Bankers Trust, o que desencadeará a falência de bancos e instituições financeiras nacionais.
Na prática, este processo já se verificou num grande número de países em vias de desenvolvimento, ao abrigo dos programas de falência e privatização impostos numa base ad hoc pelas instituições de Bretton Woods. Por outras palavras, os megabancos penetraram na paisagem financeira de países em vias de desenvolvimento, apossando-se do controlo de instituições bancárias e serviços financeiros. Neste processo, foi concedido um «tratamento nacional» de facto aos gigantes financeiros: sem recurso às cláusulas do Acordo sobre Serviços Financeiros (FTA) da OMC, os bancos de Wall Street tornaram-se legítimos «bancos nacionais» na Coreia, Paquistão, Argentina e Brasil, funcionando como instituições nacionais e governados por leis internas que estão a ser alteradas sob a supervisão do FMI-Banco Mundial.
Os gigantes dos serviços financeiros dos EUA e da Europa não necessitam da adopção formal do GATS para dominarem as instituições bancárias no mundo inteiro e fazerem sombra aos governos nacionais. O processo de desregulação financeira global é em muitos aspectos um facto consumado. Wall Street tem invadido país após país. Os sistemas bancários internos vão a leilão, reorganizados sob a supervisão de credores externos. As instituições financeiras nacionais são rotineiramente desestabilizadas e obrigadas a fecharem as portas, daí resultando invariavelmente desemprego em massa e pobreza. Com a assistência do FMI -- que tem por hábito obrigar os países a abrirem o sector bancário interno ao investimento estrangeiro --, bancos comerciais, empresas de corretagem e companhias de seguros são adquiridos pelo capital estrangeiro e reorganizados. O Citigroup, entre outros gigantes de Wall Street, etm adquirido bancos e instituições financeiras a preços de saldo na Ásia, América Latina e Europa de Leste. De uma assentada, o Citigroup adquiriu a rede de 106 dependências do Banco Mayo Cooperativo Ltda., tornando-se assim o segundo maior banco da Argentina.

Michel Chossudovsy, A Globalização da Pobreza e A Nova Ordem Mundial

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agosto 21, 2004

Não se pode perder de vista o leme deste barco

A humanidade encontra-se numa encruzilhada muito pouco confortável:
Depende do desenvolvimento para melhorar as condições de vida das populações, por um lado, mas por outro lado, necessita de encontrar soluções para certo tipo de problemas que foram descurados no passado, por negligências de natureza diversa, predominantemente para evitar despesas públicas e/ou privadas sem retorno garantido; pelo menos a curto, médio-prazo, e como o dinheiro não fica sem ser aplicado; no sector público, as prioridades são ditadas pela visibilidade das obras executadas; manobra que por si só, não garante a reeleição, mas pelo menos dá uma boa ajuda; quanto ao sector privado, acontece um pouco o oposto, o dinheiro é preferencialmente aplicado em algo que proporcione alta rentabilidade, ou desviado para contas de aforro personalizado, não especifivado.
A investigação científica depende de investimentos avultados para poder avançar com as pesquisas, o dinheiro público é um bem cada vez mais escasso; o que faz com que os organismos dependentes do estado, não tenham muitas vezes as condições mínimas para atingir objectivos dignos de nota, ou seja, que tragam algum benefício pragmático à sociedade; claro que ainda existem países em que o sector público é responsável por investigação científica de qualidade, mas de um modo geral, a contenção orçamental obriga a cortes, porque há que respeitar metas acordadas (quanto a mim, parece-me que algumas metas andam é a dormir, quero dizer, tem por função, por uns a dormir, que nem passarinhos, enquanto a outros parece ter por finalidade proprcionar-lhes terríveis insónias, ou mesmo insuportáveis pesadelos!) internacionalmente. A investigação científica está cada vez mais dependente do sector privado, ou seja, o sector privado paulatinamente é dono do conhecimento, o que, numa sociedade dependente da tecnologia, lhe garante um poder difícil de recuperar por parte das instituições públicas que constituem o estado; então, é legítimo dizer que quanto mais a investigação científica estiver entregue ao sector privado, mais fácil será os organizações privadas dominarem e manipularem os mercados e consequentemente os estados, se isto não é óbvio, não sei o que o seja, o estado, não sou se está a demitir das suas funções de principal dinamizador da área educativa e científica como ainda por cima, permite que os privados acumulem saber científico, o que dá a essas companhias um estatuto de excepção dentro dos estados, detentoras de conhecimento que vai dar origem a tecnologias inovadoras, as quais podem ser usadas para manipular governos, inflacionar preços, desestabilizar mercados, impedir o acesso aos benefícios das descobertas mais recentes à maioria da população (mesmo nos países ditos desenvolvidos, muita gente não tem poder de compra suficiente para conseguir resolver problemas dem saúde, que dependem de tecnologias recentes extremamente dispendiosas); se o dinheiro é um poder avassalador, quando complementado com a exclusividade do conhecimento, o sector privado está neste momento nessa situação, possui o dinheiro, os recursos humanos, os meios logistícos, as tecnologias e o conhecimento que permite à iniciativa privada, ter o futuro nas mãos, isto quer dizer que são as instituições privadas a dar cartas; na maioria dos países, o estado, jé não consegue exercer cabalmente a sua função reguladora, e a classe política, é cada vez mais, representada por cidadãos que tem ligações ao sector privado, e mesmo quando assim bnão acontece, serão pressionados e assediados para não dificultarem as a vida ao sector privado, o sector que cria a riqueza, supostamente produtivo, como se parte significativa do sector privado não exerce, única e exclusivamente actividade especulativa, e antes que o dinheiro possa reverter a favor do estado (por intermédio dos impostos e outras formas de receita pública), já foi convertindo em invetimentos e aplicações e fundos e sabe-se lá que mais... a iniciativa privada não brinca, aliás o estado, é cada vez um alvo mais fácil, os bancos centrais de cada país, nunca estiveram tão vulneráveis aos ataques dos agentes especuladores, que em instantes depauperam as recursos financeiros de qualquer, deixando-o a estrebuchar, como animal atropelado na berna de uma qualquer estrada movimentada, toda a gente vê, que o animal precisa de ajuda, mas a indiferença fala mais alto, o trânsito financeiro não vai parar para ajudar um país em apuros a levantar a cabeça, o contrário, é mais certo, o sector privado não tem como função intervir a favor dos interesses do estado, em detrimento do seu próprio interesse, e o estado, que tem feito, ao longo dos últimos anos, desviado dinheiro de investimentos prioritários no sector da educação (e claro da investigação científica) para subsidiar projectos privados, muitos dos quais de natureza fraudulenta, o cidadão comum é que nunca vai saber, quanto dinheiro foi desbaratado dessa forma e quantos projectos que podiam já hoje estar a dar frutos não foram aprovados, ou nem sequer equacionados?!
Neste impasse se encontra a humanidade, não digo este nem aquele país em particular, porque teria eu próprio de fazer investigação exaustiva; todos sabemos que existe um grupo muito restrito países priveligiados, que no entanto, momento hsitórico que estamos a atravessar, os respectivos estados desse países estão a ser minados por dentro, como já disse, o sentido de estado está cada vez abalado, e a promiscuidade entre vários sectores de actividade privada, mantêem relações pouco transparentes com diversos organismos de estado; o cidadão sabe muito pouco da verdadeira actividade política (das reuniões secretas, dos acordos, igualmente secretos, das jogadas de bastidores, em suma, dessa actividade política paralela, o estado raras vezes sai a ganhar, os privados exigem comtrapartidas, para não deslocalizarem as empresas, fazem pressão para que se altere a legislação laboral, enfim, a concertação social só é pública quando os representantes da classe trabalhadora entram em cena.)
As responsabilidades do estado como dinamizador do desenvolvimento estão seriamente comprometidas, palas razões atrás descritas; oa governos cada vez mais são gestores de tempo, ou seja, para além das medidas paliativas e dos inevitáveis investimentos para calar a boca ao povo, e para manter as empresas de pequena e média dimensão a funcionar (apesar de muitas vezes julgarem que não, os administradores das pequenas e médias empresas, assim como os seus quadros, também são povo; mesmo que, a diferença lhes pareça abissal, estão longe de conceber o que é dinheiro e poder a sério!); as pessoas vão continuar a manter as suas tarefas habituais, a normalidade costumeira não foi alterada, os transeuntes cruzam-se igualmente às mesmas horas, o mesmo ar acabrunhado, talvez se dê por falta de akguém que pode ter perdido o emprego, talvez tenha emigrado, enfim, a imaginação particular de cada um, descobre um destino a dar a alguém que por qualquer motivo descobrimos faltar no ramalhete habitual, que ao cair da tarde passa pelo mesmo local, jé murcho, em direcção oposta. O que se passa, transcende a normalidade, passa-se no foro intímo de cada um, o excesso de horas de trabalho, a má alimentação, as longas horas de transporte público, os problemas escolares dos filhos, a falta de paciência, aquela desconfiança em relação ao cônjugue que mina a relação, o cidadão comum, pode dizer-se que vive emparedado, e não sabe como sair do atoleiro, ele não sabe, e muitas vezes, perfilam-se no horizonte fiadas de inimigos imaginários, que ele supõe estarem a conspirar contra ele, acerta ao lado, uma e outra vez, destila ódios, carrega desilusões, gostava de ver nos filhos um sorriso diferente, mas lá em casa só entra a «BOLA» para ler, e todos vestem uma camisola, que lhes ilude a miséria, por momentos, muda o recheio, dentro de um homem existe cresce um sonho, ter um filho a ganhar dinheiro, dentro do relvado de corpo inteiro, a dominar o esférico, convicto de ganhar o torneio! O jantar é servido, mas o entusiasmo não abranda, grita com o arbítro, enfim...

Para fazer sentido, pelo menos tal como eu desejava, merece ter continuação...

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 08:45 PM | Comentários (1) | TrackBack

A estranha identidade, que preenche as entranhas do Ser, que inevitavelmente somos; ou tendencialmente, deveríamos ser

Imaginem um imenso mar viscoso, um oceano de ignorância interminável, onde cada um de nós, tenta manter-se à tona, de acordo com as capacidades desenvolvidas. Ora, acontece que antes de conseguirmos controlar os movimentos, regular a respiração e evitar esbracejar descoordenadamente, sem sair do mesmo sítio, engolimos inadvertidamente uma quantidade desse líquido viscoso, composto por todos os elementos que possamos imaginar fazerem parte da ignorância, cuja capacidade de mutação e mobilidade dentro da realidade cultural é de um dinanismo inacreditavelmente transcendental, e digo transcendental porque ultrapassa a compreensão comum, apesar de afectar profunda e irreversivelmente a conduta humana, devido ao emarenhado de influências que alteram a actividade mental, causando distúrbios emocionais que perturbam a saúde psicológica dos indivíduos, ao toamrem as rédeas do chamado livre arbítrio, que é suposto estar ao serviço da liberdade de pensamento, que todos consideram ter em abundância, só que não é assim tão fácil, nem se adquire por mera formação académica (caso o indivíduo não sinta necessidade de romper as barreiras que o impedem de compreender muitos dos fenómenos culturais que estão na origem das injustiças sociais e do caótico modelo de civilização em que supostamente devia sentir-se como peixe na água; o cidadão deixa-se levar pela corrente, e acha normal engolir regularmente umas gotas daquele liquído viscoso, mas se adapta ao paladar individual, para não levantar tantas suspeitas); o percurso individual requer um estimulo adicional (por vezes esse estímulo chega-nos por via interior, quando um mal estar difuso se torna uma constante, e começa a subsistira necessidade de compreender a origem de um mal que não sendo físico, repercute-se no corpo, mas mais ainda no ânimo, alastrando como se fosse um tumor maligno, invasivo, um peso de origem desconhecida a impedir a liberdade de movimentos, o pensamento mergulha num letargo ansioso, sufocante, delirante... até começar a reagir, pode demorar bastante, pode necessitar de estímulo exterior, cuja origem quase sempre se deve a inspiração vinda de outro ser humano, que por vezes nem bem se percebe porque se nos atravessa no caminho, os acasos acontecem e muitas vezes, trazem mudanças drásticas de percepção da realidade cultural (parcial; o hábito transforma-nos em prisioneiros voluntários de um cadinho onde o drama pessoal é experimentado como uma espécie de tragédia universal, quando na verdade estamos metidos no incomensurável poço quotidiano, palco onde temos que representar o insignificante papel, que nos foi distribuído em parte pelo acaso, o livre arbítrio afinal, submete-se ao encurralamento promovido por entidades e instituições sociais, políticas e culturais que mantém o indivíduo prisioneiro de uma realidade cultural labiríntica; um emarenhado de pseudo-opções pessoais e profissionais, que devem estar na base de um projecto de vida e de cidadania são apresentadas como alternativas resplandescentes, claro que os efeitos colaterais, as reacções alérgicas, o desencanto, a inadaptação, a insegurança, o envenenamento progressivo, em suma o encurralamento cultural é uma realidade cultural, que paulatinamente se transforma em masmorra existencial, uma guerra perdida para o indivíduo, mais pela descredibilização do indivíduo, mais pelo facto da dificuldade que ele próprio tem em libertar-se dos preconceitos, mitos, dogmas religiosos, económicos, sociais... e apresentar-se a público tal como é, mas como pode ele, ela, o, a ... lutar pela emancipação, de uma identidade, que lhes é estranha?!
A ignorância possui de facto muitos rostos, cada país possui uma bandeira, um rosto, uma personalidade, e quer à força ter superioridade, parece que a finalidade de qualquer país é transformar-se numa ameaça para outros países, que ondulam à sombra de outras bandeiras, hinos guerreiros, medalhas olímpicas, tudo serve para demonstrar a colectiva insanidade, resignada e submetida à mentira orgulhosa da superioridade rácica, intelectual, económica, militar, tecnológica e tudo quanto o mais que a imaginação possa acrescentar, a vontade individual não conta, a opinião, o livre arbítrio também não, o patriotismo sim, é uma expresão de bom senso universalmente reconhecida, e analtecida por muitos, entre os quais, tantos que sofrem na pele os desastres que resultam das muitas campanhas irracionais que os países se lançam, a humanidade (de que aparentemente, muitos se esquecem de pertencer) vive um luto permanente, no entanto, poucos tem a ousadia de sair da sombra afectada da bandeira que faz deles cidadãos de um país, afim de ajudar a sanar as feridas que não param de alastrar, cada vez mais profundamente numa humanidade, cada vez mais desprotegida; e resistir às investidas patrióticas que levam as pessoas a lutar por falsos valores humanitários à medida que a violência ganha terreno dentro de qualquer país, parece ser aliás, a única coisa que cresce (cresce também a população, ao que parece devido à ignorância, a pior das violências que impede o humanidade de desenvolver as condições para criar uma civilização verdadeiramente espiritual) tudo o resto, da economia, ao ambiente, o bom senso, a comunicação, a cooperação, está em regressão, a própria vida definha, e continuam os patriotas a defender a superioridade letal, que os seus países reservam para os outros países, ao que parece, repletos de seres humanos culturalmente inferiores, em certos casos infra-humanos, quando aignorância é a ideologia predominante, a consciência individual é estigmatizada, a liberdade de pensamento ostracizada, a descoberta da identidade cerceada, as autoridades recorrem a sevícias morais, psicológicas, físicas, emocionais, religiosas... de maneira a manter os níveis de intoxicação patriótica adequados às necessidades de alienação colectiva, torna-se mais fácil lidar as bestas ´na arena pública e no teatro de guerra privado, o animal humano além de estar instrumentalizado, pode quando as circunstâncias o exigem, ser espancado, para regressar ao caminho certo, quando o poder detecta que o mesmo nada tresmalhado.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 09:55 AM | Comentários (2) | TrackBack

agosto 20, 2004

Uma crise petrolífera forjada!

De facto, o mercado funciona em pleno. Os meios de comunicação social até agora, não mencionaram que tivessem existido manobras de bastidores, ou que haja indícios de aproveitamento especulativo em torno das crises por todos conhecidas (Iraque, Venezuela e Rússia). Rezam os noticiários que a actual subida de preços se deve ao aumento extraordinário da procura por parte de muitos países apreensivos com a crise política na Venezuela e a ameaça de falência da empresa petrolífera russa (de que não me lembro o nome), o caso iraquiano não deveria ser surpresa, nem justifica servir de bode expiatório, para eventuais explicações de mau gosto e má fé, como as que escarram na cara dos espectadores, ao jeito de notícias sérias (são de facto preocupantes para pelos motivos que são matidos camuflados); parece então que muitos países detectando no ar, os governos modernos recorrem a cães treinados para o efeito, animais capazes de farejar a escassez de ouro negro no mercado, de modo a que eles, humanos reponham as ditas reservas estratégicas, enquanto é tempo, antes que haja rupturas de fornecimento nos principais mercados mundiais; ora aí está, os diligentes animais deram o sinal e a corrida ao ouro negro por parte dos principais países consumidores originou a crise que está a abalar os mercados mundiais; a culpa ainda há-de ser atribuida aos cães que deram o sinal, os governantes limitaram-se a seguir as indicações dos técnicos, neste presente crise, dos técnicos canídeos! Então a crise foi despoletada pela procura desenfreada de ouro negro, o motivo: manter as reservas estratégicas a níveis que não comprometam a economia dos respectivos países.
Tudo isto é plausível, e tudo isto pode ser parcialmente verdade, desmancha prazeres eu? Não! Ou melhor; porque não?! As explicações lineares para tão labirínticas «correcções» de mercado, não sossegam nem as almas inocentes, quanto mais os cépticos renitentes, então, que haja alguém que esclareça quem manda forjar as notícias? no interesse de quem? qual dos venenos deve a opinião pública tomar? Quem está interessado em causar ansiedade e aumentar o sentimento de insegurança, que como todos sabemos, é cada vez amsi o pão nosso de cada dia? E já agora, confundir e desmoralizar o cidadão comum, manietá-lo, até onde desejam levar a farsa... o que vão fazer quanto já os diques começarem a dar de si, quantas infelizes serão sacrificados, em nome de quê? Nem que fosse dotado de poderes sobrenaturais poderia compreender exaustivamente o alcance da perversão obscurantista com vista para a aniquilação irreversível da esperança em que a empreitada seja dada por terminada e alguém consiga sentar as pessoas a conversar, a debater que projecto de civilização se pretende implantar neste planeta que é a única cas que possuímos, deixem-se de fantasias de condomínios fechados e paraísos artificais, longe da desordem e da sofisticação dos meios de propagar a violência até... onde nem a imaginação mais delirante se atreve a ir.
Alguém acredita que os governantes da maioria dos países tenham sido surpreendidos pelos aumentos dos combustíveis? Os cidadãos até reconhecem que uma das virtudes mais relevantes dos políticos da actualidade é a incompetência, mas a ingenuidade do povo tem limites e a indulgência também os deveria ter, para aceitar de ânimo leve a inexistência de informação que alerta-se para o perigo desta situação acontecer. Mas para que servem os conselheiros; os economistas consultores para as questões energéticas; os comentadores especializados em questões económicas e estratégicas, exímios a vaticinar recessões e a prever retomas que chegam tarde e a más horas, e tal como está a acontecer no nosso país, a retoma é inexistente.
Toda esta gente foi apanhada desprevenida, então como justificam o ordenado que ganham? Se nem para advertir os atarefados ministros e secretários de estado servem, para que os mesmos possam prevenir as catástrofes; é para isso que deviam servir os cartomantes especializados em economia. No caso português, subitamente as energias alternativas aparecem no topo das prioridades, como alternativa credível; então vamos meter mãos à obra, quer isto dizer, conceber um plano em cima do joelho de algum dos muitos iluminados a quu as autoridades deste país dá ouvidos, vá-se lá saber porquê? os que podiam fazer a diferença, quando ouvidos atempadamente, são ignorados e quase sempre abalam em busca de guarida digna no estrangeiro; o que revela algo extraordinário a propósito deste país e o torna imbatível, pelo menos numa coisa, humilhar e desprezar os cidadãos mais válidos, chego a pensar, se esta mesquinhez atávica será devida a alguma praga que a mãe do primeiro rei de Portugal rogou ao filho, que nunca foi devidamente esconjurada! O melhor seria o país ir à bruxa; talvez a Bruxelas?!
Este deve ser o país dos azares; uns a seguir aos outros, só pode ser bruxedo; talvez os políticos que não sigam a preceito os rituais iniciáticos, ficando vulneráveis ao ataque de espíritos malignos?!
Bem, com tudo isto; quem é que está afinal a puxar os cordlinhos à bolsa onde o petróleo é escravo e o dólar rei? Cheira-me a especulação da grossa; a fogo posto, financeiro! Vulgarizado. Mas, a transparência de funcionamento do mercado é verdadeiramente convincente, não há nada a fazer, os países, os seus respectivos governos, as instituições democráticas não podem interferir (excepção feita aos EUA, «A POTÊNCIA» é unanimemente reconhecida por garantir a «transparência», a olho nu!); nem mesmo que a recessão se agrave e a instabilidade social e política aumentem; não é possível fazer nada! Inevitavelmente; os governos dos diferentes países (democráticos, mas em vias de não o serem!) são responsáveis pela gestão dos «interesses» do estado e pelo bem estar da nação; mas nada podem fazer para alterar um pouco o funcionamento transparente, livre e democrático do mercado, o dogma neoliberal não pode ser perturbado; é nele que reside a esperança na renovação da sociedade, e os políticos da actualidade não estão dispostos a desperdiçar esta oportunidade de inundar o planeta num mar de imbecilidade:
Absurdo; nem por isso, trata-se da evolução «natural» da democracia; vejamos a comunicação social; quantos parasitas se acoitam num meio cada vez mais propício ao desenvolvimento de novas estirpes de imbecilidade, sempre prontos a difundir a mensagem, a servir a causa, a ter espiríto de missão, a minar sistematicamente a necessidade natural, que muitos cidadãos sentem de resistir à alienação.
As feridas sociais continuama supurar, os «remédios» económicos, nem paliativos chegama ser; agravam as doenças em vez das curar; o mercado funciona, tal com as antigas locomotivas a vapor, a fornalha sempre a pedir carvão e mais carvão, não podia era parar, o mercado também não parar é morrer, e o mercado não quer morrer, mas os «mercadores» estão dispostos a matar para vencer.

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«Efeito ensurdecedor»

"No entanto, acrescenta o engenheiro já citado, «podemos prever um cenário diferente. Imagine que você é um opositor político e que um dia, já de noite, volta para casa, de um comício; a certa altura, o seu carro, apesar da forma enérgica como você empunha o volante, não envereda pela saída que normalmente o leva a casa, conduzindo-o pelo contrário, através duma avenida distante, para um grande hangar anónimo em frente do qual se detém. As portas do seu carro recusam-se a abrir até ao momento em que agentes encapuçados o arrancam lá de dentro e atiram consigo para um imenso vestíbulo vazio, onde depara com centenas de companheiros de infortúnio, militantes ou simpatizantes».

Não vamos agora imaginar o resto, mas sabemos, graças a jovens manifestantes presentes no Fórum Social Europeu, que estas salas gigantescas já existem na região parisiense, prontas a receber populações inteiras de «deliquentes», detidos duma assentada, por exemplo, em manifestações proibidas ou tidas como violentas. Foi também lembrado nessa ocasião que canhões sónicos dignos das polícias secretas da Sildávia tintinesca estão desde já aptos a pôr multidões por terra, por efeito vibratório, ao mesmo tempo que podem ensurdecê-las.

Convém não esquecermos que, mesmo quando a eficácia se revela muito grande (como a dos métodos de detecção e comparação informatizada de indícios utilizados pela polícia britânica para prender nacionalistas irlandeses e, por extensão, para descobrir os membros dum grupo terrorista grego), ela parece dever-se a uma combinação de métodos em que o inumano tem uma parte crescente. Sabe-se que uma forma quase irresistível de obter confissões «sem violência» é a privação sensorial (câmara surda). Não recenseada entre as formas de tortura, nem por isso deixa de o ser, e das mais medonhas (explorada, por exemplo, contra os «prisioneiros» de Guantanamo pelo exército norte-americano).

Por conseguinte, o «controlo científico» das populações nunca será uma espécie de adaptação moderna da democracia, como demasiada gente -- justificadamente revoltada contra a insegurança contemporânea -- tende a acreditar. Esse controlo contém em si mesmo fermentos de um autocratismo inaceitável. Por isso mesmo -- quer se apresente como uma directiva para o bem estar sanitário, como investigação com vista a diminuir os acidentes rodoviários ou como meio para idntificar terroristas --, ele deve ser alvo dum acompanhamento cidadão extremamente atento.

Denis Duclos, Director de investigação no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científica), Paris, Autor entre outras obras, de Société-monde, le temps des ruptures, La Découverte, Paris, 2003.
Le Monde Diplomatique, «Quem tem medo do Big Brother?» (excerto) Agosto 2004

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 03:35 PM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 19, 2004

Garantir a ilusão, enquanto se ultimam os preparativos para mergulhar o mundo numa nova era «glaciar»

«A POTÊNCIA», pura e simplesmente não admite que alguém ouse «morder» a mão que defendeu e alimentou a democracia (que salvou o mundo da barbárie nazi), quando a mesma corria perigo de morte; a humanidade deve mostrar gratidão eterna, e mais deve pagar com língua de palmo, o gesto «altruísta» dos EUA. A história não para, aliás a história galopa, muitas vezes sem sair de onde está, mas as décadas inexoravelmente passam, e as novas gerações atraídas pela inebriante devassidão consumista e pela adrenalínica corrida ao sucesso passaram a não dar grande importância aos valores democráticos que estiveram à beira da inanição, mas que por se apresentarem tão saudavelmente em forma, a atitude descuidada, massificou-se, a guerra fria, arrefeceu os ânimos, até o mais obtuso cidadão não tinha dúvidas, o baluarte, o garante da democracia, continuava alerta, a adesão à devassidão consumista atraia cada vez mais adeptos, inclusivamente minava, os inquilinos do leste, descontentes com o défice democrático imposto pelo cinzentismo ditatorial comunista, o atraente colorido ocidental, a permanente festa da abundância, o jorro ininterrupto de diversão e entretenimento, a abolição progressiva dos tabus sexuais, a «insurreição» feminista, a saúde democrática ocidental permitia e parecia aguentar todas as tropelias possíveis e imagináveis, desde que os alicerces da actividade predatória capitalista não fossem minados, tudo o resto era permitido, qualquer iniciativa que estimule o consumo, deve ser acarinhada, ainda que a princípio, possa ser repudiada por abalar os valores tradicionais, mas o mercado sabe como adaptar-se e tirar proveito de todas as oportunidades de negócio que surjam, mesmo que sejam, a repugnância ética é coisa que não existe no mundo do negócio, e claro, a democracia ocidental conseguiu separar o trigo do joio, negócios são negócios, a democracia logo se há-se ver o que é, ou no que vai dar?!
A História fornece sempre pistas elucidativas, podem não estar escritas em grandes paragonas nos locais públicos, onde habitualmente se afixa publicidade comercial ou institucional, aliás nas entrelinhas, penso que se podem tirar, ilações, transperantes com a água, cada vez mais escassa, se calhar também esta consequência da evolução democrática ao estilo ocidental, seja uma prova elucidativa do carácter translucido, a «evoluir» da democracia que qualquer cidadão «lucído» deve eternamente estar grato aos EUA, continuam a não existir motivos para preocupações, a mão de ferro que não devemos morder (quanto mais não seja para evitar partir os dentes), as células estaminais desenvolveram tenazes de titânio, e espartilhos de fibra de carbono, para manter a estabilidade das novas, e igualmente das velhas e bafientas democracias, que gastam cada vez mais tempo, meios e recursos a lutar contra os fungos que invadem os cantos esconsos e obscuros das democracias pós-modernas.
Ora, enquanto os cidadãos livres permanecerem entrincheirados em democracias escorreitas entregues a uma vida fácil, serão invejados pelo resto do mundo; os antepassados dos actuais ditadores que controlam a economia de mecado, eufemisticamente designada por mercado «livre»; liberta da escumalha que atrapalhava as operações de limpeza e ordenamento global, levadas a cabo por agentes autorizados, difusores da democracia que sobrou; depois de abolida a cortina de ferro, que tanto pavor espalhou, até rebentar pelas costuras das contradições internas, a megalomania financeira aboliu fronteiras que impediam até à década de oitenta a expansão da democracia, que começava a estagnar, a dar sinais de fadiga, a apresentar algumas sequelas de tanta azáfama, de tanta má vida, a saúde, mesmo sendo democrática não é de ferro, mudar de ares e de hábitos, a democracia foi aconselhada pela junta médica internacional que tem por missão cuidar da saúde da humanidade, dentro dos parâmetros do conceito de normalidade universalmente aceite, dizia eu, e soube-o de fonte segura, que não posso revelar! que a democrracia foi aconselhada a declinar algumas das responsabilidades de maneira a preservar a integridade conveniente à nova era emergente do refinamento dos procedimentos democráticos globais.
A democracia exige uma manutenção demasiado dispendiosa, em época de austeridade orçamental, e os cofres da maioria dos países depauperados, os cortes orçamentais são inevitáveis, a democracia em breve será totalmente entregue à iniciativa privada, a fim de ser rentabilizada. Assim acabam os desperdícios, há quem já fale em haver necessidade de fechar algumas delegações menos produtivas, mas por enquanto, não foi possível obter qualquer informação da parte do comité internacional encarregue de matéria tão delicada.
As democracias acometidas por males incuráveis aos olhos da «medicina» política do momento, serão criogenadas até que eventualmente seja encontrada a cura para o problema. Nenhum país será discriminado, nenhuma instituição esquecida.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 11:44 AM | Comentários (1) | TrackBack

«Elogio do bom senso» (continuação)

"Uma grande parte dos crimes mais atrozes e dos piores prejuízos que se cometem neste planeta é perpetrada através destes organismos (FMI, Banco Mundial, OMC) pretensamente internacionais. As suas vítimas são os «desaparecidos»; não os que se perderam no horror das ditaduras militares, mas os que «desaparecem» na democracia. No meu país, o Uruguai, nos últimos anos, bem como no resto da América Latina e nas outras regiões do mundo, desapereceram os empregos, os salários, as aposentações, as fábricas, as terras, os rios, e até os nossos próprios filhos, forçados a emigrar em busca daquilo que perderam, retomando os passos, em sentido inverso, dos seus antepassados.

Acaso nos obrigará o bom senso a ter de suportar estas dores evitáveis? A aceitá-las, cruzando os braços, como se fossem a obra fatal do tempo ou da morte?

Aceitação, resignação? Temos de admitir que a pouco e pouco o mundo se torna menos justo. Para dar um exemplo, a diferença entre o salário da mulher e do homem já não é tão abissal como outrora. Mas ao ritmo a que as coisas vão, ou seja, nada depressa, a igualdade salarial entre homens e mulheres deverá realizar-se daqui a 475 anos! Que aconselha o bom senso? Esperar? Não há mulher nenhuma, que eu saiba, capaz de viver tanto tempo.

A verdadeira educação, a que emana do bom senso e conduz ao bom senso, ensina-nos a lutar para reavermos aquilo que nos usurparam. O bispo catalão Pedro Casaldaliga (2) tem uma longa experiência dos anos passados na floresta brasileira. O que ele diz é o seguinte: se é verdade que mais vale ensinar a pescar do que dar um peixe, em contrapartida para nada serve ensinar a pescar se os rios tiverem sido envenenados ou vendidos.
(2) Monsenhor Pedro Casaldaliga, nascido em 1928, religioso clarista, teólogo da libertação, bispo titular desde há 35 anos da prelatuar de São Félix de Araguaia, uma das mais pobres do Brazil, perdida nos confins do estado de Mato Grosso. Em 1992 o seu nome foi proposto para Prémio Nobel da Paz. (N. da R.)

Para pôr os ursos a dançar nos circos, o domador prepara-os; ao ritmo da música, bate-lhes no traseiro com um pau coberto de espetos: Se dançarem correctamente, o domador deixa de lhes bater e dá-lhes comida. De contrário a tortura continua, e à noite os ursos voltam para as jaulas de barriga vazia. Por medo, medo das pancadas e da fome, os ursos dançam. Do ponto de vista do domador isto é puro bom senso. Mas do ponto de vista do animal quebrantado?

Setembro de 2001, Nova Iorque. Quando o avião desventrou a segunda torre e esta começou a estalar e depois a desmoronar-se, as pessoas precipitaram-se pelas escadas abaixo a toda a pressa. Os altifalantes intimaram então todos os assalariados a regressar aos seus postos de trabalho. Quais terão agido com bom senso? Só os que desobedeceram se salvaram.

Para nos salvarmos, juntemos-nos. Como os dedos de uma mesma mão. Como os patos voadores de um mesmo voo.

Tecnologia do voo colectivo: o primeiro pato lança-se e abre caminho ao segundo, que indica o caminho ao terceiro, e a energia do terceiro leva o quarto pato a voar, que arrasta o quinto, e o impulso do quinto provoca o voo do sexto, que dá forças ao sétimo...

Quando o pato batedor se cansa, volta à cauda do bando e dá o lugar a outro, que sobe ao cume daquele V invertido que os patos desenham no ar. Todos sucessivamente irão à frente e atrás do grupo. Segundo o meu amigo Juan Diaz Bordenave (3), que não é «palmípedologista» mas que sabe da poda, nenhum pato se toma por superpato quando voa à frente, nem por subpato quando vai na cauda. Os patos, quanto ele, não perderam o bom senso.
(3) Juan Diaz Bordenave, ensaísta paraguaio, especialista de comunicação, autor entre outras obras, de Comunicación e Sociedad, Busqueda, Buenos Aires, 1985. (N. do R.)

Por Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio
Autor, entre outras obras, de As veias abertas da América Latina, Dinossauro, Lisboa, 1998, e De pernas para o ar, Caminho, Lisboa, 2002
Le Monde Diplomatique, Edição portuguesa, Agosto de 2004
(Tradução de Júlio Henriques)

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agosto 18, 2004

Eutanásia, na esteira do direito a morrer com dignidade

A eutanásia é um dos tabus mais inexpugnáveis das sociedades de tradição católica; isto deve-se ao facto da vida e ser propriedade divina e a morte por inerência se encontar sob a alçada do jugo divino; numa sociedade que tanto presa a propriedade privada, paradoxalmente, ao ser humano não é permitido ser «proprietário» do único bem material que verdadeiramente possui: oseu corpo. A quem pertence afinal o corpo? No meu caso pessoal, caso tivesse que prestar contas a alguma entidade, escolheria este belo planeta, maltratado por esta espécie de dementes vaidosos, na qual me incluo, que adoram castigar-se em rituais sado-masoquistas, e interpretações complicadas, que só um punhado de iniciados sabe descodificar, aos outros cabe agradecer a bondade que demonstram em fornecer pistas, conselhos e recados; o mal espreita em todo o lado, defender a eutanásia equivale, concerteza a estar possuído pelo demónio, possuídos pelo demónio estão todos os que tentam manietar a liberdade de pensamento, e os piores são os que o fazem em nome da divindade, uma maneira de fazer capitular a vontade ainda antes da criatura ter reunido vontade para arriscar penetrar em território desconhecido, o mal espreita, é incrível, como pessoas jovens, com cursos universitários, ou algo semelhante, podem ser tão vulneráveis a patranhas de cariz supersticioso, aceitando de ânimo leve, a sabedoria oculta que os mestres usam para «curar» os seus próprios problemas financeiros. Quanto a reflectir objectivamente sobre um assunto como a eutanásia, isso está fora de questão, a maioria das pessoas prefere evitar o assunto, a morte causa angústia, esconde-se da vista, por isso, nestes tempos frenéticos, a maioria dos moribundos marca encontro com a morte na triste solidão impessoal da enfermaria de um hospital.
O ser humano não está autorizado a parar o relógio que regula o sopro vital concedido por Deus, não é dono da seu corpo, deve aceitar as clausúlas do contrato e mesmo quando descobre anomalias e penosas disfunções, nunca deve ter o atrevimento de rescindir o contrato unilateralmente, esse comportamento revela pouca fé no Criador, que nunca se engana, e claro a agonia ajuda a ganhar o céu!
Dizem os intransigentes «defensores» da vida, que a mesma é sagrada! Como se os cidadãos que assumem uma postura tolerante, designadamente em ralação ao aborto e à eutanásia, fossem implicitamente defensores do extermínio da vida, e estivesem ao serviço de alguma seita satânica!
Infelizmente, certas instituições, continuam a fornecer modelos culturais e morais, cujas raízes mergulham na idade-média, as quais fomentam fobias injustificadas, os detentores da verdade, como sempre apoiam-se nos dogmas imutáveis de maneira a fazer perdurar a intransigência e em certos casos a mentira até ao absurdo de insultar a inteligência dos seus concidadãos, isto revela o quanto continuam agarrados à tradição, os seus sermões representavam a lei e a vida, os plebeus ignorantes eram e pelos vistos continuam a ser desprovidos de consciência, apresentam atraso significativo de maturidade intelectual e demonstram insensibilidade moral para discernir as opções que melhor servem os seus interesses de cidadãos livres, ainda que o assunto seja, exigir a própria morte. Irracionalidade! Não o creio.
A eutanásia é quase uma floresta impenetrável, o cidadão anónimo acaba por recorrer ao suicídio, depois de ter atravessado intermináveis desertos de solidão incompreendida, acontece frequentemente não ter a quem recorrer, não se encontra ao virar de cada esquina alguém capaz de perceber a linguagem de um suicida em potência! Não podemos confundir suicídio com eutanásia; no entanto, muitos casos de suicídio podiam ser evitados se houvesse serviços de apoio a cidadãos anónimos que desejam por termo à vida, sem recriminações, juízos de valor, ou paternalismos idiotas.
Esta não é uma questão menor, aliás, creio que se trata de uma questão crucial que pode afligir qualquer ser humano, em qualquer momento da sua existência. A prática do aborto, determina a interrupção de uma vida que está em formação, a eutanásia é uma decisão em que o único «lesado» é aquele que decide por fim a um ciclo de sofrimento insuportável; a vitíma e o carrasco, são uma só pessoa, por isso mesmo, deve ter apoio, por isso mesmo não deve ser castigada desnecessariamente pelos outros, por mais que lhes custe, a prolongar estados de sofrimento, como no caso de muitos doentes terminais, que já nem os cuidados paliativos lhes proporcionam qualquer alívio.
Quanto aos que se vão matando, sem que alguém tenha compreendido as razões que determinaram o acto suicida, creio eu que podiam ter vencido a crise se ao invés de estarem sózinhos, pudessem contar a alguém (se fosse possível ser atendido por um profissional discreto, que ajuda-se o candidato a suicida a contar a sua história e eventualmente a desembaraçar-se do pesadelo, uma causa (in)directa suficientemente forte para obscurecer a alma ao ponto de um indivíduo desejar desaparecer) sem que a voz se embarga-se de vergonha e nem sequer fosse capaz de contar ao que vinha.
O assunto pode ser polémico; mas para mim mais polémico é (para além do insulto que representa para a inteligência e a sensibilidade de cada ser humano, que possui uma identidade, que não deve ser humilhada seja em que circunstâncias forem, e muito menos pelos pretensos defensores da vida, como a mais sagrado de todos os valores), o mesmo ser tabu, para não mencionar, uma vez mais, o atestado de estupidez e imaturidade que algumas instituições fazem questão de passar a cidadãos que deviam ser livres pensadores, conscientes do valor intrínseco que representa a vida, mas igualmente atentos, ao sofrimento, que em muitas circunstâncias pode tornar-se um tormento insuperável.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 05:49 PM | Comentários (0) | TrackBack

«A POTÊNCIA» aposta na clemência!

«A POTÊNCIA» afinal aceita o resultado do referendo na Venezuela, constragida pois claro! Mas, penso que não é difícil perceber que tudo alguém vai tentar perceber o que aconteceu e preparar o terreno para que não volte a acontecer e apesar de Hugo Chavéz clamar alto e bom som que a Venezuela não se tornará uma colónia norte-americana, ele sabe que não está em condições de afrontar «A POTÊNCIA», a qual tem tudo a seu favor, enquanto ele, Hugo Chavéz, terá um reduzido número de apoiantes em quem possa confiar, a América Latina deveria falar a uma só voz, algo irrealizável, as carências generalizadas levam o povo desesperado a revoltar-se contra a miséria em que vive, mas o anafabetismo torna o povo demasiado vulnerável, e quem não está em condições de perceber as linhas mestras dos interesses que estão em causa, o combate é desigual, a manipulação ideológica é tremenda, e os meios de que dispõem não são adequadas, o povo é derrotado pelo pior dos inimigos: a ignorância; esta gente não está em condições de organizar-se e enfrentar as desastrosas e injustas clivagens sociais que estão na origem das condições miseráveis em que vivem, sem esquecer que estão igualmente mercé dos predadores internacionais, que não dão tréguas a qualquer governo, seja em que parte do globo for; não é difícil perceber a camisa de forças em que Hugo Chavéz está metido.
Por vezes, tenho a sensação de que as pessoas ainda não compreenderam que a política interna dos países está em vias de extinção, e se as forças políticas não admitem isso, é porque preferm fazer de conta que fazem alguma coisa, que o seu discurso vale de alguma coisa, são mandatários (e pagos para isso) das políticas dimanadas dos centros de decisão financeira (os fluxos financeiros dominam as agendas políticas, as decisões políticas estão sujeitas às regras da única ideologia aceite segundo os canónes internacionais, a ideologia neoliberal.
O que «A POTÊNCIA» pretende, de momento, é calar a opinião pública mundial, mostrar um pouco de tolerância, não é com vinagre que se apanham moscas e por vezes é necessário, adoçar os lábios à tal opinião pública mundial, essa massa de gente, uma amálgama heterógenea de pessoas de todas as estirpes possíveis, mas que em larga maioria se podem incluir numa única casta: cidadãos de memória comprovadamente curta. Como as medidas que verdadeiramente contam são tomadas nos bastidores das arenas políticas, e as decisões foram decididas longe do local onde o crime é perpretado, quase sempre um crime de longa duração, inffligido em jeito de retaliação, por falta de colaboração no terreno eleitoral. os cidadãos são obrigados a comer o pão diabo a amassou, para aprederem que não se brinca com a autoridade, tudo isto ocorre num ambiente de mentira apoiado pela comunicação social (que tem ao seu serviço jornalistas incrivelmente argutos e diligentes), que se esquece sistematicamente de informar a opinião pública acerca da verdadeira autoria das arbitrariedades cometidas contra o interesse dos cidadãos de um determinado país, região, meio-continente, meio-mundo, e por este andar, atrever-me-ia a dizer, mundo e meio.
A questão principal, do «dossier» Venezuela, será pois então, o petróleo; quem diria? Um motivo quer não pode ser olvidado, porque de facto não se trata de um pormenor insignificante, «A POTÊNCIA», não delega em terceiros o estudo de assuntos tão delicados, mais uma vez, Hugo Chavéz, mesmo tendo apoios no seio da hierarquia militar, podem não ser suficientes para conseguir exercer o resto do mandato placidamente à sombra dos louros conquistados neste referendo, arriscar-me-ia a dizer que um excesso de calmia por parte das forças da oposição, pode ser de mau agoiro, quererá certamente dizer que são essas as instruções enviadas pela «POTÊNCIA», "o assunto está a ser tratado em sede própria, mais tarde receberão a informação referente à estratégia a seguir."
Os pobres da Venezuela, por mais boa vontade que o presidente Hugo Chavéz demonstre ter, não escaparão às malhas de uma teia que é tecida fora da alçada do seu adorado «Salvador»; pode ladrar, mas não pode morder, numa época em que cada lobo caça para seu lado, o rebanho anda tresmalhado, os Estados não conseguem formar uma alcateia de lobos esfaimados, interessados em se reunir nos montes em noites de lua cheia e uivar, sendo que o uivo simbolizaria o reforço dos laços de pertença a ma comunidade de Estados livres, com identidade e não um bando de cães bajuladores, aguardando que os restos lhes sejam atirados, com paga da leladade demonstrada, sempre que é necessário sacrificar a nação, e recorrer a actos bárbaros para levar aos novos donos do mundo a melhor troféu de caça que haja no «couto privado» (actuamente os países são encarados pelos novos donos do mundo, como coutos de caça privados, os locais devem contentar-se como funcionários e criados de mão, ou serem atirados de chaparuz para o atoleiro pedagógico: o desterro, a humilhação do desemprego, a exclusão, a precarização e em casos de rebeldia sempre se encontra alguma forma de reeducação com vista a futura reinserção sós(cial), e por aí fora...

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 02:26 PM | Comentários (0) | TrackBack

«Elogio do bom senso»

"O nosso mundo doente de inconstância e desamparos sofre de uma outra bem cruel doença: a ausência de espaços amplos abertos ao diálogo e ao trabalho em comum. Onde encontrar um terreno de reunião em que o encontro e a troca ainda sejam possíveis? Não podemos nós começar por procurá-lo no senso comum? Neste bom senso hoje tão precioso e tão raro?

Vejamos, por exemplo, as despesas militares. O mundo dedica por dia 2,2 mil milhões de dólares à produção de morte. Mais precisamente, o mundo dedica esta fortuna astronómica a promover gigantescas caçadas em que o caçador e a presa são da mesma espécie e de onde sai vencedor aquele que tiver matado o maior número dos seus congéneres. Nove dias de despesas militares é quanto bastaria para fornecer alimento, educação e cuidados médicos a todas as crianças da Terra que os não têm.

A priori, esta devassidão financeira constitui uma flagrante violação do sentido comum. E a posteriori? A versão oficial justifica tamanho desperdício invocando a guerra contra o terrorismo. Mas o bom senso diz-nos que o terrorismo lhe fica extremamente grato. Não é preciso sermos grandes sábios para constatar que as guerras do Afeganistão e do Iraque foram para o terrorismo um stímulo importante. As guerras correspondem a terrorismo de Estado, o terrorismo de Estado alimenta-se com o terrorismo privado, e reciprocamente...

Os números foram publicados recentemente: a economia norte-americana retoma a sua progressão e volta a um crescimento de ritmo satisfatório. Segundo os peritos, sem as despesas ligadas à guerra na Mesopotâmia um tal crescimento seria nitidamente inferior: De certa maneira, portanto, a guerra contra o Iraque é uma excelente notícia para a economia. E para os mortos? Far-se-á o sentido comum ouvir pela voz das estatísticas económicas ou pela voz de um pai mortificado, Julio Anguita (1), quando este diz: «Maldita seja esta guerra e todas as guerras»?
(1) Julio Anguita, político espanhol, dirigente histórico da Izquierda Unida, cujo filho, Julio Anguita Parrado, jornalista, correspondente do diário madrileno El Mondo e que acompanhava («embedded») o 3º Exército norte-americano durante a invasão do Iraque, foi morto por um míssil iraquiano a 7 de Abril de 2003, a sul de Bagdade. (N. da R.)

Os cinco maiores fabricantes e vendedores de armas (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França) são Estados com direito a veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não será um insulto ao bom senso que os garantes da paz mundial sejam também os mais importantes fornecedores de armas do planeta?

Na hora da verdade, são estes cinco países que mandam. São eles, igualmente, que dirigem o Fundo Monetário Internacional (FMI). Quase todos figuram entre os oito Estados que tomam as posições determinantes no Banco Mundial, bem como na Organização Mundial do Comércio (OMC), onde o direito de voto(?) está previsto mas nunca é utilizado.
(?) tenho algumas dúvidas se a leitura correcta será voto, ou veto?

Não deveria a luta pela democracia no mundo começar pela democratização dos organismos pretensamente internacionais? Que diz a este respeito o sentido comum? Não está previsto que ele emita opiniões. O bom senso não tem direito a voto, nem direito a falar.

Por Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio.
Le Monde Diplomatique, edição portuguesa, Agosto de 2004
(Tradução de Júlio Henriques) O restante texto será publicado posteriormente

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 11:10 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 17, 2004

Quando se está vivo, a maioria das tramóias que tem por função entreter os cidadãos tornam-se mortalmente entediantes

Quanto mais uma pessoa necessita de recorrer ao que vulgarmente designamos por entretenimento, mais imbecil se torna, por ceder a formas consumistas de embrutecimento mental e sensorial; o entorpecimento é progressivo, cumulativo e viciante, começa por ser um hábito mas depressa se transforma numa necessidade, é uma estado d eintoxicação permanente, a alienação toma conta do indivíduo, tudo isto se passa a coberto da normalidade convencional, ou melhor que isso, a coberto de modas que exprimem por vezes um estado de agonia da vitalidade criativa, apesar de reivindicarem estatuto artístico.
Quanto mais entorpecida se encontrar a mente, menor o entuasiasmo por descobrir o tanto que a vida tem para dar a cada ser humano, e como a existência é curta para podermos compreender as maravilhas de um fenómeno que até hoje ainda não foi decoberto em mais nenhum lugar; não se justifica recorrer sistematicamente a diversões e entretenimentos artificiais para enganar a monotonia, ou outros estados de alma, que mereciam ser encarados como uma doença social, ou deformação educacional, que não soube estimular no indivíduo interesse pela vida e entusiasmo por descobrir e interpretar o seu funcionamento até chegar ao momento em que se começa a aprender a simplicidade e a unidade essenciais e então o entusiasmo evolui paulatinamente para estados de alma mais contemplativos, uma maneira sublime de usufruir das energias que vivificam a matéria, o conhecimento leva à compreensão, a compreensão leva à admiração e daí deseja-se unicamente contemplar, e não é necessário sermos iniciados em espécie alguma de estudos esotéricos, ou pertencermos a alguma seita ocultista, só necessitamos de sentir necessidade de compreender a teia de fenómenos que forma a diversidade do fenómeno que conhecemos por Vida.
Chamo realidade cultural individualizada ao cadinho social onde um dado indivíduo recebeu os ensinamentos base, e viveu as primeiras experiências emocionais e afectivas que interviram na formação do seu carácter e que podem determinar a sua evolução como ser humano. Acontece que o cidadão adquire desde cedo hábitos que lhe moldam o gosto, sem que o indivíduo consiga aperceber-se de que está a enpinar os primeiros esboços de normalização, ou seja, o tiro de partida para o afastar da liberdade de pensar por si próprio está dado, os múltiplos factores que podem vir a interferir no processo de alienação progressiva, irão ser determinados por factores que ninguém pode prever, a não ser que o indivíduo seja submetido a uma vigilância permanente. O poder desviante do cadinho social impede que o indivíduo sinta sequer necessidade de descobrir as maravilhas que o fenómeno vida tem para lhe oferecer, não chega tão pouco a perceber que a existência individual pode ser desperdiçada, quando se aprende a ceder desde tenra idade, as humilhações (que muitas vezes nem sequer são intencionais), mas pouco a pouco vão provocando estragos, a devastação continua pela vida fora, sem que o indivíduo se aperceba disso.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 09:58 PM | Comentários (0) | TrackBack

Venezuela, a instabilidade regressará, desde que os interesses estratégicos económico-financeiros dos especuladores globais assim o exijam; é disso, que se trata de neocolonialismo económico, e dependência financeira.

Os pobres da Venezuela não tem direito a expressar um pouco de gratidão para com um presidente que lhes presta um pouco mais de atenção; isso não é aceite por uma oposição sedenta de vingança, mas essa oposição afinal é representada por quem? Quais são as classes sociais representadas? A quem interessa criar instabilidade política e social no país? Quais são afinal as organizações que pretendem evitar a qualquer preço que Hugo Chavez possa incrementar reformas económicas, políticas e sociais contrárias aos interesses da hegemonia neoliberal? Será que houve fraude eleitoral, ou será que é a própria oposição que é a fraude? A mando de quem? Quem fornece os meios, a informação, e a estratégia em caso de escalada da violência? Quem mente a quem? Será que muitos dos cidadãos comuns que preferem «jogar pelo seguro» votando na oposição, porque acreditam piamente (em muitos casos, creio tratar-se mais de uma reacção instintiva ao medo inculcado pelos oradores inflamados da oposição, que se mantém barricada numa trincheira de interesses inconfessáveis, sediados algures em domicílios secretos, longe da pátria, que pretensamente defendem.) na mensagem de insegurança difundida por uma oposição, que defende interesses internacionais, e uma elite, que deseja a qualquer preço manter um status quo injusto, à custa da pobreza e miséria crescente, desde que a tenham controlada, nem que para isso seja necessário recorrer a «desinfestações recreativas» --- coloquei aspas, mas bem podia retirá-las, os regedores da sociedade actual, desde que os fins em vista o justifiquem, ou eventualemnet sitam o pelo ameaçado, não desprezarão recorrer a métodos de contrôle de «pragas» sociais e outras, que justificarão sem grande dificuldade, convencendo o público espectador/consumidor da inevitabilidade de recorrer a estas medidas extremas, que obviamente lhes desagradam alma, mas que infelizmente se tornarão imprescindíveis, devido à ameaça real a que paira sobre as pessoas de «bem», os tais cidadãos, que acabam por aderir à oposição para defender os seus bens, os seus mesquinhos privilégios, a sua mediocridade intelectual, assim é fácil fazer oposição, angariar apoiantes que estão contra um governante, porque a omnipotente e omnisciente América adverte o povo venezuelano dos perigos do poder cair nas mãos perversas de um presidente, que se recusa a entregar o país a troco de umas comissões depositadas em algum paraíso fiscal, numa conta secreta.
Quem é Hugo Chavez? Não sei, nem sequer me atrevo a fazer qualquer prognóstico político, entristece-me no entanto, que a humanidade esteja à mercé de um punhado de doentes mentais que vão arrasar o mundo, para conseguir espoliar a toda a riqueza, onde quer que a encontrem, os despojos serão enviados para as caixas fortes, em locais secretos, em condomínios fechados, em ilhas privadas, um dia, terão à porta a nave que os há-de levar a Marte, ou a qualquer outro ponto o Uiverso, onde mandarão construir novas caixas fortes, para onde enviarão secretamente as remessas roubadas no planeta Terra, estes patos sem vergonha de «garras» afiadas, mergulharão extasiados no ouro roubado às entranhas da vida esventrada neste planeta em que certa gente, certas ideias, certas posturas, certas afrontas não são toleradas pela ditadores universais, arreganham as bocarras mentirosas, abrem noticiários com notícias escandalosas, acordam demónios, e petrificam corações, e são tantos as almas destroçadas, tantos os papalvos, que por dois réis de mel coado desertam para a oposição, não por estarem contra o presidente, mas por terem receio da razão.
A resolução dos embróglios políticos e das contendas sociais com origem nas injustiças que resultam da má redistribuição da riqueza produzida, são cada vez menos questões internas dos países; por um lado, a recessão económica resulta da desestabilização dos mercados por parte dos especuladores, para abrirem rombos na economia de um país, ou região alvo; em resultado disto a instabilidade política instala-se, e claro, no terreno já se encontra uma força política comprada, a batalha política está pervertida à partida, as acordos e negociatas de bastidores, as promessas de apoio, as contrapartidas exigeidas, a chantagem económica, a usurpação de informação confidencial, a instrumentalização de instituições e organismos estatais (quando a facção que está no poder serve os interesses dos especuladores), as decisões políticas são dimanadas a partir de centros de decisão, em gabinetes de organizações privadas com interesses globais, sediadas nos USA.
Nestes tempos de globalização, múltiplos países livres são sistematicamente humilhados por ultimatos económicos, ou seja, a coberto da ajuda económica, as instituições que supostamente tem por função fornecer ajuda financeira aos países em dificuldade, afinal, são essas instituições que previamente criaram as condições adequadas para depaurar a economia alvo, o país alvo, a região alvo, o regime político, e em última análise, o homem alvo, por mais absurdo que pareça, acontece com mais frequência do que seria desejável, a economia de um país ser destruída (lançando milhões de pessoas na miséria, de um dia para o outro) para se atingir um determinado objectivo, o neocolonialismo e o neoesclavagismo, estes conceitos, são a base da ideologia neoliberal, por isso não é de admirar que a defesa dos direitos humanos e de um estado-providência não faça parte das suas prioridades, aliás, esta ideologia, aconselha o desinvestimento na educação, na saúde e nos projectos de índole social de cariz público. As iniciativas políticas, as cimeiras internacionais, as intervenções de «libertação», os acordos internacionais, a implementação do mercado «livre», da concorrência dos mais países mais fracos, relegados para uma situação de penúria escandalosa, mas que não confrange por aí além a comunidade internacional; cada vez mais, e eu sei que isto parece absurdo, os governantes dos países não estão autorizados a tomar qualquer decisão sem primeiro consultar a cúpula financeira mundial, isto acontece porque, o poder e a informação que essas organizações tem é tanto, que nenhum governante, no seu perfeito juízo temn a veleidade de discordar com as linhas de orientação previamente demarcadas por uma criatura que possui os tentáculos mais perversos que possamos imaginar; quando a orientação política de um país sai fora dos carris, o torniquete é apertado até o país começar a estrebuchar, como o país, não é uma figura de retórica, nem uma abstracção filosófica, lá estão as pessoas concretas para sofrer as sevícias dos carrascos que se escondem no alto das suas torres de marfim, uma vez que o marfim é um material proibido e opaco, eles contentam-se em espreitar a insignificância das minúsculas formigas humanas do alto das suas torres de vidro, e estrutura de aço. Quando as coisas não correm de feição, e o eleitorado, essa massa amorfa empurrada por vagas contraditárias, acaba por decidir mal, então, temos o caldo entornado, é esperar para ver, nos bastidores alguma coisa já mexe, já se discutem quais os tipos de armadilhas que devem ser montadas, os locais onde devem ser colocadas, a quem se destinam, e por aí adiante, que se faz tarde...
Já pensaram porque é que a política está cada vez mais um charco malcheiroso? Alguns políticos tentam dar um ar da sua graça, mas é demasiado evidente, que nada podem fazer, que estão de pernas e mãos atadas, socorrem-se da hipocrisia numa tentativa desesperada de manter as aparências, contudo a estagnação é demasiado evidente, e não tarda que o cheiro nauseabundo denuncie a ausência de ideias. Se não existe «vida» (actividade) política fora da campânula (casúlo) neoliberal, como é possível apresentar alternativas, quando todos os recursos foram confiscados, e estão sob vigilância permanente; não é por acaso, que a política está cada vez mais semelhante ao fólclore de qualidade duvidosa.
A primeira advertência, o envio de uma delegação, constituída por um rebanho de peritos «independentes» com a missão de convencer os dirigentes do país perdido em mar alto e revolto, a braços com tempestades, que vão despedaçar a barcaça, para quê sacrificar vidas humanas, para afogar as esperanças do eleitorado «esclarecido», quando o país podia navegar em águas calmas, sob protecção internacional e de vez em quando fundear numa baía calma para descanso da guarnição, como prémio da excelente colaboração demonstrada; no caso do primeiro assalto falhar, recorre-se a outros métodos para minar a resistência do animal político, que se quer domar e do país que se quer administrar, a intenção é tornar o mundo um quintal mais «igualitário».

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agosto 16, 2004

Musa

Carregas no ventre
figuras de cera tresmalhadas
estátuas de mármore abandonadas
em jardins de silêncios petrificados
um vendaval de sombras, lamentos assobiando
por entre canaviais imaginários, o coaxar de mil rãs
acordei o olhar, cego de correr
emarenhado em vozes que perseguem a imaginação
brincadeira de crianças ou alucinação
madresilva perfumada, enleada ao teu peito
desatam-se os sentidos, abrem-se no céu
constelações de cristal, descobertas no silêncio sideral
quebrei-me em mil tormentos de desejo corporal
esvai-me em seiva numa hemorragia divinal
desfaleci de emoção, recobrei a voz na escuridão
para te implorar, musa! um poema
um louvor à vida que trazes no olhar.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 02:55 PM | Comentários (0) | TrackBack

Abominável é a falsidade de certas abordagens, que confundem e amedrontam quem não se arrisca a pensar por si próprio

Pensamos no que aconteceu na URSS, pensamos na China de Mao Zedong, e imediatamente (os fundamentalistas, por norma recusam aceitar os factos históricos) pensamos no sacrifício de milhões de seres humanos, pensamos nos actos bárbaros que foram cometidos em nome de um ideal, distorcido à nascença, de modo a vingar num ambiente internacional hostil. Ficamos petrificados, o sacrifício foi em vão (o que não será o caso, algum resquício de esperança e algum sedimento da «experiência», assentou no fundo do cadinho e mais tarde ou mais cedo, o vento do descontentamento reanimará as palavras adormecidas no coração dos homens, para que as vidas perdidas em tantas revoluções e contra-revoluções tenham o lugar que merecem na história da emancipação da humanidade, processo doloroso, impiedosamente travado pelo poder instituído, que tem ao longo dos tempos feito uso de todos os meios para atingir um único fim: perpetuar o obscurantismo, de maneira a evitar que o cidadão comum se liberte do jugo, e alinhe como parceiro num empreendimento, de que à partida, está excluído, o homem comum só tem um lugar (estatuto) garantido: a servidão, que aceite sem pestanejar, desde que lhe atirem umas repugnantes migalhas, é ver a turba degladiar-se, para conseguir apanhar o seu quinhão, nem que tenha de sacrificar o seu próprio irmão, lamberá as botas a quem lhe der uma oportunidade de entrar num redil mais selecto. Um pouco de divagação, pode ser encarado como um passeio pedestre, no campo, na montanha, à beira-mar, de acordo com o estado de âmino, ou a proximidade física do lugar que permita desfrutar um passeio descontraído, a imaginação pode ganhar asas de borboleta, ou quiçá de falcão, olhos de coruja das torres, ou pardal comum a saltitar...
Afinal a história provou (num único século!), que a humanidade está condenada a rodar em torno do eixo capitalista, os céus ditaram esse destino, as regras sociais ditaram as leis, e todos (sem excepção) devm acatar a universalidade do dogma capitalista, ficou provado pela derrocada da «experiência» comunista na URSS, que o comunismo é uma aberração ideológica e um desastre social, contrário à «natureza» competitiva do ser humano.
O sucesso da sociedade capitalista, dita livre, tem tido do seu lado, algo que é da mais extraordinária importância, digamos, que este modelo de sociedade que está em vias de ser globalizado, é o resultado das sucessivas adptações, que o desenvolvimento do conhecimento humano permitiu, mas sempre tendo como pano de fundo uma opção, de uns quantos oportunistas (espertos), que perante a inércia das massas humanas, conseguiram implantar uma sociedade baseada no medo, na injustiça, na subjugação, e claro, desde cedo, na criação de mitos e hérois, de superstições e preconceitos, em suma a cultura da dependência, em alternativa à cultura da emancipação do indivíduo, desse cidadão comum, que nunca foi capaz de se olhar como um igual, isto porque, a partir desse momento, deixa de poder delegar o seu destino pessoal em mãos alheias, tem que caminhar sózinho, e pressentindo que terá que enfrentar demonios enfurecidos prefere, abdicar da liberdade pessoal, da identidade e decide amordaçar a consciência e dar o corpo ao manifesto, e morrer por causas indignas, de facto não merecia andar erecto, a maioria dos seres humanos de facto deviam rastejar (literalmente), uma vez que esse parece ser o desígnio da humanidade dita civilizada, que evolui tanto, para chegar a nada.
O modelo capitalista teve tempo suficiente de maturação, tem meios e criou defesas, para se defender de eventuais ataques de forças «estranhas», sabe com o que pode contar e como domar os cidadãos mais resistentes à domesticação, quanto aos dissidentes, que demonstrem intenções subversivas, são tratados de acordo com a gravidade dos casos, o importante é proteger a intergridade de um sistema que a história «provou» ser o único, com credibilidade para servir os «interesses da humanidade.
A «experiência» comunista, acontece a partir de uma reacção precipitada a um status quo injusto, as ideias podem estar amadurecidas dentro da cabeça de um punhado de homens, isso não significa, que o cidadão comum, a quem afinal se destina a mudança, esteja preparado (nunca está, e esse é o drama, ou pelo menos parte significativa do mesmo) para compreender as repercussões que tão drásticas mudanças vão trazer à sua vida pessoal (todos aceitamos de bom grado os aspectos positivos, mas dificilmente aceitamos os negativos, ou os mais penosos se preferirem, sem percebermos de forma clara o fenómeno que está a ocorrer, e para onde se dirige a locomotiva do poder, entre outros aspectos igualmente importantes, que não podem ser descurados, para que se possa ter uma visão lucída de um dado momento histórico emergindo (algumas vezes assemelha-se mais a uma violenta erupção que irrompe das entranhas da terra para destruir a ordem estabelecida, o pánico generaliza-se, e a nova ordem emergente à medida que vai arrefecendo e solidificando, para conseguir implantar uma nova realidade, a obsessão de tornar realidade um sonho, a vida de um ser humano é demasiado curta, para que o mesmo possa ter a veleidade, que o faz enlouquecer, de ver o seu sonho realizado, caso o drama pessoal não seja superado, e o cidadão comum educado para atingir um nível de indepência crítica e liberdade de expressão, que lhe permita afrontar o poder, e mais que isso, estar disponível para se associar com o seu semelhante, para defender os valores da vida, qualquer ideologia que os não tenha em conta, fracassará e, como já referi, a presente sociedade, despreza-os e no entanto, aparenta uma saúde de ferro, para dar (vá lá alugar) e vender, porque tem um longo percurso, porque não é fácil retirar-lhe o tapete debaixo dos pés, a propaganda distribui pela população uns hérois e uns mitos novos ou renovados, ou retocados de modo a servir as modas vigentes, continua a ser relativamente fácil manter o rebanho iludido, e dizer iludido, é dizer, capaz de roer as orelhas a qualquer um que se lhe atravesse no caminho, considerando ser esse o seu dever cívico, a sua obrigação moral, julgando que aproveita as situações em benefício próprio acaba por perder a oportunidade de viver, como ser humano livre.
O cidadão comum devia ter algum cuidado, porque é muito fácil cair na tentação de formar opiniões, a partir de informação que circula nos meios de comunicação, que já ninguém duvida que estejam ao serviço da propaganda neoliberal, nenhuma notícia chega a casa do cidadão sem ter sido previamente desinfestada, no interesse do público, como é óbvio, para que o mesmo não tenha o trabalho de ter que separar o trigo do joio, afinal a relacção entre fornecedor e cliente/consumidor deve ter como base laços de mútua confiança, para que os «negócios» corram de feição a ambos, sem perdas de tempo e gastos de energias desnecesários; circulam opiniões tendenciosas dos escribas que defendem o establishment (gostaria que me explicassem, quais as verdadeiras razões porque o fazem, que demonstrassem a honestidade intelectual em que se baseiam, e o suporte ético em que estruturam as suas opiniões); costumam ter discursos, tipo: vejam lá no que se metem, os resultados estão à vista! As megalomanias dão no que dão! A natureza humana é o que é! E todos aqueles que se auto-proclamaram defensores do povo, ou da liberdade, e valores similares, semearam a desordem, a destruição, a violência a uma escala quase inimaginável, a humanidade tem humilhada por aqueles que pretensamente se propõem salvá-la. Tudo isto é verdade, circunscrita para se compreender melhor, para o público compreender que não deve aderir a ideal algum, que esteja fora do contexto, da matriz neoliberal, caso o faça pode ser contagiado e atraído pelos ideais dos falsos salvadores da humanidade (que o são de facto, nenhum homem no seu perfeito juízo, se considera salvador seja do que for, prefere alertar os outros para a necessidade de pensarem por si próprios, de maneira a conseguirem o melhor possível, separar o trigo do joio, esta é a única forma que um homem lucído, que ama a vida e a humanidade, porque reconhece, que não chegará a lado nenhum, individualmente, caso não aprenda o sentido da humildade e simplicidade inerente à arte de viver, que o liberta de falsos jugos, e pseudo-valores que mais não fazem que perturbar a paz interior que necessita para descobrir a genuína alegria de comunicar com o seu semelhante, seja ele quem for, ou onde quer que se encontre, a sintonia é possível, é assim que se passa o testemunho, o sentido para uma existência, é desta forma que a identidade única, que cada um de nós constitui, não se perde, transforma-se num acto de partilha, de comunhão com a unidade que é a vida.), indivíduos a pretender aproveitar-se da ingenuidade e ignorância alheia não faltam nem nunca acabarão, a única forma de contrariar a tendência é contribuir para que o cidadão comum esteja apetrechado com sistema defensivo dinâmico, que o mantenha inume a uma fácil invasão de influências perversas que podem determinar mudanças de comportamento, e mais concretamente, tornar o indivíduo dependente, sem que disso dê conta, de um rede de desinformação, que obviamente vai manipular e explorar de acordo com as conveniências de quem exerce o poder.
Portanto, o único meio de algum dia o cidadão comum poder participar na construção da sociedade em que vive e que deixar como legado para as gerações vindouras, tem que passar forçosamente por uma maior independência intelectual que o leve a despertar para outras dimensões de conhecimento e exigência ética face à realidade cultural em que vive submergido, para que isso possa acontecer, terão que ser exigidos e implementados paradigmas de formação humana distintos daqueles que estão em vigor, que servem os interesses de uma minoria dominadora, que pretende lançar uma campanha de imbecilização global, de maneira a manter a servidão voluntária como pilar de uma civilização, que ao invés de ser um berço de esperança é campo de batalha que espelha a ignorância em que o poder baseia a necessidade de manter uma dada ordem e um dado paradigma (falso) de sociedade e democracia que confirmadamente está a evoluir para qualquer coisa de humanamente degradante, e a vida permanece de fora, como se não fosse dela que verdadeiramente depende-se o futuro da humanidade.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 08:33 AM | Comentários (1) | TrackBack

agosto 15, 2004

A espécie humana merece ter lugar no panteão da Criação

Há dois fenómenos intrinsecamente ligados: aceitar que a natureza humana não é de fiar, e portanto, o melhor é aceitar as consequências desse «facto» e cada um tratar da sua vida, enquanto os ventos sopram de feição; um outro fenómeno interessante, que me parece contribuir de maneira quase irreversível, para que o primeiro não seja encarado de frente e com humildade, de maneira a que o ser humano não desdenha-se das suas próprias capacidades de procurar soluções para o superar, quando a busca é honesta, a solução acaba por aparecer, quando se escondem os verdadeiros propósitos das campanhas pseudo-humanitárias, não há nada a fazer, pelo menos enquanto o ser humano não subir mais uns degraus na longa e tortuosa escadaria, do actual ensaio que devia levar o cidadão à plena vivência de uma democracia mais participativa e exigente, mas que infelizmente está a «progredir» para uma ditadura das oligarquias económico-financeiras, que podem originar a derrocada da humanidade, no entanto, primeiro, haverá um longo e penoso sofrimento de milhões e milhões de seres humanos, devido à detioração do meio ambiente, das mudanças climáticas, dos recursos naturais, e igualmente, devido à desagragação das formas tradicionais de subsistência, e outras formas de manipulação dos meios de sobrevivência que muitas populações vão sendo paulatinamente privadas, devido a interferências estranhas à sua vontade pessoal, e também devido à introdução de novos hábitos alimentares e de consumo, assim como a substituição de sementes bem adaptadas às condições climatéricas e aos solos, por semente híbridas e inclusivamente transgénicas.
O segundo fenómeno, intriga-me devido pela facilidade com que é aceita, e até aplaudido por muitas cidadãos, refiro-me à panóplia de hérois que povoam a memória de qualquer pessoa, de qualquer condição; os hérios na presente sociedade, são mais um produto de consumo, e como tal, exietm hérois para todos os gostos, nem sequer faltam os hérois que supostamente não o deviam ser, mas que, os substituem na perfeição; cabe aos hérois repor a ordem moral, que todos os dias nos escapa, como se de uma enguia escorregadia se trata-se, resolvem os nossos problemas existenciais, ou pelo menos apaziguam-nos, defendem o melhor que podem melhor o modelo de sociedade, que nos parece justo, e mantém a uma distância segura, os demónios que ameaçam amiúde a segurança interior que parece desmoronar-se, mal a estrutura moral começa a ser fustigada por ventos contrários aos hábitos culturais em que nos abrigamos como se fossemos animais em fuga perseguidos por uma matilha enraivecida. Os hérois pouco a pouco vão formando o panteão mitológico, no qual o cidadão procura algum conforto ético, sempre que tem que enfrentar os demónios que se intrometem no caminho da felicidade asséptica que tanto estima.
Portanto, habituamo-nos, ou alguém, ao longo da história, nos habitou a delegar certas reponsabilidade nos ombros de alguém real ou imaginário, e daí podemos lavar as mãos, podemos dormir descansados, crianças e adultos, alguém estará a velar por nós, esse alguém pode ser não é guarda nocturno, ou a enfermeira no hospital, ou o médico na urgência, ou a mãe que acalma o filho que acorda a meio da noite com medo, não temos que povoar a escuridão de monstros e fantasmas, de maneira a colocar no mercado os respectivos antídotos, é claro que osa hérois são a resposta natural aos receios que surgem sempre que por desconhecimento, desconforto, insegurança e medo, necessitamos de ajuda extra para resolver o problema a nosso contento e sossegar a alma, para que o corpo tenha direito ao merecido repouso, de outra maneira, não suportaríamos a tensão causada pela eventual impossibilidade de encontrar um regaço onde repousar as fadigas morais e espitrituais; o problema surge quando, nos tornamos dependedentes de situações, não justificáveis, como necessidade premente, e que são mais uma fonte de deformação mórbida da nossa relação com os outros, este é o problema, similar a outros, por ser difícil o ser humano ter presente, a facilidade com que exagera, a percepção que tem dos fenómenos naturais e culturais, as causas para o desfazamento são múltiplas, e difíceis de controlar, até porque quem está afectado por uma percepção exagerada, ou mesmo equizofrénica da realidade, raramente consegue discernir parametros de compensação, que funcionem como ajuda efectiva, na reavaliação da conduta aceite como normal e adequada às circusntâncias quando de facto, pode estar a sucumbir à acumulação de sucessivos desvios de percepção, e portanto, sem se dar conta, desviou-se da rota que sopunha estar a seguir, para se encontar a nevegar em águas desconhecidas, sem que de facto, sem ter sequer percebido o quanto pode estar perdido, dentro de si próprio, entenda-se.
Poucos são os que se dão ao trabalho de interpretar a forma como algumas influências podem determinar uma mudança radical na forma como percepcionamos a realidade, mas não é difícil compreender, até por comparação com outros formas de manipulação, que podem ser desastrosas, como por exemplo, ao alterar um determinado habitat natural, o homem pode estar a causar danos irreversíveis no mesmo, sempre que diferentes espécies vegetais e animais colaboram para manter o equilíbrio perfeito, que sirva as necessidades de todos, esta interacção delicado, que pode demorar milhões de anos a evoluir, pode ser destruída por um acto irracional em minutos, é frequente acontecer, aconteceu no passado, muitas vezes por desconhecimneto, acontece hoje por incúria, ganância e claro, que continua a acontecer por ignorância, vários tipos desse entorpecedor letal, envenenam a existência do ser humano, que infelizmente, não faz o minímo esforço, para debelar esse mal, a doença crónica que melhor devia conhecer, para melhor prevenir os estados agudos, que são os mais perigosos, mas também para poder ter uma melhor qualidade de vida, quer isto dizer, uma melhor desempenho na arte de comunicar com os outros.
Quanto a mim, explorador da natureza humana de que sou formado, ainda ninguém me provou que sou feito de qualquer outra argamassa não regulamentada, certificada ou eventualmente falsificada, acredito, que o ser humano ainda é um embrião do que pode vir a ser, terá que escolher outras vias, e se não fizer, não é certamente por falta de recursos intelectuais, morais, espirituais, ou outros, mas por seguir falsos mitos e hérois, por se deixar influenciar, julgando, que dessa maneira desempenha o seu dever de cidadão do seu tempo, seguindo as normas e recietas que alguém, lhe asseverou que era o melhor para si, e que ele, cidadão livre nunca se deu ao trabalho de confirmar, para não perder tempo, para se divertir, e a maior parte das vezes sem saber para quê, ou mesmo porquê, este é o comportamneto mais comum, que revela um modelo de cultura dominate que se opõe ao desenvolvimento humano, à descoberta da identidade, à percepção do valor intrínseco da vida, a criatividade como meio de liberdade de expressão e comunicação, e também de evolução espiritual, não são encaradas pelo cidadão comum como algo natural que devia estar presente nos hábitos de vida quotidiana e fazer parte dos programas de educação e formação do indivíduo, as prioridades são outras, assentam na tradição de um modelo civilizacional caduco, que só pode florescer à custa da subjugação do cidadão comum à omnisciência e omnipotência de outros seres humanos transformados em deuses e hérois, exaltados por mitos, lendas e superstições que ainda continuam a vigiar de perto os dissidentes, que não acreditam na necessidade de depender dessas contradições para conseguir elevar a espécie humana ao lugar que merece no panteão da criação.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 08:44 PM | Comentários (0) | TrackBack

«Os especuladores dão as cartas na gestão da crise»

"Enquanto decorre a corrida implacável à riqueza global, os bancos e especuladores internacionais (incluindo os seus fundos de salvaguarda associados) estão ansiosos por desempenhar um papel mais directo no «policiamento» das reformas económicas ao nível de países. Nos Estados Unidos, os conservadores, que defendem o mercado livre, exigiram um maior controlo do FMI por parte dos EUA. Deram também a entender que o FMI deveria a partir de agora, desempenhar um papel mais plácido (semelhante ao de agências avaliadoras de obrigações de taxas tais como a Moody ou a Standard & Poor), deixando o financiamento das operações de garantia de muitos milhares de milhões de dólares ao sector da banca privada (14).
Os maiores bancos e empresas do mundo propuseram a criação de uma «sentinela financeira» --- um chamado «Conselho Consultivo do Sector Privado» --- com o mandato de supervisionar o FMI (15). O objectivo que se oculta por destrás desta iniciativa é converter o FMI --- do seu estatuto actual de organismo intergovernamental --- num organismo burocrático que sirva directamente os interesses dos bancos globais.
Mais importante ainda, os bancos e especuladores querem que lhes seja concedido acesso aos pormenores das negociações do FMI com os governos membros, o que lhes permitirá preparar os seus assaltos especulativos com maior eficiência. Os bancos globais (apontando para a necessidade de transparência) solicitaram ao FMI «que forneça dados valiosos (sobre as suas negociações com os governos nacionais) sem revelar informações confidenciais...» (16). Mas o que eles realmente querem é obter informações internas secretas, bem como um papel directo na negociação dos acordos de garantia do FMI. Numa ironia cruel, são os especuladores e não os políticos eleitos quem tem a palavra na gestão da crise. Numa lógica absurda, aqueles que promovem a turbulência financeira foram convidados pelos ministros das finanças dos países do G-7 a identificar políticas conducentes à atenuação da turbulência financeira...
Por sua vez, as causas mais gerais da crise económica não são desvendadas. Encadeados pelo dogma neoliberal, os responsáveis pelas medidas políticas são incapazes de distinguir entre «soluções» e «causas». A opinião pública é enganada. Perdidos na profusão de notícias interesseiras dos meios de comunicação sobre as consequências letais do «contágio económico», quase não são mencionados os exactos «mecanismos de mercado» que desencadeiam a instabilidade financeira."
(14) Institute of International Finance, «East Asian crises calls for new international measures, say financial leaders», comunicado à imprensa, 18 de Abril de 1998.
(15) FMI, «(Communiqué of the Interim Committee of the Board fo Governors», 16 de Abril de 1998.
(16) O Institute of International Finance propõe que os bancos e as empresas de corretagem globais possam, para este fim, «ser rotativos e seleccionados através de um processo neutro (para garantir a confidencialidade), e uma troca regular de pontos de vista (que) não é provável que revelem surpresas inesperadas que alterem abruptamente os mercados (...). Nesta era de globalização, tanto os participantes no mercado como as instituições multilaterais têm papéis cruciais a desempenhar; quanto melhor se entenderem, tanto maiores serão as perspectivas de um melhor funcionamento dos mercados e da estabilidade financeira...» Ver carta de Charles Dallara, presidente do conselho de administração do IIF, a Philip Maystadt, presidente do Comité Interino do FMI, Institute of International Finance, washington, 8 de Abril de 1998.

Michel Chossudovsky, A Globalização da Pobreza e A Nova Ordem Mundial

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 04:43 PM | Comentários (0) | TrackBack

Sopram ventos de imbecilidade, a quem servirá semelhante tempestade?

Ciência, Arte, Literatura, Poesia, Filosofia, Cultura, ou o que mais desejarem acrescentar, não pode exercer sobre nós, cidadãos comuns, a absurda ditadura de um fascínio imbecil. O fascínio mórbido que as descobertas científicas exercem sobre o cidadão, trai a nossa capacidade de discernir entre supérfluo e essencial, e igualmente, entre intemporal e efémero, os riscos desta atitude, desta ânsia pelas inovações tecnológicas, este deitar fora a esmo, este acreditar na impossibilidade de apreensão de uma plataforma de saber estável, a partir da qual, possamos partir à descoberta dos fenómenos que quer no nossa âmago, quer exteriores ao mesmo, são manisfestações de vida devíamos aprender a contemplar, porque qualquer tipo de conhecimento, ou inovação tecnológica que não seja uma ajuda efectiva para uma melhor interpretação da unidade, que sustenta a vida, dentro e fora de nós, não só perturba o desenvolvimento harmonioso do indivíduo como vai contribuir para falsos fenómenos de adaptação ao que vulgarmente se designa por «novas realidades».
Como todos sabemos, apesar de alguns (muitos, sem que eu perceba o que de facto têm a perder?!), não gostarem de o admitir, se existe algo que é manifestamente antidemocrático, nas circusntâncias actuais em que a sociedade dita globalizada se encontra, esse algo, é sem duvída a investigação científica, especialmente as que estão ligadas ao sector da agricultura e da saúde, apesar de outros sectores, ligados ao desenvolvimento da tecnologia ao serviço da industria espacial, etc..., serem um sorvedouro de dinheiro, que podia ser aplicado a programas de desenvolvimento de índole diversa (cada vez mais descurados, apesar de serem cada vez mais imprescindíveis, até para dar um pouco de esperança à humanidade, que sofrerá, e em muitos lugares já sofre as trágicas consequências das actuais práticas negligentes, individuais e colectivas); não pode o cidadão ofender a sua inteligência ao ponto de acreditar que não existem mensagens subliminares na propaganda que sustenta a actual crença oficial, de que a ciência vai descobrir a cura para todos os males, mesmo que esse sonho pudesse ser realizável, só uma pequena elite, teria acesso aos benefícios reais das descobertas «milagrosas» que possam conhecer a luz do dia.
Ao povo, mesmo nas sociedades que ainda mantém um nível de qualidade de vida (o que significa acesso a serviços de saúde e de educação, que dão ao cidadão a oportunidade de desenvolver em liberdade, a sua identidade tão sadiamente quanto possível, de maneira a poder interagir criativamente com a sociedade, de modo a poder interferir nas mudanças de mentalidade que venham a revelar-se imprescindíveis para a evolução harmoniosa, que deve desprender-se das inevitáveis tensões conflituosas (mas naturais, digamos que são as dores de crescimento, o que não pode acontecer, é cercear as possibilidades desse indivíduo, que é uma identidade única, irreplicável, nem mesmo por clonagem, por mais que as semelhanças físicas e genéticas que formam o lastro de sabedoria e impressões vivas de cada ser humano; de crescer e desenvolver a sua identidade em liberdade, para poder emitir a sua liberdade de existir, e expressar em liberdade o seu génio pessoal, de maneira a cultivar, o que devia ser a actividade mais natural do ser humano: comunicar.) entre cidadão e sociedade, as frustrações nascem da incapacidade de exposição do conflito gerado entre indivíduos, sempre que a educação não promove a liberdade de expressão como ferramenta imprescindivel para que o cidadão possa crescer numa realidade cultural, onde esse cidadão compreende que a genuína formação humana depende da defesa integral da identidade, e não de freios, poucos saudáveis na linguagem, que criam hábitos hipócritas de contextualização nas relacões de comunicação que estabelecemos com os outros; o crescimento da hipocrisia é proporcional à regressão do pleno acto de comunicação; entramos na vida pela porta errada, ou se preferirem, um sistema, um modelo de sociedade pode causar-nos sarilhos irreversíveis para toda a vida, não só pelo facto de desmantelar a nossa identidade, ao invês de promover a sua descoberta, interpretação e desenvolvimento, situação traumática que não deixa em muitos casos, possibilidade alguma de recuperação, sendo a descoberta da identidade essencial, de maneira a evitar cair em logros e equívocos, armadilhas estrategicamente colocadas por quem tem interesses a defender, independentemente de estar ou não consciente de ser igualmente um cidadão que não atingiu o pleno desenvolvimento, a maturidade identitária do que é, representa e naquilo em que deseja vir a transformar-se. Eu sei que tudo isto é complexo, e que não é de um dia para o outro que conseguimos perceber, o labirinto em que é possivel emarenharmos-nos, sem sequer percebermos, ou quanto muito sentirmos, um desconforto existencial, uma estranha sensação de que estamos embrenhamos numa falsa realidade, num paradigma errado, mas quase de imediato, somos reabsorvidos pela frenética actividade predatória, que nos suag completamente a atenção.´
Infelizmente, em vez de achar que deixo pistas, para algum eventual leitor, desapertar alguns nós, de uma existência, que raramente nos dá o alimento que nos faz falta, mas que nos enfia pela garganta uma papa globalizada, que deve mitigar a fome que sentimos de verdade, que só pode ser saciada, se abrirmos a consciência à descoberta da identidade que nos distingue dos outros, para a partir daí, iniciar um percurso, que nos há-de levar a desejar comunicar com os outros, mas sem, ter que de maneira alguma, desistir ou molestar a integridade, através da qual, vamos paulatinamente descobrindo a vida que palpita dentro e fora de nós, essa fome de compreensão impede que consigamos pactuar com falsas promessas de idilícos paraísos fornecidos pela indústria do entretenimento, desde que sejamos leais servidores (leia-se consumidores); de facto, nem sequer se trata de uma opção, pouco a pouco, começa a revelar-se ser uma impossibilidade, uma rejeição, a resistência natural ao agentes que na prática promovem o servilismo, a ideologia do neoliberalismo, disseminada pelos media, e de caminho, nem a ciência, nem arte, nem a literatura, e ao que parece, nada escapa, à agressiva capacidade de promover a imbecilidade, como atitude normalizada, para que os ditadores neoliberias continuem a usar estrategicamente a «democracia» com veículo difusor do seu impostor projecto de globalização; entretanto o impávido e sereno cidadão comum, consome boquiaberto qualquer espécie de demagogia vinculativa, os mais afortunados, pelo discernimento, tentam (por vezes desesperadamente, alhear-se, abster-se, desviar-se das influências que consideram manifestamente maléficas, ou devido às suas potencialidades de atordoamento, pouco recomendáveis), desviam-se como podem, aos que estão no topo da pirâmide, podem satisfazer os seus caprichos, pouco importanto, quem, ou o quê, tenha de ser sacrificado, em nome do desenvolvimento da ciência, ou nome da liberdade total, a indepência «criativa» da arte e por aí fora... O projecto global de hipocrisia sem fronteiras foi adjudicado a um consórcio, ou conglomerado, à chamada não faltaram agentes culturais, artistícos, cientifícos, literários, jornalísticos, e por aí fora, defensores intransigentes da liberdade de expressão de alguns, obviamente, porque as massas devem submeter-se à vontade criativa dos eleitos, dos protagonistas, das vedetas, e das mais iverosímeis palhaçadas a que placidamente assistimos, embevecidos por sermos presenteados com tanto talento, que obviamente não possuímos, estamos, por isso, e devido a isso, entalados entre a imbecil criatividade promovida pelo establishement, e aasim deve continuar, de modo a que o fenómeno civilização, tal como o conhecemos, não venha a murchar, vamos lá todos, apaticamente a colaborar.

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agosto 14, 2004

O engôdo da efemeridade, como alternativa à criatividade individual

A realidade deixou de ter consistência, vivemos no reino da efemeridade, preenchido pela ininterrupta sessão de espectáculos e diversões que suportam de algum modo a pseudo-realidade, que se desfaz em pó, logo que as luzes se apagam, o escuro, onde mora o medo, o sossego, que liberta a reflexão, são o inevitável corredor que onde o cidadão-espectador tem que passar para mudar de sala, e vestir outra pele, a pele de outro idolo, a coragem de outro héroi, neste percurso esgota as poucas reservas de criticismo activo que em alguns casos resistem ao desperdício de uma das mais importantes ferramnetas ao dispor do exercício da liberdade individual, a mais insignificante opção depende da ajuda deste mecanismo de contra-análise, que nos permite certificar se o esforço que vamos dispender (seja em tempo, energias, recursos ou meios) vai ao encontro das nossas reais necessidades de cidadãos, mas também de seres humanos integrados numa teia de vida que extravasa as trocas dentro do contexto social e cultural, cadinho que supostamente devia contribuir para o pelno desenvolvimento dos nossos talentos, mas que infelizmente, para a maioria das pessoas (apesar de muitas nem sequer se aperceberem disso!), acontece o oposto, desde cedo submetidos a um paradigma educativo que contribui para o atrofiamento da criatividade e da aprendizagem que leva à descoberta e interpretação da identidade, o que é essencial para que o indivíduo venha a compreender as suas reais necessidades de desenvolvimento como ser humano, integrado num processo mais vasto e complexo, que é a vida, da qual deve perceber não como dimensão cultural, mas como realidade natural, onde pode e deve beber uma forma de sabedoria e sensibilidade que regra geral não é contemplada pela dimensão cultural, pia baptismal em que o cidadão é imerso à nascença e que o vai marcar para toda a vida, como ser cultural que é, e que quanto melhor compreender as limitações que acarreta esse fardo, que sem qualquer dúvida é imprescindível à formação do indivíduo, as ferramentas de insercçao cultural do indivíduo na sociedade, estão sujeitas a fenómenos de distorção, tornam-se facilmente ineficazes e em muitos casos perigosas, pelo menos quando exacerbadas até ao absurdo, ou pervertidas por modas e conveniências, dificilmente detectáveis pela maioria dos cidadão que ao usá-las vão despoletar a malignidade dos seus efeitos, as consequências podem ser desastrosas, quando nâo trágicas, e difícéis de estancar ou descartar, devido às resistências que entretanto foram adquirindo.
É claro que o catalizador/aglutinador da realidade éfemera, usada como banca de ensaios de possíveis reacções dos cidadãos, é o sucesso, assente na posse material, mais explicitamente, na sua forma mais «segura»: o dinheiro.

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«Desregulação dos movimentos de capitais»

"As regras a que obedecem os movimentos de dinheiro e capitais a nível internacional contribuem para definir os «campos de batalha financeira» nos quais os bancos e os especuladores lançam os seus ataques mortíferos. Nas suas expedições por todo o mundo para se apossarem de riqueza económica e financeira, os bancos globais e as empresas multinacionais têm exercido pressões activas para a total desregulação dos fluxos de capital internacional, incluindo a circulação de dinheiro «quente» e «sujo» (11). Cedendo a estas exigências (após consultas apressadas com os ministros das finanças do G-7), O FMI emitiu um veredicto formal para desregular os movimentos de capitais em 1998. No comunicado oficial declarava-se que o FMI avançaria com a Emenda aos seus Artigos, com vista a «tornar a liberalização de movimentos de capital um dos objectivos do Fundo e alargar, como necessário, a jurisdição do Fundo para este efeito» (12). O presidente do conselho de administração do FMI, Michel Camdessus, admitiu mesmo assim, num tom desapaixonado, que «alguns países em vias de desenvolvimento podem sofrer ataques especulativos após a abertura das suas balanças de operações de capital» ao mesmo tempo que reiterava que tal podia ser evitado através da adopção de «políticas macroeconómicas sensatas e de sistemas financeiros fortes nos países membros» (ou seja, a habitual «cura económica para o desastre» do FMI) (13).

(11) «Dinheiro Quente» é capital especulativo, «dinheiro sujo» é o proveniente de actividades do crime organizado, que é habitualmente branqueado no sistema financeiro internacional.
(12) Fundo Monetário Internacional (Internacional Monetary Fund), «Communiqué of the Interim Committee of the Board of Governors of the International Monetary Fund», comunicado à imprensa n.º 98/14, Washington, 16 de Abril de 1998. A controversa proposta de emendar os artigos sobre «liberalização da balança de capitais» tinha sido inicialmente sugerida em Abril de 1997.
(13) Ver «Communiqué of the IMF Interim Committee», Hong Kong, 21 de Setembro de 1997.

Michel Chossudovsky, A Globalização da Pobreza e A Nova Ordem Mundial

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agosto 13, 2004

O crepitar da negligência política.

O delírio português passa por deixar tudo a meio, ou então nem sequer ter o bom senso de olhar de frente os problemas que consomem o país, entre os quais se encontra a distribuição da cobertura florestal e da falta de um plano nacional de ordenamento florestal, que tenha em conta a sustentabilidade futura da exploração silvícola nacional, tendo em contas aspectos tão diversos como o respeito pela biodiversidade, as espécies de interesses comercial, especialmente a monocultura do eucaliptal, que merecia um estudo de impacto ambiental isento, em que os interesses do país pudessem pelo menos uma vez, não ser confundidos com os interesses económicos de multinacionais, nem com possíveis conluios estabelecidos entre forças políticas e interesses instalados.
Um plano de ordenamento florestal não pode contudo ignorar a reserva agrícola e a reserva ecológica, e obedecer a um estudo prévio da aptidão dos solos, da quantidade de água disponível, e demias aspectos relevantes, se os responsáveis políticos deste país não pensarem em gerir os recursos florestais de acordo com as necessidades da sua agenda eleitoral.
Não pode o país, ano após ano, a ser vítima de negligência política, por falta de vontade e coragem para enfrentar os lobbies instalados, os interesses das autarquias, os interesses de cidadãos privados incapazes de compreender que o pelo simples facto de possuirem um terreno em seu nome, não podem fazer do mesmo o que quizerem, se isso, for contra os interesses de toda uma região, ou, eventualmente do país. Muitos cidadãos, bradam alto e bom som, um patriotismo d circunstância, mas quando chega o momento de serem patriotas genuínos, e preocuparem-se com o futuro do seu país, não se deixam convencer, desconfiam que os queiram roubar, e não aceitam o veredicto científico, os cidadãos devem exigir ser devidamente esclarecidos, e as suas queixas ouvidas, mas que isso, chegue ao ponto de inviabilizar um projecto, ou servir de desculpa, para que ninguém assuma responsabilidades, e que o futuro seja adiado, enquanto, todos os anos são consumidas milhões de árvores pelas chamas ateadas pela incúria política, de facto, a maioria das vezes, o incendiário comum incendeia a floresta por razões mesquinhas, ou então, assediado por criminosos encapotados que escapam sempre às malhas da lei.
No interesse do país, deve quanto antes ser lançado um debate nacional, fundamentado em estudos prévios, de impacto ambiental, que respeite a necessidade de defendermos um património renovável, uma riqueza que pode ser colocada ao serviço do desenvolvimento do país, sem ter que forçosamente ser exclusivamente baseada na eucaliptização do território, que ninguém ignora ter um impacto ambiental negativo, por se tratar de uma espécie de crescimento rápido, que necessita de enormes quantidades de água, e provoca a erosão dos solos. Ora, cada região, que em meu entender devia incluir mais que um concelho, e mesmo indo contra o interesse dos privados, deviam ser dadas prioridades às espécies melhor adaptadas à região, feita a distribuição de acordo com um esquema que impunha aos proprietários, um repovoamento florestal de acordo com os interesses da região e do país, tento em atenção, que deveria ser estabelecida e cumprida, formas de compensação financeira, que permitissem ao proprietário ter um rendimento, baseado numa rentabilidade média, previamente estabelecida, tendo em conta os interesses das comunidades locais e porque não um estímulo à fixação de pessoas em zonas de forte desertificação humana.
Acontece que a vontade política não existe, o carnaval político neste país dura desde que o pano sobe, até que, por razões que a razão desconhece, desce o pano e interrompe-se o carnaval, mas o programa segue dentro de momentos, pedimos desculpa pelo incómodo! Enquanto brincam aos políticos podiam ir crescendo, quer dizer a democracia podia ir amadurecendo, para que os meninos mimados, em vez de tremerem só de pensarem que tem de enfrentar a fúria plebeia, se porventura, tomarem medidas anti-eleitoralistas, como a política cultivada neste país é enviesada, os bois não se pegam pelos cornos, e nem pelo nome se chamam, o melhor é adiar, assim já ninguém tem que se responsabilizar, quem está disposto a ir para a política, para se arriscar a ser mais um inimigo público múnero um? Arrasta-se a situação, e o dinheiro, que devia ser aplicado em cuidados paliativos na saúde, para dar aos doentes terminais um final de vida menos penoso, é empregue em políticas paliativas, que permitem a agonia do país, ano, após ano...

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Um lugar comum: Férias...

O povo trabalhador depois de longos meses de trabalho árduo (quando não forçado, literalmente e não metaforicamente como seria de esperar!) e mal pago, para à laia de prémio envenenado, ter direito a umas férias (mais adequado seria designar este interregno por precária).
Assim as ditas férias, não podiam ser outra coisa, mas um corropio de substituição, o prolongamento da intoxicação quotidiana, que ninguém acha razoável ser possível abandonar de um dia para o outro, por decreto, ou por, esforço de vontade pessoal. Não é de admirar que as férias sejam o espelho fidedigno da incapacidade de mudar os hábitos, de mudar de pele como quem muda de camisa, não se muda assim, e as ilusões provam quase sempre, ao ponto que nos tornamos escravos dos hábitos que regulam o nosso quotidiano, não é tão fácil como isso gozar em pleno, deixar o corpo e a mente relaxar, entregar-se ao ócio, usufruir uma alegria de viver, o estado de ânimo que devia ser o primeiro raio de luz da manhã.
Mas, as férias covertem-se num difuso sentimento de culpa, o dinheiro é-nos arrancado dos bolsos, sem escrúpulos, por regras de um jogo que não podemos entender (como podemos compreender um mundo que nos é estranho, nós servos voluntários, provisoriamente soltos por bom comportamento, como podemos compreender a realidade que se desenrola fora do contexto que nos permite reconhecer o modelo da nossa insignificância, mas que nos trasmite uma vaga ilusão de segurança, um caminho, repleto de crateras, aprendemos a desviarmo-nos, ou melhor, adquirimos o hábito d eviver dentro delas, como podemos usufruir descansados os dias de liberdade, confiscada à partida, por sentimentos contraditários, partimos para férias, com um amargo de boca de quem vai para um velório, ou melhor, sabemos que estamos a ser enganados, reconhecemos que, onde quer que aportemos, em espaço conhecido, ou em terras estranhas, pequenos monstros esfomeados aguardam a nossa chegada para nos tragar, e nem sequer temos direito a uma última palavra, a extrema unção é coisa do passado, as férias, as férias do povo que trabalha, as férias de quem paga como suor da descriminação, a peso de ouro, o direito a uns dias de liberdade, fora da órbita da rotineira alienação, e nem nesses breves momentos consegue desatar os nós da bolsa da pobreza que o acompanha, mesmo quando rodeado de alucinação, rebusca no fundo da alma, a velha amizade, a frustração, tão velha como a ilusão de estar de férias, com a cabeça entalada pelas dívidas da contradição, com tantas tentações a devorar o dinheiro, as férias em breve, transformam-se em pesadelo, começas a desejar regressar ao trabalho, pelo menos aí, estás defendido, por barras e grades, pelas longas horas de produtivadade negativa, pelas outras tantas, a ver se recuperas o salário, sentes no entanto que estás em segurança, pelo menos, enquanto estiveres dominado pela esperança de na manhã seguinte encontrares a empresa no mesmo local em que foi deixada no dia anterior.
Alguns ficam em casa, e se em certa medida deveriam ser considerados os mais desfavorecidos, talvez assim não seja, afinal, descansam, comem umas sardinhadas (para quem gosta, claro!), bebem uns copitos de vinho, umas cervejas, dormem umas belas sestas, a um preço módico.

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agosto 02, 2004

Um dia, a turbina finaceira entra em colapso...

Um cartel financeiro global, faz questão de manter a rédea curta ao poder político, de tal maneira que as instituições estatais não conseguem por em marcha (ou sequer manter) projectos de desenvolvimento social, que são congelados, devido às medidas de austeridade impostas pela convergência macroeconómica exigida pelos doadores internacionais.
Os agentes da especulação financeira internacional, conseguiram montar uma rede de canais que transporta os recursos financeiros da maioria dos países para os oásis fiscais, conhecidos de todos. Assim, os recursos financeiros que deviam ser aplicados em projectos de desenvolvimento sustentável, são desviados do seu curso natural, para sustentar paraísos artificiais onde uns quantos privilegiados esbanjam o futuro da humanidade, sem que mostrem qualquer forma de arrependimento. As democracias ocidentais são cúmplices destes crimes, que podem não ser bem compreendidos pelo cidadão comum (por falta de informação credível e claro, por andar entretido com os seus importantes e inadiáveis afazeres, até ao dia em que acorda e... tudo se desmorana à sua volta, sem que perceba porquê! Os diques que vão sendo construídos à pressa, conseguem evitar a tragédia eminente, mas não vão conseguir evitar a catástrofe, quando várias barreiras abrirem fissuras ao mesmo tempo, e o pânico se espalhar.), mas o mal estar latente, é evidente, perdeu-se a confiança, mas os abusos sobem de tom, a predação é global.
O sonambulismo político, é evidente, a apatia cívica parece não incomodar e o desperdício da liberdade que tanto demorou a conquistar, que tantas vítimas fez, e faz, por esse mundo fora, não parece causar descontentamento, não tem apoio popular, as mensagens veiculadas pelos media afastam os cidadãos do «mau caminho» (da senda da desobediência civil), mesmo quando a conjuntura é manifestamente desfavorável, nem mesmo assim, querem abrir os olhos, preferm continuar a alimentar a ilusão de que alguém vai tomar conta do recado, alguém vai resolver os seus problemas, enquanto, ele cidadão «livre» estira a sua flacidez mental, no sofá, debruçado no parapeito da janela do mundo, a ver os navios a passar, e a sua vida a encurtar.
O cidadão comum não acredita de moto leve, que a democracia pouco a pouco se tranformou num viveiro de víboras venenosas (com todo o respeito que as víboras merecem), sem que ainda se tenha descoberto o antídoto contra o veneno que esta «espécie» rastejante produz, as toxinas paralizam a liberdade de manifestar o descontentamento, que sente a alma, já de si paralizada, por se ver rodeada de tanta mentira; não é de prever, que algum «laboratório» público ou privado venha a manifestar interesse em investigar e desenvolver um antídoto capaz de cortar o efeito das «toxinas» económicas inoculadas aquando da mordedura, supostamente acidental!
Os cidadãos continuam a acreditar no sucesso individual e aproveitam a mínima oportunidade para subir uns degraus na escada que os leve a o protagonismo, nem que seja só por um instante, bem, nos dias que correm, é capaz de se sujeitar a qualquer humilhação, para conseguir sobreviver um pouco mais desafogado. Legítimo, em tempo de guerra, não se limpam armas, e a dignidade não enche barriga! Eu sei, mas também acredito, que a maioria das vezes não seria preciso, baixar tanto as calças, será só cobardia, ou porventura, coisa pior?
A saúde económica dos países ricos não é lá muito recomendável, a deslocação massiva da produção industrial para países em vias de desenvolvimento prossegue, a retoma é frágil, mas o mercado, mesmo debilitado, continua a funcionar... e ainda tem meios para manter os níveis de ilusão em alta, o que na prática significa, que a credibilidade do sistema ainda não foi pelo cano abaixo, a competição entre empresas, mantém as turbinas da especulação financeira a funcionar, dia e noite, sem parar.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 05:52 PM | Comentários (2) | TrackBack

«Guerra económica»

Enquanto os mercados financeiros entram em queda livre e as economias nacionais se afundam cada vez amsi na recessão, a crise do Leste Asiático de 1997 evoluiu para uma crise económica global. Os gestores internacionais de capitais --- cujos assaltos especulativos contribuiram significativamente para esta evolução --- foram apoiados pelo FMI, que defende a desregulação dos fluxos do capital internacional. Depois de minarem a capacidade de reacção efectiva a esta «guerra financeira» pelos governos nacionais, estas poderosas forças empenham-se agora nos bastidores na obtenção de um controlo ainda maior das instituições de Bretton Woods e de um papel mais directo na definição da arquitectura financeira internacional.

Michel Chossudovsky, A Globalização da Pobreza e A Nova Ordem Mundial

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 10:11 AM | Comentários (0) | TrackBack

agosto 01, 2004

De quando em vez, faço publicidade!

A publicidade além de ser uma forma desonesta de promoção de produtos, todos nós conhecemos produtos que não são publicitados, não por falta de qualidade dos mesmos, mas por falta de recursos de quem produz os fabrica, os produtos mais conhecidos do público são doentiamente promovidos (especialmente na televisão), uma estratégia de marketing das multinacionais, cuja finalidade não é dar a conhecer os produtos, mas inculcar hábitos, explorar emoções, exercer pressão sobre o consumidor, a publicidade é um agente promotor de alienação, é um imposto mascarado, que vai parar ao cofres de empresas privadas; é engraçado, como o espectador é duplamente enganado, consome produtos televisivos se péssima qualidade, é obrigado a engolir uma panóplia de spots publicitários «mais um fenómeno artístico» inventado para massacrar as defesas já debilitadas do espectador! Não, isto é mentira, o espectador é um cidadão livre, sabe escolher o que lhe convém! Os cidadãos que escolheram por Hitler no poder também eram homens e mulheres livres! Um trabalho de propaganda opera milagres nas decisões mal fundamentadas da maioria dos cidadãos, na falta elementos decisivos, ou pelo menos com suficiente importância para mudar a modo como compreendemos uma determinada realidade, pode fazer a diferença entre aceitarmos ou repudiarmos certas verdades feitas e prontas a consumir que nos são apresentadas pela publicidade, que nunca é inocente, nem ideologicamente neutra.
As somas que as multinacionais pagam aos ícones populistas (estrelas de cinema, do desporto, da moda...), são pagas por duas facções distintas: de um lado estão os que pagam com o corpo, ou seja, os trabalhadores mal pagos dos países em vias de desenvolvimento; do outro lado estão, os consumidores distraídos dos países ricos que acham «imensa graça» a esta nova forma de «arte», muito interessante e criativa, se for eticamente repulsiva quem se importa com isso? Aliás, só línguas pérfidas podem considerar este ramal da «arte» abjecto, colocar a imaginação ao serviço de qualquer «causa», pouco a pouco retira conteúdo à vida, a arte pode ser uma abordagem para o entendimento da vida, a «arte» da publicidade promove um afastamento da vida, enquanto a arte é uma caminho de liberdade, a «arte» publicitária, é uma cloaca por onde escorre imbecilidade.
Ataco a publicidade, não ataco, os publicitários, as pessoas teria que as conhecer pessoalmente para poder ter opinião, o que não é o caso, a publicidade ao estar presente em todo o lado, afecta-me pertuba-me, desencanta-me, não porque tenha o poder de me seduzir, antes pelo contrário, é frequente sentir asco, só o simples facto, de me distrair já devia constituir crime contra a minha integridade psicológica. O que eu faço profissionalmente é altamente discutível, para mim, aliás a maioria das profissões, não promove a liberdade de pensar, nem de ser, eu sei do que estou a falar! Não me repugnaria nada, que alguém critica-se a minha profissão, eu sou o primeiro a fazê-lo, tal como a maioria das pessoas, trabalho por necessidade, e não é fácil contrariar esse facto, pelo peso que o mesmo tem na vida pessoal.
A publicidade mantém um fluxo constante de propaganda, que promove um modelo de sociedade, que tem todo o interesse em distrair o cidadão comum das questões de fundo, por isso mesmo, o consumidor não pode ser deixado em paz, não só, porque deve comprar o produto, mas essencialmente porque deve ter a cabeça ocupada com determinado tipo de pensamentos, que devem estar ligados a desejos por realizar, o engodo deve funcionar, para bem da estabilidade do sistema, a publicidade é um veículo de importância capital e já agora capitalista.
A publicidade serve os interesses hegemónicos das multinacionais, as empresas que não possuem meios financeiros para suportar os custos da publicidade, são afastados do assalto psicológico às mentes desprotegidas dos espectadores (e estarão tão mais desprotegidas, quanto mais o negarem! Caso não desviem a atenção para outro lado; ou seja, quem não passa uma vista de olhos pela publicidade, para satisfazer a curiosidade intelectual, ou para formar uma opinião sobre determinado spot publicitário, tal como o pode fazer em relação a certos programas televisivos, na vã tentativa de tentar compreender o que leva os programadores a descer a fasquia tão baixo?!; como eu dizia, caso o espectador diga que não é afectado pela publicidade, mas continue «agarrado» ao ecrã, pode ter a certeza de que será afectado, e muito mais do que possa imaginar!) sugestionados a formar noções de qualidade dos produtos a partir da publicidade.
Esta estratégia, está bem integrada no sistema, aliás, fora deste contexto, nem paisagem existe, criou-se uma imagem de vazio existencial fora do paradigma vigente, em qualquer ponto do globo, para aonde se viaje, o spot publicitário chega lá primeiro, as cúpulas políticas aplaudem, as mensagens são simples e atraentes, a cheirar à maresia da juventude, por viver, ou talvez, à mocidade perdida, para uns determina um comportamento compulsivo, para outros, a ilusão, terão que trabalhar como mulas de carga, gasta-se a a vida, em rotinas absurdas, seduzidos pela «arte» de acreditar que se pode ter, mas o jogo está viciado à partida, e depois de exaurido do melhor que tinha para dar o ser humano cai por terra, desfaz-se em cinzas e em pó, morreu a sonhar com a felicidade de ter, esquecendo-se de que só poderia «salvar-se», caso tivesse aprendido a ser.
A publicidade é uma das formas de domínio da vontade, uma forma bárbara de implementar a irracionalidade, a inveja, a ganância, a intolerância e muito mais, mas nós, preferimos acatar a (a)normalidade, como uma forma benigna de alarvidade, sem contar que a coisa rapidamente evoluiu para uma forma globar de imbecilidade.

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«Um Plano Marshall para credores e especuladores»

Na sequência do colapso do rublo em 1998, estabeleceu-se um «fundo de precaução» de 90 mil milhões de dólares sob os auspícios do G-7-FMI «para ajudar a proteger países vulneráveis, mas essencialmente saudáveis» contra a especulação nos mercados monetários e de acções. Magistralmente apresentado à comunidade internacional como uma «solução» atempada para a crise financeira global, o «fundo de precaução» foi visto como um meio de deter a «turbulência financeira que se espalha de país em país, num processo de contágio». O Brasil foi o primeiro país a beneficiar deste novo esquema de milhares de milhões de dólares.
O «fundo de precaução» ficará para a História como a maior vigarice financeira do período do pós-guerra. Em vez de repelir o especulador, a sua própria existência diminui os riscos de levar a cabo operações especulativas. Não é pois surpreendente que os bancos e as empresas de investimento globais (bem versados na arte da manipulação financeira através dos seus fundos de salvaguarda filiados) tenham dado o seu apoio inequívoco à iniciativa conjunta do G-7 e do FMI. Este esquema, praticamente não analisado pelos meios de comunicação globais, virá reforçar o poderio dos «especuladores institucionais» sobre os mercados financeiros globais, bem como a sua capacidade de impor reformas macroeconómicas implacáveis.
Ao abrigo do «fundo de precaução» (saído do bolso dos contribuintes), reservou-se uma quantia colossal para o financiamento de futuros assaltos especulativos: o esquema de 90 mil milhões de dólares constitui um «Plano Marshall para os especuladores institucionais», representando em termos reais uma quantia mais ou menos equivalente ao orçamento total do Plano Marshall (86 600 milhões de dólares a preços de 1985), atribuídos entre 1948 e 1951 à reconstrução da Europa Ocidental no pós-guerra.
No entanto, muito diversamente do Plano Marshall, os fundos transferidos quer na garantia de crédito dos países asiáticos quer na do Brasil contribuíram para «forrar os bolsos» dos bancos globais, conduzindo a uma acumulação sem precedentes de riqueza em dinheiro. Nenhum deste dinheiro será canalizado para a reabilitação das economias destroçadas dos países em vias de desenvolvimento. Ao abrigo do novo mecanismo de contigência de financiamento do FMI, os bancos e as instituições de financiamento internacionais poderão cobrar com toda a facilidade as suas dívidas aos países em vias de desenvolvimento, inicialmente até ao limite de 90 mil milhões de dólares. Desta quantia, cerca de 40 mil milhões de dólares foram cuidadosamente postos de parte, como garantia de que o Brasil (na sequência de uma fuga de capitais em massa) não deixará de cumprir as suas obrigações para com os credores de Wall Street.
Na prática, o esquema do FMI-G-7 atingiu resultados exactamente opostos. Em vez de deter o assalto especulativo, contrubui para acelarar o fluxo para o exterior de riqueza monetária. Nos dois meses que se seguiram à aprovação do «pacote de precaução» do FMI, em Novembro, saíram do Brasil vinte mil milhões de dólares: uma quantia de dinheiro equivalente aos cortes orçamentais exigidos «de entrada» pelo FMI.
Com a fuga de capitais, as reservas do Banco Central do Brasil estavam a ser espoliadas à taxa de 400 milhões de dólares por dia... As reservas do banco central diminuíram de 75 mil milhões de dólares em Julho de 1998 para 27 mil milhões em Janeiro de 1999. A primeira parcela do empréstimo do FMI, no valor de mais de 9 mil milhões de dólares (concedida em Novembro de 1998) tinha já sido utilizada para aguentar a enfraquecida moeda brasileira; o dinheiro mal chegava para «financiar a fuga de capitais» no decurso de um só mês.

Michel Chossudovsky, A Globalização da Pobreza e A Nova Ordem Mundial

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 10:57 AM | Comentários (0) | TrackBack