outubro 26, 2004

O despertar da consciência ética e estética depende da descoberta e compreensão da identidade individual, como forma de afirmação do indivíduo.

"O Indivíduo deve ser a expressão máxima da realização do Homem como ser inteligente e sensível. Como ideal."
A afirmação acima transcrita é da autoria do Francisco Nunes e revela que estamos em sintonia e não em desacordo.
Os conceitos mudam, «evoluem», adaptam-se e sobretudo são modelados pelos fazedores de opinião, e pela propaganda, de maneira a servirem os interesses do poder vigente. O individualismo actualmente mais não é que a expressão exacerbada do êgoismo em detrimento da afirmação do indivíduo, essa é a mentalidade dominante; o individualista actual é um devoto indeflectível do materialismo, que se expressa na modo como o indivíduo se deixa seduzir pelo consumismo ao ponto se tornar escravo de um sistema de trocas comerciais que esvaziam o sentido da dignidade intrínseca da vida humana.
A dignidade da vida, de qualquer forma de vida, não pode estar sujeita aos convencionalismos das modas e caprichos humanos que mudam de humor e de opinião sem o menor sentido das consequências que podem advir da forma descuidada como conduzem a existência; o individualismo tal como muitos outros conceitos foi deturpado de maneira a servir os interesses das elites que desgovernam a vida das populações. O individualismo transformou-se numa arme contra o direito à identidade individual, ao cultivar o individualismo o ser humano constrói uma falsa identidade, porque despreza a estrutura interior para fixar o seu interesse em pseudo-estruturas que lhe são fornecidas pelo mercado, pela indústria do entretenimento, pela propaganda, o individualista cresce fora de si próprio, investe na sua desintegração como ser humano para aderir a um falso e pernicioso conceito de sucesso materialista. Pouco a pouco a derrocada moral é evidente, para o próprio não será assim tão evidente, nem para os que o rodeiam, que provavelmente navegam no mesmo barco empurrados pelos ventos predominantes, é o comportamento que torna evidente o desmoronamento interno, como pode o indivíduo defender a integridade, a independência se vive fora de si mesmo?
O desenvolvimento da identidade individual é o cerne da existência do indivíduo, não no sentido do indivíduo viver fechado sobre si próprio, mas para evitarmos a dispersão estéril, a formação de um novelo existencial, e até para evitar cair na teia de futilidades, que pode dominar por completo os destinos da existência individual, na medida em que aparentemente, preenche os interessses individualistas.

Publicado por Rodrigo Ribeiro em outubro 26, 2004 07:32 AM
Comentários

Estamos então esclarecidos...

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em outubro 26, 2004 04:56 PM