novembro 30, 2003

a razão de ser (da)nação

Não haverá por aí nenhum estudioso do comportamento humano a tentar compreender que síndrome futebolística é esta que se apoderou completamente do País?!
Neste desprezado jardim à beira mar plantado, vai-se combatendo o colectivo desespero, na arena do futebolístico atoleiro.
A melhor aliada deste projecto de alienação exacerbada, é a televisão engalanada!
Nos seus lares, os espectadores entusiasmados, exorcizam os seus medos, invadidos por uma explosão de glória que está escrita nos anais da história!
Tamanha impudência à custa do endógeno atavismo, vai iludindo o povo com a glória fátua do "futebolismo".
Se as palavras estóicas bastassem, já este Portugal navegaria por mares nunca dantes conspurcados, em vez de soçobrar, a estranhos interesses que vamos ser todos chamados a pagar!
Claro, que a causa é nacional, e o consenso universal!
Sobejam sempre uns quantos velhos do Restelo, agoirentos empedernidos, soltando vagidos de descontentamento onde os outros encontram nobre fonte de entertenimento.


Publicado por Rodrigo Ribeiro em 07:46 PM | Comentários (0) | TrackBack

animal abismado

O tempo foge e eu fico pasmado a pensar que talvez até nem seja comigo...
mas é comtigo, idiota inveterado!
É domingo, veste um olhar lavado, ó inútil animal abismado!
Escuta o exercíto de invertebradas incertezas invadindo com bárbara satisfação!
O frágil reino do poder que consagravas a uma ilusão!
e continuas...

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 03:47 PM | Comentários (0) | TrackBack

Alfred Brendel na Gulbenkian

Ontem à noite quando cheguei de Lisboa, não fui capaz de articular as palavras de gratidão que o pianista Alfred Brendel merecia. A Gulbenkian está mais uma vez de parabéns. Não é todos os dias que um cidadão comum (todos aqueles que tal como eu se sentem arrebatados pelo poder fascinante da música e que gostam de poder fruir interpretações genuínas, mas cuja bolsa possuí um raio de acção muito restrito. Considero o meu caso pessoal paradigmático. Quando me desloco a Lisboa para assistir a algum concerto, se for de semana tenho que despegar do trabalho mais cedo, ou não consigo chegar a horas, e gasto mais dinheiro na deslocação do que muitas vezes no preço do bilhete! Um pormenor como este indubitavelmente lembra-me que vivo em Portugal, país onde a arte e a cultura, ou são para usufruto de uma mão cheia de privilegiados, ou então são consideras um luxo do qual se pode e deve prescindir como se tais actividades não estivessem intrínsecamente ligadas ao pleno desenvolvimento do cidadão que nunca poderá aceder à condição de, ser humano livre e consciente, capaz de atravessar a confusa e alienante aridez cultural presente de forma sistemática no seu quotidiano, inviabilizando escolhas fundamentadas na lucidez intelectual, na excelência estética, e na honestidade moral).
Esta mania de deambular ao sabor da pena, desviando-me do percurso (sem me perder! que veleidade!). Leva-me a fazer ligações (quiçá perigisas!), assumindo o risco da imprecisão, acreditando no entanto que a intuição é a mãe de muitas das descobertas importantes que ao longo da vida nos vão surpreendendo.
Depois de apurada reflexão cheguei à mais que evidente conclusão que a melhor maneira de elogiar a prestação do extraordinário pianista que é Alfred Brendel, é exactamente guardar respeitosamente o silêncio que por algumas vezes foi perturbado durante a actuação. (acessos de tosse, são absolutamente legitímos, mas sendo um factor de desconcentração para o músico, que pode perturbar a performance do mesmo, considero que denunciam alguma falta de respeito).

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 12:05 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 26, 2003

ouvir música

" Aos 15 anos, isolado, sem guia idóneo que me elucidasse (os professores de português embirravam com a pseudopretensão dos meus pontos escritos pouco escolares), que remédio senão entregar-me de corpo e entusiasmo ao jogo da barra com o José Bacelar ( que mo lembrou na dedicatória da sua Revisão)? Seguidamente, findo o recreio, despedia para casa e compunha música, aos gatafunhos impacientes que o meu irmão Jaime, dois anos mais novo do que eu e camarada de classe do José Rodrigues Miguéis, copiava com ternura assídua de secretário. Ambos obcecados pelas Artes ( o Jaime escrevia contos, desenhava com invenção e também aprendia piano), arrastávamos a semana a ansiar pelo alvorecer do domingo, dia santo dos concertos sinfónicos, aonde o meu pai nos levava para aprendermos a ouvir música, como ele, de olhos rasos de água. E eu que desadoro as mariquices das saudades do Passado ( saudades só do Futuro) debalde me esforço neste momento por evitar um sorriso no coração ao relembrar o aroma irrepetível que nessas tardes de chuva miudinha o café difundia na Brasileira, quando o meu pai lá ia beber a sua chávena antes dos concertos. Depois, apinhados no promenoir do Teatro da República, ou do Politiema, entregavamo-nos todos àquela brancura de êxtase tão estreme como nunca qualquer religião suscitou nos homens com pureza semelhante, em que os próprios abismos davam para céus imprevistos nas profundezas da terra.

José Gomes Ferreira, A Memória das Palavras

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 10:56 PM | Comentários (2) | TrackBack

a folha branca

"Na mão esquerda a fronte reclinada,
Horas fitando a alvura do papel,
A folha permanece imaculada,
E a tinta vai secar-se no pincel.

Creio que o meu espírito adormece...
Se porventura não desperta mais?
Vou pelos campos, que o sol doira e aquece,
Orvalhar-me nos frescos vegetais.

Dum lado, surgem matas verdejantes,
E graciosas montanhas, do outro lado,
Polvilhadas de neves rutilantes,
Cor de nácar ao sol purificado.

Mas as nuvens, correndo pelo espaço,
Vão encobrindo o azul indefenido...
Volto de novo, acelerando o passo,
Pelo grasnar dos corvos perseguido.

E outra vez, com a fronte reclinada,
Cismo fitando a alvura do papel...
E a folha permanece imaculada,
Imaculada sob o meu pincel...

António Feijó, Cancioneiro chinês

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 09:37 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 25, 2003

cobaia de palavras desesperadas

Cobaia de mim mesmo...
Cobaia das horas que vagam na desordem do não Ser...
Cobaia dos caminhos, cruzando multidões vazias...
Cobaia das palavras estóicas, gravitando em torno de apatias Universais...
Cobaia das ironias irritantes de alheios esgares...
Cobaia da imobilizante esperança, enquanto paulatinamente a morte avança...
Cobaia de (in)justificadas e tormentosas dissecações, ternima o pesadelo...
Cobaia da consciência de ser semente, e trazer dentro de si, alma de gente...

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 09:22 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 24, 2003

também os homens se comem vivos

"Os homens, com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros. Tão alheia cousa é, não só da razão, mas da mesma natureza, que sendo todos criados no mesmo elemento, todos cidadãos da mesma pátria, e todos finalmente irmãos, vivais de vos comer. Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é, quero que o vejais nos homens. Olhai, peixes, lá do mar para a terra. Não, não: não é isso o que vos digo. Vós virais os olhos para os matos e para o sertão? Para cá, para cá; para a cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só os Tapuias se comem uns aos outros; muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os brancos. Vedes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele andar, vedes aquele concorrer às praças e cruzar as ruas? Vedes aquele subir e descer as calçadas, vedes aquele entrar e sair sem quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão-de comer, e como se hão-de comer.
Morreu algum deles: vereis logo tantos sobre o miserável a despedaçá-lo e comê-lo. Comem-no os herdeiros, comem-no os testamenteiros, comem-no os legatários, comem-no os acredores, comem-no os oficiais dos orfãos e dos defuntos e ausentes; come-o o médico, que o curou ou ajudou a morrer, come-o o sangrador que lhe tirou o sangue, come-o a mesma mulher, que de má vontade lhe dá para mortalha o lençol mais velho da casa, come-o o que lhe abre a cova, o que lhe tange os sinos e os que cantando o levam a enterrar; enfim ainda o pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra. Já se os homens se comeram somente depois de mortos, parece que era menor horror e menos matéria de sentimento. Mas para que conheçais a que chega a vossa crueldade, considerai, peixes, que também os homens se comem vivos, assim como vós.

Padre António Vieira, Sermões

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novembro 23, 2003

humanos devanios à deriva no espaço virtual

"ESPAÇO, A ÚLTIMA FRONTEIRA", «DESTINO»

Não é lá muito fácil acreditar que o Sol, cuja energia sustenta a vida na Terra, vá no futuro, literalmente comer a sua própria criação. Cientistas de diversas áreas estudam o problema com vista a encontrar soluções técnicas que permitam viajar tão longas distâncias, em regime de auto-suficiência, e ainda ter meios para colonizar algum planeta que tenha o mínimo de condições de suporte de vida. O planeta Marte é o "destino natural", a primeira etapa de um êxodo que não conhecerá provavelmente um fim, talvez estejamos condenados a deambular pelo espaço sideral, na qualidade de vagabundos interestelares.
O projecto Biosfera II fracassou. A experiência consistiu na criação de um ambiente isolado do mundo exterior, que demonstrou que o ser humano ainda não está preparado para recriar a atmosfera terrena de modo sustentável.
Naves espaciais movidas a propulsão iónica já não devem estar longe de se tornar realidade; navegar à vela pelo espaço parece ser também uma das apostas dos cientistas. O cosmólogo Peter Coles parece não ter dúvidas em afirmar ser possível criar um túnel que atravesse o Universo, uma forma de atalho (wormhole), qualquer coisa equivalente a "viajar no tempo", a "enganar as leis da física". O astrónomo Brian Boyle está a criar um mapa tridimensional do Universo, e tem ao seu dispor 600 câmaras de fibra óptica montadas num potente telescópio, num observatório algures na Austrália. Dezenas de milhar de estrelas já foram cartografadas para gáudio dos futuros viajantes interestelares. Por momentos até eu, céptico até à raiz dos cabelos, dei por mim a vagar ao sabor da incomensurável silêncio que preenche o vazio intergaláctico.
À guisa de conclusão, temo que os humanos não necessitem de aguardar pelo colapso do sistema solar para que a sobrevivência da vida na Terra seja acometida de doença irreversível, uma certa forma de intolerância à humana ganância, que nem a mais bem intencionada investigação científica conseguirá dominar, de modo a travar o desfecho fatal, de uma humanidade em delírio global.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 10:53 PM | Comentários (0) | TrackBack

ocupar o pensamento com as tristezas que nos metem pela casa dentro

O Sr. Zé de Bragança enviou a habitual missiva semanal à sua querida directora (Isabel Stilwell, Notícias Magazine), tendo por lema: "O Portugal das televisões". Segundo o colunista e passo a transcrever:"...2. Candidamente sentada em sua casa na Pontinha, a mulher de um dos guardas destacados ensaiava uma carta para o seu marido que partira na véspera. A telavisão exibia em directo as palavras que emergiam da sua mão trémula. O repórter dava nota do desenvolvimento da escrita em jeito de relato da bola, qual Gabriel Alves das epístolas. No chegou ao pormenor de anunciar o vocábulo, comentar o estilo, adivinhar o termo seguinte. Pouco faltou. A intimidade da senhora estava já invadida por milhões de olhos pérfidos, deleitando-se com a descoberta das lágrimas derramadas e dos padecimentos sofridos. Realmente tudo serve para alienar os espectadores dos seus quotidianos rotineiros e sem ilusão. Esta impudícia sem freio, nem respeito, nem vergonha, vende e - o que é verdadeiramente espantoso - encontra protagonistas voluntários que, por um minuto de imagem, aceitam a obscena e sórdida exibição da sua alma.
...6. Enceto um furioso zapping televisivo. não sei se busco outro canal se um novo país."

O torniquete da chantagem emocional continua a vender, aproveitar e democraticamente obstruir o desenvolvimento de qualquer alternativa credível. Quem obstinadamente segue plantando imagens e palavras de inspiração lúcida, quais sementes de liberdade anunciada, imediatamente é desacreditado e como alma danada tratado.
Num tempo em que tanta gente parece estar habilitada a falar de qualidade, que se chegue à frente um voluntário que explique aos mais cépticos, a qualidade do alimento moral que o povo consome.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 04:23 PM | Comentários (0) | TrackBack

palavras esquecidas pela tradição

Desde há muitos anos que sou espectador assíduo do programa " Sinais do Tempo", já nem sequer me lembra quantas vezes o mesmo foi mudado de horário. O caso da práctica de casamentos infantis na Etiópia, foi o tema em destaque no programa de ontem à noite. Casamentos que se baseiam numa tradição antiga, culturalmente aceites, que estão na origem das meninas serem obrigadas a interromper os estudos para assumirem as suas responsabilidades matrimoniais. Acontece por vezes, o marido raptar a jovem esposa, quando ela não quer ir viver com ele voluntariamente. Estas jovens iniciam a sua vida sexual muito cedo, e é comum ficarem grávidas antes dos quinze anos. As consequências na sua saúde são muitas vezes irreversíveis, já que, quando entram em trabalho de parto muitas destas jovens, são literalmente rasgadas pelo nascimento do filho, desenvolvendo fístulas vaginais. Muitas são em consequência deste problema abandonadas pelos maridos.
Trata-se de um caso flagrante, de como uma tradição pode ter um efeito devastador na existência de seres humanos concretos, ao abrigo do conformismo relisioso (muitas das mulheres e raparigas inquiridas no documentário resignavam-se à sua sorte porque era essa a vontade divina.
Começa lentamente a esboçar-se no horizonte existencial daquelas raparigas a possibilidade de frequentarem a escola por mais tempo, ao mesmo tempo que são apoiadas pelos pais na consumação de um processo de divórcio, que as torna livres da obrigatoriedade de sairem de casa dos pais para irem para casa dos sogros. Sempre que a tradição sobe ao pedestal na forma de verdade irrefutável, é a própria essência da sua razão de existir que é posta em causa.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 12:21 AM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 22, 2003

patrióticas palavras politicamente incorrectas

Ser ou não ser patriota, eis a questão?
Sabe-se que um pato recém nascido segue a primeira figura que se ponha em movimento, nem que a mesma represente o semblante vivo do seu mais voraz predador. Algo de muito semelhante se passa com os humanos, impregnados desde o momento em que nascem por um difusa, mas avassaladora panóplia de infuências, determinantes na consequente configuração do seu perfil patriótico.
No que concerne aos valores patrióticos, a minha postura deve ser pouco ortodoxa. Entendo eu que a tradição e a cultura de um povo não podem ser uma força coerciva (mesmo que de aparência e contornos benignos), capaz de condicionar o desenvolvimento harmonioso que as peculiares necessidades de cada cidadão exigem, no desenvolvimento da sua identidade, liberdade e autonomia de pensamento.
Se o caldo cultural, onde cada cidadão cresce não estimula o discernimento, e a conciência de independência, de maneira a que cada cidadão sinta vontade de respeitar o torrão onde nasceu e amar a língua materna como instrumento privilegiado de comunicação e descoberta unificadora e pacificadora, algo que o patriotismo banal raramente estimula.
No presente parece restar aos portugueses enaltecer o sentimento patriótico com a devoção fervorosa que o futebol enquanto fenómeno cultural, assumiu na sociedade portuguesa.
A óbvia necessidade de investimentos públicos avultados, dificilmente justificados, apoiam-se na exacerbação do fenómeno, legitimado por se confudir com o próprio interesse nacional, sendo exacerbado até ao paroxismo pelos interesses instalados.
O genuíno respeito que é possível maturar pela pátria dos nossos igrejos avós, depende mais do nosso interesse por interpretar e compreender o meio que nos rodeia, com espírito analítico e sentido crítico de forma a que as nossas opiniões não sejam avulsas, fáceis, estéreis ou perniciosamente apáticas.
Não quer o meu pensamento ceder às pueris (não significa inofensivas) formas de patriotismo do momento, estimulando as palavras a fluir nesta forma de protesto politicamente incorrecto.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 08:41 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 20, 2003

PALAVRAS INTERPELANDO CERTEZAS

" Todos os dias assistimos ao fiasco do ultraliberalismo. Todos os dias esse sistema ideológico, baseado no dogma (ou na ilusão) de uma auto-regulação da economia dita de mercado demonstra a sua incapacidade de se gerir a si próprio, de controlar o que suscita, de dominar o que desencadeia. A ponto de as suas iniciativas, tão cruéis para o conjunto das populações, acabarem por se virar contra ele por efeito de boomerang, enquanto ele se mostra impotente para restabelecer um mínimo de ordem naquilo que persiste em impor.
Qual a razão das suas actividades poderem ser prosseguidas com a mesma arrogância, do seu poder tão caduco se ir consolidando e do seu carácter hegemónico se manifestar cada vez mais? Qual, sobretudo, a razão de termos cada vez mais a impressão de vivermos apanhados no seio de um poder fatal, «mundializado», «globalizado», tão poderoso que seria inútil pô-lo em causa, fútil analisá-lo, absurdo opor-se-lhe e delirante simplesmente sonhar em libertar-se de uma tal omnipotência que se diz confundir-se com História? Qual a razão de não reagirmos em vez de cedermos, e até de darmos permanentemente a nossa aquiescência, tetanizados, como que presos por tenazes, cercados de forças coercivas, difusas, que saturariam todos os territórios, consolidadas, inextirpáveis e de ordem natural?
Seria tempo de acordarmos, de verificarmos que não vivemos sob o império de uma fatalidade mas, mais banalmente, sob um regime político novo, não declarado, de carácter internacional e até planetário, que se instalou à vista de todos mas sem ninguém saber, não clandestinamente mas insidiosamente, anonimamente, tanto menos notado quanto a sua ideologia esvazia o próprio princípio da política e da sua força não necessita do poder e das suas instituições. Este regime não governa; despreza --melhor, ignora -- aquilo e aqueles que haveria de governar. As instâncias, as funções políticas clássicas, subalternas a seus olhos, não lhe interessam: pelo contrário, atrapalhá-lo-iam e, sobretudo, chamariam a atenção sobre ele, permitindo transformá-lo num alvo, dar pelas suas manobras, designá-lo como origem e motor dos dramas planetários a propósito dos quais acaba por nem sequer ser mencionado, pois, se detém a verdadeira gestão do planeta, delega nos governos a aplicação do que ela implica. Quanto às populações, só às vezes lhes reage com irritação quando elas fogem à reserva, ao mutismo permanente que supostamente as define.
A questão não é, para esse regime, organizar uma sociedade, estabelecer nesse sentido formas de poder, mas pôr em prática uma ideia fixa, poderia dizer-se maníaca: a obsessão de abrir o caminho ao jogo sem obstáculos do lucro, e de um lucro cada vez mais abstracto, mais virtual. Obessão de ver o planeta tornar-se um terreno entregue exclusivamente a uma pulsão afinal muito humana, mas que não se imaginava, apesar de tudo, que se tornasse -- pelo menos que tivesse que tornar-se -- o elemento único, soberano, o objectivo final da aventura planetária: esse gosto de acumular, essa nevrose do lucro, esse engodo pelo proveito, pelo ganho em estado puro, pronto para toda e qualquer devastação, açambarcando o conjunto do território ou melhor, o espaço no seu todo, não limitado às sua configurações geográficas."

texto extraído do livro:" UMA ESTRANHA DITADURA", escrito por VIVIANE FORRESTER (TERRAMAR)

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 09:43 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 17, 2003

palavras a um professor poeta

" Rómulo de Carvalho e o seu amigo António Gedeão", programa de Diana Andringa apresentado na RTP 2, justamente neste final de dia. São programas como este com a assinatura de Diana Andringa que estimulam a desobediência à tão arreigada mediocridade omnipresente no quotidiano das nossas mesquinhas existências.
Debanda a alma para regiões de maior inacessibilidade, seguindo o ensejo de verter uma lágrima de liberdade.
Esqueço o meu olhar na melancolia do dia já finado, em busca de um retalho de vida não dissipado.
Escuto o silêncio das palavras de bom agoiro, cúmplices mensageiras da esperança,
de quem aguarda receber um tesoiro, ainda que não passe da bola de estrume diligentemente reboloda por um besoiro!

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 09:03 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 16, 2003

palavras que as leis do universo tornaram globais

O documentário "Espaço, a última fronteira", apresenta o Universo como um lugar inóspito, que obriga os terráqueos a sobreviver com a espada de Damocles suspensa sobre as suas frágeis e fantasiosas cabecinhas. A possibilidade de o planeta Terra ser atingido por um asteróide ou um cometa de dimensão suficiente para provocar uma tragédia inimaginável, ou até mesmo provocar a extinção da espécie humana, é um facto perfeitamente plausível na opinião de cientistas que observam os fenómenos do Universo.
Apesar de não darmos conta disso, o planeta Terra está sempre em viagem, assim como todo o Sistema Solar. Vários são os perigos que espreitam, nenhum com um poder tão destrutivo como os chamados: Buracos Negros(que segundo os cientistas tem origem na desintegração de uma grande Estrela, quando a sua massa interna começa a tornar-se tão densa até que a própria força da gravidade enlouquece e toda a matéria e até mesmo toda a energia circundante são aspiradas para o centro dessa força colossal.
Agora já podemos dormir descansados! O "Buraco Negro" terrestre, conhecido por Globalização ( capaz de aspirar todos os recursos do planeta para um mesmo centro de decisão, numa espiral de economia enlouquecida, para depois atirar ao fosso dos leões, todos os peões excedentários, como escórias planetárias!) não pode competir em poder destrutivo com o seu homónimo espacial, ainda que o mesmo esteja adormencido lá bem no centro da VIA LÁCTEA!!!

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 10:20 PM | Comentários (0) | TrackBack

palavras apelando à música

A centena de quilómetros que separa Lisboa do local onde me encontro, neste momento a escrever, é muitas vezes mais que suficiente para impedir que no final de uma jornada de trabalho, ainda consiga sentir motivação para aí me deslocar, sempre que algum acontecimento cultural apela à minha presença. Acontece com alguma frequência não adquirir bilhetes com muita antecedência( o pecúlio não é assim tanto que incite ao desperdício, algo aliás, que a minha natureza abomina), porque posso vir a sentir-me demasiado cansado (não me agrada nada ser acometido por uma irresistível sonolência enquanto assisto a um concerto), e no último momento desistir.
As temporadas que o Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian oferece ao público, são nesta opinião de leigo, algo a não desperdiçar no panorama musical nacional.
O espaço acolhedor que é o Grande Auditório, vai no Sábado, dia 29 de Novembro de 2003 receber o extraordinário pianista ALFRED BRENDEL, que interpretará temas de BEETHOVEN, MOZART e SCHUBERT, concerto incluído no Ciclo de Piano da presente Temporada. Não me vai ser possível assistir ao concerto por não ter conseguido adquirir bilhete, se porventura alguém ler esta mensagem, e possuir um bilhete que não vá utilizar, é favor contactar este blog.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 06:32 PM | Comentários (1) | TrackBack

palavras proclamadas

« Moro numa casa de dois andares de janelas amplas, em que me debruço, horas e horas, a contemplar os horizontes e a resolver os problemas transcendentes do Espírito. Julgo que sou poeta.
O meu vizinho do lado mora numa barraca sem janelas nem horizontes, mas debruça-se, horas e horas, sobre a forja da oficina, sem meios de resolver os problemas comezinhos da vida. Diz que é operário.
Por isso, eu trabalho nas horas vagas, e o meu vizinho, nas horas vagas, não sabe onde arranjar trabalho. Destinos.» Soeiro Pereira Gomes, Refúgio Perdido

Mudam-se os tempos e mudam-se as vontades, não parece contudo, mudar a forma como o cidadão comum se vê envolvido numa batalha perdida, inserida numa guerra global declarada à humanidade. Como as feridas desta guerra dilaceram não a carne, mas o cerne da identidade individual, assistimos apaticamente a uma espécie de suicídio colectivo.
Enquanto a vasta maioria dos cidadãos, impavidamente eufóricos se debruçam ante a ébria magnificiência da variegada panóplia de espectáculos, acreditando que está ali de livre e espontânea vontade. Nos bastidores vão-se consolidando estratégias dinamizadoras de um projecto de alienação à escala global, que guiará a humanidade ao triunfo final, e do palanque virtual, serão declarados os direitos( entenda-se deveres) da imbecilização universal!!!

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 04:13 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 15, 2003

palavras reencontradas

Desde que me conheço como gente que me parece só ter tendência para aderir a causas perdidas! (todas as que não te trazendo nenhum provento material, te incomodam com a sua presença assídua, exigindo atenção e escarnecendo das certezas e garantias em que desejavas pia e deliberadamente acreditar).
Quer seja o acaso que as larga à minha porta, ou um poder estranho que as materializa numa consciência esfaimada pela verdade, essa luz que alimenta a ténue e bruxuleante chama de liberdade, num esforço cruel, que a custo mantém a cabeça de fora do vasto lodaçal de mentira, que grassa pelo mundo empunhando o estandarte da normalidade, drapejando ao sabor do capricho e da vaidade.
Importantes e flamejantes personalidades desfilam com desenvoltura, neste palco de tortura que é a realidade quotidiana. Subtilezas de interpretação, dão certezas de compreensão! estranhamente sustentadas por incoerências exacerbadas,e quando a angústia se entranha procura-se na mala de mão, ou na caixa dos primeiros socorros, e lá está, disponível nas cores preferidas, as doses pretendidas de ignorância embalada, disfarçada na forma de numa pílula imaculada, felicidade reencontrada!...
E tu, sempre de lado, espectador de uma realidade ficcionada a que não falta nenhum elemento para acabar em tragédia subestimada, por muitos e bons intuitos de pessoas e situações que não foram avaliados com a lucidez daqueles que vulgarmente sendo identificados como alucinados, são condenados ao ostracismo que deve manter afastados todos os dementados, de uma sociedade democraticamente constituída por cidadãos imbecilizados (entenda-se, impedidos de se desenvolverem plenamente, devido aos efeitos perversos de um processo de (de)formação ocorrido ao longo de uma pseudo-aprendizagem de reconhecimento da sua identidade).
Como ser humano que não se deve contentar com menos do que a plenitude da verdade« interpretação tão livre quanto possível do conceito intemporal da unidade da vida, onde tanto quanto eu consigo discernir, todos os seres humanos estão inseridos, e em boa companhia».
Creio que desejo veementemente continuar a alimentar as causas perdidas, pela simples e inequivoca razão de que só serão perdidas as causas que sejam lançadas à alienação colectiva em que vivemos submergidos.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 07:30 PM | Comentários (1) | TrackBack

palavras recuperadas

Durante esta primeira semana de deambulação pela blogoesfera, o que sobrou em intenção, faltou em publicação! O motivo incontornável que quotidianamente me deixa de rastos, é avassaladoramente conhecido pela maioria das pessoas que angariam os chamados "fundos de subsistência" por conta de outrém: TRABALHO ( sem dúvida que esta palavra deveria ser abolida do dicionário).
Ainda ontem consegui fazer duas asneiras:a primeira foi fazer desaparecer o texto que me tinha levado todo o serão a escrever,e a segunda, só hoje consegui descobri-la, quando acedi ao blog e verifiquei que todos os textos pura e simplesmente já não moravam lá; cheguei a pensar que algum engraçadinho tivesse a ousadia de me boicotar o trabalho! Claro que percebi imediatamente, que devia ter sido eu próprio,o autor de tão "hedionda façanha".´Lá consegui esclarecer a situação e resolver o problema reeditando os textos que neste momento já se encontram novamente disponíveis.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 04:31 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 13, 2003

palavras obliteradas

"Uma nova configuração de poderes está, pois a desenhar-se à escala mundial.
O poder real escapa aos estados.O descaramento dos novos poderosos é tão grande que não exitam em proclamar:«A mundialização do comércio e dos investimentos reduziu a independência dos governos.(...) Criámos este mundo novo dos mercados mundiais e da comunicação instantânea, que ganhou em eficácia e em competitividade, ultrapassando os poderes dos governos» Peter Sutherland, presidente do banco comercial Goldman Sachs International, antigo director do GATT, in Le Monde, 7 de Agosto de 1998".
Excerto tirado do livro «A ilusão NEOLIBERAL» RENÉ PASSET.

Como podem os políticos, embrulhar de ânimo leve, palavras sãs e escorreitas, nas seus mórbidos discursos de ocasião, enfeitados com a mentira fácil, e a hipocrisia desleixada?!; presumindo que os seus concidadãos, pelo menos os mais atentos, lhes estimem os perversos intentos e lhes deêm apoio em eleições, que mais paracem um mercado de frustações!!!
Dos fracos não reza a história, e dos políticos de virtuosa excepção(leia-se boa cepa!) não provamos nós o vinho da sua sabedoria! Ao cidadão comum resta-lhe enganar o palato, com a sórdida adstringência das feias promessas, que nunca poderão ser cumpridas!
Se os políticos não são exemplo a seguir, resta aos cidadãos assumir, as palavras da "civil desobediência"( da forma como foi idealizada por Henry David Thoreau e praticada por M.K.Ghandi) até que fique demonstrado que existem outros caminhos, que são intencionalmente obliterados dos mapas e circuitos políticos correntes, mas que devem fazer das existências dos cidadãos decentes(entenda-se conscientes, lúcidos, curiosos, intrigados, indignados, mas também esperançados)uma voz livre, um sonho solto, um passo resoluto, um abraço impoluto; um olhar que perscruta a imensidão una do conhecimento, sem ficar preso nas malhas da política do entretenimento!!!

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 11:40 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 12, 2003

palavras anónimas

Quarta, 23 de Abril de 2003, porque será que demoro tantas horas a chegar a este lugar?!...recuperar o tempo perdido, avançar destemido! para um tempo novo!...
Não posso crer que seja irreversivelmente tarde! Não. A alma ainda não está fossilizada!...
Escoriações assaz deploráveis deixam entrever uma longa e penosa jornada...
Nas brumas deste tempo estagnado pululam germes diversificados, capazes de infectar os sonhos mais inspirados!...
Gastei as palavras conservando o anonimato, para não ser ainda mais chato!
Vai-se o silêncio corroendo, dentro da alma pasmada, sobrevivendo em quarentena prolongada!...

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 11:58 PM | Comentários (0) | TrackBack

palavras ultrajadas

Gerês, 16 de Julho de 1977
«Em vez de me perder, como outrora, pela serra, a encher os olhos da única realidade que hoje vale a pena em Portugal, a paisagem, passo as horas sentado em frente da rádio e da telavisão, na ânsia de uma notícia de esperança. Tal é o meu desespero. Mas vêm palavras. As mais levianas, demagógicas e tolas que se podem ouvir. Os nossos políticos andam ao desafio. Cada qual quer ser mais irresponsável do que o parceiro. E consegue-o sempre.» Miguel Torga. Diário XIII

"...Mas vêm palavras. As mais levianas, demagógicas e tolas que se podem ouvir...", captadas por ouvidos incautos, usurpando mentes endémicamente distraídas, repovoou-se a nação com os novos valores da política paliativo-recreativa. Os efeitos dessa panaceia milagrosa levaram esta códea de terra a afirmar-se, como parte integrante de um tal "poletão da frente". Na frente vão sempre aqueles que em irresponsabilidade moral, intelectual e cultural coagem à deturpação o que de melhor as palavras podiam dar à comunicação.

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novembro 11, 2003

palavras aladas

agarrar as palavras com as mãos vazias de qualquer poder,´´é sentir a alegria da liberdade de escolher; e porque escolher é sempre arriscar, amassa com vigor o barro húmido das palavras com que te vais moldar!...
as palavras não surgem em catadupa, como desejarias! fluem e refluem como maré de desenganos, de quando em vez lá consegues persuadi-las a serem parte integrante dos teus planos!...
então, invade-te o estertor da cumplicidade, e sentes crescer em ti o apelo da verdade, paisagem esculpida na tua própria identidade!...
de palavra em palavra vai crescendo uma amizade, que tece em ti o amor de comunicar em liberdade!...

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 10:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 10, 2003

palavras inoportunas

será ainda possível reanimar as palavras, que a espera mutilou?!
palavras que chegam em má hora! gritos desesperados, pelo ruído circundante abafados! o cheiro a demência paira no ar saturado da omnipresente imbecilidade! desfalecem indignamente as palavras por chegar em má hora!
ainda aqui me encontro, tentando auscultar as vibrações do pensamento! tentando salvar as palavras do esquecimento!

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 10:21 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 09, 2003

PALAVRAS LIBERTAS

A INEXPERIÊNCIA FOI-ME FATAL! AO PRÉ-VISUALIZAR O TEXTO, QUANDO TENTEI RECUPERÁ-LO, JÁ NADA RESTAVA, ESTAVA PERDIDO. PACIÊNCIA, RESTOU-ME O TITULO. VOU TENTAR RECUPERAR AS PALAVRAS ALOJADAS NA MENTE QUE AINDA NÃO TENHAM EXTINGUIDO A SUA NECESSIDADE DE VIVER EM AMBIENTE ABERTO.
VOU COMEÇAR COM UM EXCERTO DO DIÁIO DE MIGUEL TORGA TIRADO DE UM LIVRO DE TEXTOS DE PORTUGUÊS QUANDO EU ERA ESTUDANTE DO 3º ANO DO LICEU, EQUIVALENTE AO ACTUAL 9º ANO:«COIMBRA, 12 DE NOVEMBRO DE 1955--- QUANDO OLHO OS VOLUMES DO DICIONÁRIO DE MORAIS, E ME LEMBRO QUE É DAQUELE CEMITÉRIO DE PALAVRAS MORTAS QUE QUOTIDIANAMENTE TENHO DE ARRANCAR VERSOS VIVOS, FIGURAS VIVAS, DIÁLOGOS VIVOS, CHEGO A TER PENA DE MIM...O DESGRAÇADO DO ARTISTA DA PENA TEM DE AGARRAR EM VOCÁBULOS EXANGUES, INERTES, CADAVÉRICOS, E CONSTRUIR COM ELES OBRA PELO MENOS TÃO ESTUANTE DE SEIVA COMO A DA PRÓPRIA CRIAÇÃO!»
COMIGO PASSA-SE UM POUCO O INVERSO, TENHO SIDO EU A MALTRATAR AS PALAVRAS, POR MEDO, POR INÉRCIA, POR VERGONHA. SUJEITAS À REPRESSÃO, VIRAM-SE OBRIGADAS A SOBREVIVER NA CLANDESTINIDADE. E NOS LOCAIS RECÔNDITOS ONDE SE REFUGIARAM DURANTE DÉCADAS, ACABARAM POR TOMAR CONSCIÊNCIA DE QUE SÃO ELAS PRÓPRIAS A AUTÊNTICA "SEIVA DA CRIAÇÃO"! E SE ASSIM É, PORQUÊ TEMER ENFRENTAR AQUELE QUE PROCUROU POR TODOS OS MEIOS CONTROLAR A LIBERDADE DE EXISTIREM. ASSIM SENDO SOU EU AGORA QUE ME ENCONTRO INDEFESO,OLHANDO AS PALAVRAS COMO SE AS MESMAS FOSSEM INSTRUMENTOS DE TORTURA MEDIEVAIS, E ESTIVESSEM PREDISPOSTAS A COMETER COMIGO INIMAGINÁVEIS ATROCIDADES! ISTO É O PRODUTO INFÉRTIL DE UMA IMAGINAÇÃO QUE AINDA NÃO SABE COMO LIDAR COM A RESPONSABILIDADE DE SE EXPOR AO EXTERIOR. PEDE-SE COMPREESÃO E TOLERÂNCIA A TODOS OS QUE EVENTUALMENTE DESAGUEM NESTA PRIMEIRA TENTATIVA, SABE-SE LÁ O QUE ESTARÁ PARA VIR A SEGUIR!

Publicado por Rodrigo Ribeiro em 07:08 PM | Comentários (1) | TrackBack