outubro 28, 2004

Subconsciente, o supurar de uma ferida inconveniente...

O cidadão é condicionado pelo modelo de sociedade que tem dentro de si, o qual é assimilado, modificado e adaptado ao correr da pena que descreve as (des)venturas existenciais. A distância e independência indispensáveis, a quem deseja perscrutar a realidade social e cultural de todos os ângulos possíveis, para evitar cair na tentação de seguir estereótipos que não foram erradicados completamente do subconscinete. Em princípio não é possível limpar eficazmente, os resquícios e os estigmas causados pela deficiente educação, e em certos aspectos de consequências traumáticas, as cicatrizes psico-emocionais são irremovíveis, ou talvez não, para quem optar por mandar fazer uma lobotomia, e considere essa forma de intervenção, «cirurgia plástica»!
Os estereótipos culturais mais enraízados, a panóplia de recalcamentos funcionam para o indivíduo, como as as sociedades secretas funcionam para a sociedade, os primeiros afectam o modo como reagimos emocionalmente aos mais diversos estímulos e situações no contexto quotidiano, indirectamente afectam o nosso comportamento, e deternimam a forma exacerbada ou contida, lúcida ou dementada, despoletada por sentimentos contaminados com agentes patológicos albergados no subcosnciente.
Os membros das sociedades ocultas elaboraram planos de intervenção na sociedade real, resguardados no obscuro isolamento dos refúgios secretos, longe do olhar do povo e fora do controle das autoridades, apesar das suas actividades representarem um perigo bem real, dado inteferirem nas decisões políticas e nas opções económicas que afectam a existência de milhares de milhões de indivíduos, continuam incólume e serenamente a moldar e impor o modelo de sociedade, com as condições óptimas para manter e perpetuar o poder hegemónico, que já detêem, subjugando pessoas reais com artinhamas ficcionais, é cada vez mais comum a intervenção subreptícia ao nível do subconsciente individual, o método mais eficaz, funciona a longo prazo, por acumulação e associação de ideias, mentalidades, recalcamentos hiperbolizados, mistificações supersticiosas, e um ror de disfuncões emocionais, entrelaçadas a ter formar um cordão de imbecilidade reactiva, que devia atemorizar o mais optimista dos cidadãos, mas continuamos placidamente a navegar neste oceano de inverosímel atonia moral.
No plano pessoal, os códigos de conduta alojados no subcosnciente afectam a liberdade de pensamento e de acção, o indivíduo adopta uma conduta auto-manietação inconsciente, marioneta articulada pelos impulsos sicronizados das forças tentaculares dos fantasmas culturais que encontraram em tempo oportuno, o espaço livre para penetrar e arreigar bem fundo as raízes da resignação, da indiferênça e da descoordenação interna, uma vez instalado um dado programa de realidade cultural razoavelmente pragmático, o uso dá-lhe veste-lhe a pele de verdadeiro, de fiável, ou mesmo infalível e inevitável, o indivíduo tem à mão as ferramentas para trabalhar e se lhe pedem para o fazer, como é bem formado, e obediente, faz o que lhe pedem, e vive à custa disso, não custa nada, basta não pensar, que é para isso, que lhe pagam.
Os problemas não se resolvem por si, quando assim acontece é porque não eram verdadeiros problemas, mas simples escaramuças. Enquanto, indivíduos temos que permanecer atentos aos sinais interiores, e perceber que o acaso, na maioria das vezes, não passa da soma de diversos factores que por arrasto de circunstâncias adversas ou favoráveis desencadeiam uma determinada reacção em cadeia que pode culminar numa crise, ou mesmo em tragédia, este paradigma reactivo pode ser observado no plano individual, como social e até mesmo à escala global. A maioria dos problemas verdadeiramente graves começam por ter origem em pequenas inflamações, insignificantes problemas de saúde psiquíca, emocional, sentimental, moral e espiritual, que não nos incomodam, ou melhor que consideramos comesinhos, e por isso, desprezíveis, em termos de responsabilidade colectiva acontece o mesmo, só acordamos quando a realidade nos agride forte e feito, e mesmo assim, não queremos acreditar, vamos à bruxa, recolhemo-nos em oração na igreja, pedimos a Deus que nos salve a pele, esta é a triste realidade, não podemos continuar a proceder assim, caso tenhamos algum amor pela vida e pela verdade, e deixemo-nos de argumentar que à muitas verdades e que a vida é um fenómeno que transcende a nossa compreensão e outras desculpas ocultas, de que nos servirmos para limpar as mãos sujas dos pequenos crimes que todos os dias nos permitimos cometer em nome vaidade, do orgulho, da inveja, da ganância e do desprezo que cultivamos em relação ao outro, como se não fossemos feitos de matéria tão corruptível e igualmente tão diáfana como a dele.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em outubro 28, 2004 07:53 AM
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