fevereiro 08, 2004

nação imatura

Um dos sintomas da imaturidade de uma nação (mesmo que a mesma apregoe estar consolidada por um milénio de história) revela-se na intolerância às opiniões individuais, sempre que as mesmas expôem os tumores nacionais. Aparentemente a nação não os quer ver sanados, até por desconfiar, confirmando a a tendência nacional, para aceitar as inevitabilidades que o fado, ou o destino ditam, num encolher de ombros resignado.
Imaturidade, sim. Mas quem são afinal os protagonistas deste enredo? E como são bons a representar a pobreza de espírito, essa doênça endémica que provavelmente grassa nas mentes nacionais desde os primórdios da nação.
Políticos, jornalistas, apresentadores de programas televisivos, cronistas, artistas, actores, membros ilustres das mais diversas profissões liberais, enfim toda a estirpe de cidadãos, que tendo acesso aos meios de comunicação social, torna-se (co)responsável pela (de)formação da opinião pública.
Acontece que a maioria dessas pessoas (a cagar alto da sua pretensa sabedoria), pedagogos da chafurdice nacional (infelizmente os canudos que se recebem no final de um curso universitário, não atestam elevação da conduta moral do seu portador, nem sequer deviam ser salvo-conduto cultural, usado para abrir portas, janelas e postigos de acesso directo ao mundo da comunicação social).
Provincianismo revelador do culto da mediocridade. Ainda hoje acontece, no país dos brandos costumes (e ódios camuflados) matar-se por um metro de terreno de horta, ou por desentendimentos acerca de uma serventia comum.
Se estiverdes atentos, será fácil confirmar este tipo de comportamento, em muitos daqueles que vos entram pela casa dentro (são como os cães, apanham a porta "televisão" aberta e zás, quando damos por eles, estão sentados à nossa mesa, a comer a nossa refeição e a deixar-nos os ossos para roer).
São sofistas modernos às voltas com os seus ódios de estimação, ganham fama e deitam-se a dormir à sombra dos mesmos. O pior dos males é arratarem para o seu atoleiro, qualquer cidadão que se descuide.
Não será já tempo de Portugal se transmutar numa nação de corpo inteiro? Não estamos já todos fartos de flectir os joelhos e bajular pseudo-importantes, que mesmo bem espremidos, não deitam sequer, uma gota de genuíno suor em prol do desenvolvimento (uma nação culturalmente negligente, cercada pela atávica chico-espertice, não se pode considerar livre e desenvolvida) do seu país?

Publicado por Rodrigo Ribeiro em fevereiro 8, 2004 11:24 AM
Comentários

Alguém escreveu que o Português continua 'desconfiado a usar chapéu e a andar de burro'.

Francisco (Chico) Nunes (às vezes é espertito, outras...),

Um abraço

Afixado por: Planície Heróica em fevereiro 10, 2004 01:06 AM

Radiografia perfeita de uma realidade que espelha
a imperfeição quer intelectual quer moral de um povo. Parabéns pela mesma.

Afixado por: congeminações em fevereiro 21, 2004 12:42 PM